Vincenzo A igreja de San Luca tinha o cheiro do que sobrevive: cera velha, pedra molhada, incenso que não se dissipa. Chegamos com equipe mínima — dois homens no adro, um no campanário, eu e Marcos na nave — como combinado. O banco da esquerda nos aguardava, silencioso como um cúmplice. Se havia um teatro, era este: altar iluminado demais, sombras profundas demais onde não deveriam estar. — Banco esquerdo, como no recado — disse Marcos, baixo, cruzando o corredor com passos que não fazem eco. — Confessionário à vista, duas saídas. Sentei-me, a madeira fria nas costas. A mão desceu até o terço barato que recebêssemos horas antes; as contas arranharam a palma, pesando mais pela ironia do que pelo material. Entre as colunas, um vulto surgiu do lado da sacristia: casaco longo, capuz e luvas

