Capítulo 21 – Línguas de Serpentes

1448 Words

Elena O salão parecia um altar profano: lustres derramavam ouro líquido sobre mármore n***o, e a orquestra, escondida entre samambaias, tocava valsas como quem afia lâminas. O baile da máfia tinha a delicadeza de um funeral com champanhe — e eu, com um vestido cor de vinho maduro e luvas até o cotovelo, sorri como mandam as regras: só com metade da boca. A outra metade guardava dentes. Cinco dias para o casamento. Cinco dias desde o “acidente” do meu pai. Ninguém aqui tropeça em coincidências. — Maravilhosa — sussurrou uma dama, ao passar, com um bracelete em forma de serpente trançada no pulso. — A cor te favorece, cara. Agradeci com um aceno pequeno, enquanto pensava que a cor que me favorece, esta noite, é a do crime confesso. Deslizei entre casacas e perfumes, colhendo migalhas de

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