Dizer o nome foi como puxar um gatilho invisível.
No instante seguinte, seu corpo reagiu antes da mente. A dor veio forte, concentrada atrás dos olhos, como se algo antigo estivesse forçando passagem. Você levou a mão à cabeça, respirando com dificuldade, imagens se atropelando sem ordem.
Um salão grande demais.
Homens armados demais.
Uma voz gritando o seu nome — seu nome verdadeiro.
— Clara… — você sussurrou, sentindo as pernas falharem.
O celular vibrou no mesmo segundo.
Número desconhecido.
Você atendeu com a mão trêmula.
— Você lembrou — disse a voz de Claudio, grave, tensa. Não era pergunta.
— O que você fez comigo? — você disparou, a raiva finalmente rompendo o medo. — Quem é você pra entrar na minha vida desse jeito?
Do outro lado da linha, silêncio. Um silêncio pesado de culpa.
— Eu sou o homem que devia ter te protegido — respondeu ele. — E falhou.
— Eu não pedi para ser encontrada — sua voz quebrou. — Eu sobrevivi sem você.
— Sobreviveu porque te esconderam — ele rebateu, mais duro do que pretendia. — E agora que lembrou… eles vão vir.
Como se fosse um aviso tardio, alguém bateu à sua porta.
Não forte.
Educado demais.
Você congelou.
— Clara — a voz masculina chamou do outro lado. — Precisamos conversar.
O mesmo homem do outro dia.
— Não abra — Claudio ordenou. — Saia pela janela. Agora.
Você correu sem pensar. Desceu as escadas de emergência com o coração disparado, sentindo o mundo girar. Quando chegou à rua, um carro preto já estava ali.
A porta traseira se abriu.
— Entra — disse Claudio, pessoalmente agora, os olhos escuros presos em você.
Você hesitou apenas um segundo… e entrou.
O carro arrancou no mesmo instante.
— Você não tem o direito — você disse, assim que recuperou o fôlego. — Me arrancaram de uma vida inteira por decisões que eu nunca fiz!
— Eu sei — ele respondeu, a voz quebrando pela primeira vez. — E vou passar o resto da minha vida pagando por isso.
Você o encarou. Viu o homem poderoso. Viu o pai destruído. E odiou os dois.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Alsean cruzava uma linha.
Sem avisar o pai, ele foi atrás de Vittorio Mancini.
Não com palavras.
Com mensagem clara.
Um dos homens de Vittorio foi interceptado. Nada de morte. Nada de espetáculo. Apenas um aviso impossível de ignorar.
— Diga a ele — Alsean disse friamente — que tocar nela significa guerra aberta. Sem regras. Sem limites.
O recado foi entregue.
Vittorio sorriu ao ouvir.
— Então é isso — murmurou. — O garoto escolheu o fogo.
O plano final já estava em movimento.
Não m***r você.
Não r****r.
Mas te expor.
Vittorio queria que o mundo soubesse quem você era. Que inimigos antigos te reconhecessem. Que você se tornasse um ponto fraco visível demais para Claudio proteger.
— Quando ela for conhecida — disse ele — o império dele desmorona sozinho.
No carro, você fechou os olhos, sentindo o peso do nome recém-recuperado.
— Eu não sei quem sou — disse em voz baixa.
Claudio respirou fundo.
— Então vamos descobrir juntos. Mas desta vez… ninguém vai te tirar de mim.
Você não respondeu.
Porque sabia: lembrar foi só o começo.
E agora, a guerra tinha um rosto.