Capítulo 6 — O Preço do Nome

618 Words
O esconderijo não parecia uma prisão. E isso era o que mais assustava. O lugar era silencioso demais, amplo demais, limpo demais. Guardas do lado de fora, tecnologia discreta, rotas de fuga que você não conhecia — tudo organizado para proteger alguém importante. Alguém que agora era você. — Isso não é minha casa — você disse, andando até a janela e observando a cidade à distância. — É temporário — respondeu Claudio. — Até estabilizarmos a situação. Você riu sem humor. — Estabilizar? — virou-se para ele. — Meu nome voltou à tona depois de anos, tem gente me seguindo, outra tentando me usar… e você chama isso de instável? Claudio ficou em silêncio. Sabia que qualquer resposta soaria pequena demais. — Vittorio vazou informações — ele disse por fim. — Não todas. O suficiente para chamar atenção. Como se confirmasse suas palavras, o celular dele vibrou. Claudio leu a mensagem e fechou os olhos por um segundo longo demais. — Já começou — murmurou. Você sentiu o estômago afundar. — O quê começou? Ele virou a tela para você. Uma matéria curta. Um rumor disfarçado de curiosidade jornalística. “Figura do passado ligada à família Feretti reaparece após anos desaparecida.” Sem foto. Sem confirmação. Mas com perguntas demais. — Ele quer me transformar em alvo — você disse, entendendo rápido demais. — Ele quer me forçar a escolher — Claudio corrigiu. — O império… ou você. — E qual você escolhe? A pergunta saiu antes que você pudesse segurá-la. O silêncio que veio depois foi c***l. — Eu já escolhi uma vez — Claudio disse, a voz baixa. — E perdi você. Aquilo doeu mais do que qualquer resposta direta. Enquanto isso, Alsean observava o caos que ele mesmo tinha ajudado a acelerar. Sentado em um carro estacionado longe demais do esconderijo, ele encarava a tela do tablet com os maxilares cerrados. As reações já começavam. Famílias antigas perguntando. Nomes esquecidos reaparecendo. — Eu devia ter pensado melhor — murmurou. Mas agora era tarde. Quando o telefone tocou, ele atendeu sem hesitar. — Você está brincando de guerra, garoto — disse a voz de Vittorio do outro lado. — E guerras não poupam herdeiros. — Fique longe dela — Alsean respondeu, frio. — Essa é a última chance. Vittorio riu. — Ela não é o alvo final. — A voz suavizou. — Você é. E seu pai também. A ligação caiu. No esconderijo, você começou a sentir os efeitos reais de lembrar. Não como imagens claras — mas como sensações. O medo irracional de portas batendo. O impulso de contar passos. A necessidade constante de saber onde estavam as saídas. — Isso tudo… — você disse, passando a mão pelo braço. — Eu aprendi quando criança, não aprendi? Claudio assentiu. — Eles te treinaram para sobreviver. Não para viver. Você o encarou, lágrimas contidas nos olhos. — Então não me peça calma. Não me peça confiança. — respirou fundo. — Me diga a verdade inteira. Ele hesitou. Depois falou: — Vittorio planeja te expor completamente. Nome, rosto, ligação comigo. Quando isso acontecer, antigos inimigos vão te ver como moeda. — E o que você vai fazer? — você perguntou. Claudio se levantou. — Vou derrubar tudo antes que ele consiga. — Tudo o quê? Ele encarou você como nunca antes. — Meu próprio império. O peso da frase caiu entre vocês. Você entendeu naquele instante: a p******o que ele oferecia vinha com um preço gigantesco — e talvez irreversível. Do outro lado da cidade, Vittorio observava o noticiário silenciosamente. — Corre — murmurou. — Quanto mais ele corre… mais rápido cai. A guerra não estava mais nas sombras. Ela estava começando à luz do dia.
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