Capítulo 7 — A Escolha Que Quebra Correntes

664 Words
Você passou a noite em claro. Não por medo — mas por clareza. Pela primeira vez desde que seu nome voltou à superfície, o barulho na sua mente não era confusão. Era decisão se formando, lenta, dolorosa… definitiva. Ao amanhecer, você estava de pé diante da janela, observando a cidade acordar. Aquela vista não era sua, aquele lugar não era seu, aquela p******o não tinha sido escolhida por você. E isso precisava mudar. Quando Claudio entrou na sala, encontrou você já vestida, o olhar firme demais para alguém que ainda estava “em segurança”. — Você não dormiu — ele constatou. — Dormi o suficiente — respondeu. — Para entender uma coisa. Ele esperou. — Enquanto eu estiver escondida atrás de você, Vittorio controla o jogo — você disse. — Ele me quer visível. Frágil. Dependente. — Ele te quer exposta — Claudio retrucou. — Isso não é estratégia. É suicídio. Você se virou para ele. — Não. É isca. O silêncio caiu pesado. — Eu não vou deixar — ele respondeu imediatamente. — Não é uma decisão sua — você rebateu, firme. — Essa é a primeira coisa que vou escolher sozinha desde que me arrancaram da minha vida. Claudio deu um passo à frente. — Você não entende o que isso desencadeia. — Eu entendo exatamente — você respondeu. — E é por isso que precisa ser assim. Do outro lado da cidade, Alsean fazia algo que jamais pensou que faria. Ele convocou uma reunião sem o pai. Chefes menores. Aliados estratégicos. Gente que devia lealdade ao sobrenome Feretti — mas não ao homem. — Meu pai está disposto a queimar tudo por uma única pessoa — Alsean disse, direto. — E Vittorio sabe disso. — O que você propõe? — alguém perguntou. Alsean respirou fundo. — Cortar o coração do império antes que Vittorio o use contra nós. — Seu olhar endureceu. — Mesmo que isso signifique expor fraquezas… inclusive a dela. A decisão extrema estava tomada. Enquanto isso, o plano de Vittorio entrava na fase final. Um evento público. Uma exposição beneficente. Câmeras, imprensa, convidados influentes. O nome Clara Feretti começou a circular em sussurros. E então… em convites. Você recebeu um deles sobre a mesa. — Ele quer que eu apareça — você disse, segurando o papel. — Quer confirmar ao mundo que eu existo. — É uma armadilha — Claudio respondeu. — Então vamos fechar ela por dentro. Na noite do evento, tudo brilhou demais. Luzes. Vestidos caros. Segurança ostensiva. Você entrou sem se esconder. Vestida com elegância simples, postura firme, cabeça erguida. Pela primeira vez, não como vítima — mas como presença. Os olhares se voltaram. Os murmúrios começaram. Os celulares surgiram. — É ela… — A filha desaparecida… — Então era verdade… Claudio observava de longe, o corpo inteiro em tensão. — Tire ela daí — alguém sussurrou no ponto eletrônico. Era tarde. Vittorio apareceu do outro lado do salão, sorrindo como quem vence antes do fim. E então, tudo desandou. Homens se aproximaram demais. Câmeras demais focaram em você. Um jornalista pronunciou seu nome em voz alta. — CLARA FERETTI, É VERDADE QUE— O caos explodiu. Você sentiu a mão de alguém puxando seu braço. Mas não foi Vittorio. Foi Alsean. — Vem comigo — ele disse, urgente. — Agora. — O que você fez? — você perguntou, sendo levada. — O que precisava ser feito — ele respondeu. — Antes que isso vire um m******e. No mesmo instante, notícias começaram a pipocar. Congelamento de contas. Acordos rompidos. Aliados abandonando o sobrenome Feretti. O império começava a cair — por dentro. Claudio assistia àquilo tudo acontecendo em tempo real. O olhar fixo em você sendo retirada do salão. O nome Feretti sendo rasgado publicamente. O passado cobrando juros. — Você escolheu — murmurou. — E agora… eu também. Do outro lado, Vittorio perdeu o sorriso pela primeira vez. — Ela não quebrou — disse, tenso. — Ela evoluiu. E isso mudava tudo.
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