Capítulo 8 — O Que Não deve Ser Desfeito

599 Words
O silêncio depois do caos foi pior que o barulho. O carro avançava pelas ruas vazias enquanto você mantinha o olhar fixo na janela, vendo a cidade desfocar. As luzes passavam rápidas demais, como pensamentos que não conseguiam se fixar. Você fez uma escolha. E agora precisava viver dentro dela. — Você não devia ter ido — Alsean disse, quebrando o silêncio. A voz não tinha raiva. Tinha peso. — Eu devia — você respondeu, sem virar o rosto. — Eu precisava parar de ser escondida. — Você acabou de se tornar um símbolo — ele rebateu. — E símbolos morrem primeiro. Você o encarou então. — Eu não sou responsabilidade sua. Alsean apertou o volante. — Agora é. Porque fui eu quem te tirou de lá. Quando chegaram ao local seguro, Claudio já esperava. A porta do carro m*l se fechou e ele avançou um passo. — O que você fez? — a pergunta foi dirigida ao filho, mas o olhar dele estava em você. — Você podia ter sido— — Vista? — você interrompeu. — Usada? Silenciada? — respirou fundo. — Isso já estava acontecendo, só que sem minha permissão. Claudio ficou imóvel. — Eu te prometi p******o — ele disse, a voz baixa. — E eu cansei de ser protegida sem ser ouvida. A frase cortou fundo. Alsean saiu do carro e se colocou entre vocês. — A culpa é minha — disse. — Eu acelerei tudo. Claudio virou-se lentamente para o filho. — Você expôs o nome da família — disse, controlado demais. — Quebrou alianças de décadas. Congelou recursos. Fez inimigos se moverem. — Eu salvei ela — Alsean respondeu. — E salvei você de si mesmo. O impacto foi imediato. — Você não tem ideia do que está dizendo. — Tenho, sim. — A voz de Alsean falhou pela primeira vez. — Você estava disposto a destruir o mundo para compensar um erro do passado. E eu me recuso a herdar um império construído em culpa. O silêncio que veio depois foi absoluto. Você sentiu o peso daquele confronto no peito. Não era só sobre poder. Era sobre amor m*l resolvido e medo de perder. — Vocês dois precisam parar — você disse, finalmente. — Isso tudo… começou comigo. E termina comigo tomando parte nisso. Claudio se virou para você, o olhar carregado. — Essa guerra não pede consentimento. — Então vai ter resistência — você respondeu. — Porque eu não vou mais ser o motivo silencioso. Na mesma noite, a guerra atingiu o ponto irreversível. Vittorio apareceu em rede internacional. Não escondido. Não nas sombras. — A família Feretti construiu seu poder sobre mentiras — ele declarou. — E agora, a verdade voltou para cobrar. Documentos começaram a circular. Nomes foram citados. A confiança que sustentava o império começou a desmoronar. — Ele está queimando tudo — Alsean disse, observando as telas. — Não — Claudio respondeu. — Ele está me obrigando a responder. — Como? Claudio fechou os olhos por um segundo. — Do único jeito que guerras antigas terminam. Você sentiu o frio subir pela espinha. — Não — disse. — Não mais sangue. Não mais perdas. Claudio abriu os olhos e te encarou. — Não haverá vitória limpa. Só escolhas menos cruéis. Você entendeu ali: sua decisão não trouxe paz. Trouxe verdade. E a verdade nunca sai sem deixar destroços. Do outro lado da cidade, Vittorio observava o mundo reagir. — Agora — murmurou — eles não podem recuar. E você, pela primeira vez, chorou não por medo… mas pelo que sabia que não poderia mais ser salvo.
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