Henrique entrou no quarto em silêncio, fechando a porta com cuidado. O quarto estava iluminado apenas por um abajur de luz suave, e Amélie estava sentada diante da penteadeira, passando a escova pelos cabelos longos e volumosos. O movimento era lento, quase mecânico, e seus olhos estavam baixos, refletidos no espelho sem brilho, sem a doçura costumeira. Ela o viu pelo reflexo, mas não se virou. Continuou escovando. Henrique respirou fundo, aproximando-se devagar, como quem não queria assustar um animal ferido. — Você não foi ao jantar — disse ele com a voz baixa, controlada. — Não estava com fome — respondeu ela, ainda sem olhar diretamente para ele. — Amélie… Ela finalmente parou o movimento da escova, apoiou-a na mesa e levantou o olhar no espelho. Seus olhos encontraram os dele al

