Henrique caminhava rápido pelo caminho de paralelepípedos, mas a cada passo sentia as pernas mais pesadas como se a culpa grudasse nos tornozelos. O ar frio da noite cortava o rosto, mas não o fazia parar. Ele precisava se afastar. Agora. Antes que traísse tudo o que vinha segurando. Parou só quando chegou ao portão lateral dos jardins, apoiando as mãos no ferro, respirando como se tivesse corrido uma maratona. O gosto do beijo de Amélie ainda estava nos lábios dele. Ele fechou os olhos com força. — Isso não… isso não pode acontecer. — sussurrou para si mesmo, quase desesperado. Mas seu corpo inteiro ardia justamente pelo contrário. Henrique passou a mão pelo rosto, tentando recobrar o controle. Ele se sentia miserável. Não porque o beijo tinha sido errado mas porque tinha sido

