CAPÍTULO 101 PAULA NARRANDO Desci com ele, de mão dada, sentindo o coração martelar no peito como se tivesse correndo há horas. Mas eu não tava correndo. Tava andando. Ao lado dele. Sentindo a palma da mão dele quente, firme, encaixada na minha como se sempre tivesse sido ali o lugar certo. A calçada tava meio molhada, devia ter caído uma garoa rápida antes. O ar do começo da noite tava fresco, e eu sentia a brisa bater no meu rosto, ajudando a esfriar a bagunça que tava aqui dentro. Porque eu tava uma bagunça. Por dentro e por fora. Desde a hora que saí do barraco dele sem olhar pra trás. Não era pra ser assim. Eu só queria dormir ao lado dele. E ir embora sem pensar. Sem sentir. Sem deixar rastro. Mas deixei. E o pior? Eu senti. Senti o corpo dele grudado no meu. Senti a respira

