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3082 Words
Fabiano A garota chamou minha atenção de longe, vestida para qualquer coisa, menos este tempo. Seu vestido estava grudado em seu corpo magro e seu cabelo no rosto. Ela tinha os braços em volta do estômago e uma mochila brega pendia sobre o ombro direito. Eu diminuí a velocidade consideravelmente quando me aproximei dela, curioso. Ela não parecia uma de nossas garotas, nem me alguém que sabia alguma coisa sobre vender seu corpo. Mas talvez ela tivesse acabado de chegar e não soubesse que essas ruas nos pertenciam e que teria que pedir se quisesse trabalhar nelas. Eu esperava que ela fugisse quando me aproximei. Meu carro era facilmente reconhecível. Ela me surpreendeu quando estendeu a mão para eu pegá-la. Eu parei ao lado dela. Se ela tentasse me oferecer seu corpo, teria uma surpresa desagradável. E se isso fosse algum esquema de assalto insano com seus cúmplices esperando para me pegar de surpresa, eles teriam uma surpresa ainda mais desagradável. Eu coloquei minha mão na minha arma antes de deslizar minha janela para baixo e ela se inclinou para olhar dentro do meu carro. Ela sorriu com vergonha. — Eu me perdi. Você pode me levar para casa, talvez? Nada de prostituta. Eu me inclinei e abri a porta. Ela entrou e fechou a porta. Ela colocou a mochila no colo e esfregou os braços. Meus olhos caíram para os pés dela. Ela estava usando apenas chinelos e pingando água nos meus bancos e no chão. Ela notou meu olhar e corou. — Eu não esperava a chuva. Eu balancei a cabeça, ainda curioso. Ela definitivamente não me conhecia. Ela estava pálida e trêmula, mas não por medo. — Onde você precisa ir? Ela hesitou, depois soltou uma gargalhada envergonhada. — Eu não sei o endereço. Eu levantei minhas sobrancelhas. — Eu só cheguei ontem. Moro com meu pai. — Quantos anos você tem? Ela piscou. — Dezenove? — Essa é a resposta ou uma pergunta? — Desculpa. Estou desorientada hoje. É a resposta. — Novamente o sorriso tímido e envergonhado. Eu assenti. — Mas você sabe a direção para a casa de seu pai? — Havia uma espécie de acampamento por perto. Não é muito legal lá. Eu me afastei do meio-fio, em seguida, acelerei. Ela agarrou sua mochila. — Existem um lugar específico que você lembra? — Havia um clube de strip nas proximidades, — disse ela, um rubor profundo tingindo suas bochechas molhadas. Definitivamente não é uma prostituta. Eu a acalmei e dirigi na direção generalizada que ela descreveu. Não era como se eu precisasse estar em outro lugar. Sua ignorância da minha posição era quase divertida. Ela parecia uma gata afogada com o cabelo escuro colado à cabeça e o vestido grudado no corpo trêmulo. Seu estômago roncou. — Eu gostaria de saber o nome do clube, mas estava apenas prestando atenção aos bares que poderia trabalhar e que definitivamente não era nenhum deles, — disse ela rapidamente. — Trabalho? — Eu repeti, cauteloso novamente. — Que tipo de trabalho? — Como garçonete. Preciso ganhar dinheiro para a faculdade — disse ela, depois ficou em silêncio, mordendo o lábio. Eu a analisei novamente. — Cerca de uma milha daqui tem um bar chamado Roger's Arena. Eu conheço o dono. Ele está procurando por uma nova garçonete. As gorjetas são boas pelo que ouvi. — Roger’s Arena, — ela repetiu. — Nome estranho para um bar. — É um lugar estranho, — eu disse a ela. Era um eufemismo, claro. — Mas eles não têm padrões elevados quando se trata de seu pessoal. Seus olhos se arregalaram, então corou de vergonha. — Eu pareço tão r**m assim? Eu a observei novamente. Ela não parecia r**m, muito pelo contrário, mas suas roupas e cabelos molhados, e aqueles chinelos gastos, não ajudavam muito. — Não. Ela não pareceu acreditar em mim. Seu aperto em sua mochila aumentou. Eu me perguntei por que ela estava se agarrando a ela com tanta força. Talvez ela tivesse uma arma dentro. Isso explicaria por que ela se arriscara a entrar no carro de um estranho. Ela pensou que seria capaz de se defender. Seu estômago roncou novamente. — Você está com fome. Ela enrijeceu mais do que o necessário para uma pergunta tão simples. — Estou bem. — Seus olhos estavam colados ao para-brisa, determinados e teimosos. — Quando você comeu pela última vez? Ela me olhou rapidamente e depois voltou para a mochila. — Quando? — Eu pressionei. Ela olhou pela janela. — Ontem. Eu lancei um olhar para ela. — Você deveria considerar comer todos os dias. — Não tínhamos comida na geladeira. Ela não disse que morava com o pai? Que tipo de pai era ele? Provavelmente tão carinhoso quanto meu pai fora pelo jeito que ela parecia. Eu dirigi o carro em direção a um drive KFC. Ela balançou a cabeça. — Não, não faça isso. Eu me esqueci de trazer dinheiro comigo. Ela estava mentindo. Eu pedi uma caixa de asas de frango e batatas fritas e entreguei a ela. — Eu não posso aceitar isso, — ela disse calmamente. — É frango e batatas fritas, não um Rolex. Seus olhos correram para o relógio no meu pulso. Não era um Rolex, mas não menos caro. Sua determinação não durou muito tempo. Ela rapidamente atacou a comida como se sua última refeição decente tivesse sido mais do que apenas ontem. Eu a observei de canto de olho enquanto meu carro deslizava pelo tráfego. Suas unhas eram curtas, não as longas unhas falsas vermelhas que eu estava acostumado. — O que você faz? Você parece jovem para um homem de negócios ou um advogado — ela disse quando acabou de comer. — Homem de negócios? Advogado? Ela encolheu os ombros. — Por causa do terno e do carro. — Nada disso, não. Seus olhos se demoraram nas cicatrizes nos meus dedos e ela não disse mais nada. Ela se sentou de repente. — Eu reconheço essa rua. Vire à esquerda aqui. Eu virei, e diminuiu quando ela apontou para um complexo de apartamentos. O lugar parecia familiar à distância. Ela abriu a porta e se virou para mim. — Obrigada pela carona. Eu duvido que alguém mais tivesse parado pelo jeito que pareço. Eles provavelmente pensariam que eu iria roubá-los. Ainda bem que você não tem medo de garotas de chinelo. Meus lábios se contorceram com sua piada. — Não, eu não tenho medo de nada. Ela riu, em seguida, silenciou, olhos azuis traçando meu rosto. — Eu devo ir. Ela saiu e fechou a porta. Então ela rapidamente correu para se abrigar. Eu a observei se atrapalhar com as chaves por um tempo antes de desaparecer de vista. Garota estranha. *** Leona Eu olhei por trás da janela quando o Mercedes partiu. Eu não podia acreditar que deixei um estranho me trazer para casa. E não podia acreditar que o deixei me comprar comida. Eu achei que tivesse superado esse tipo de coisa. Quando era uma garotinha, estranhos ocasionalmente me compravam comida porque sentiam pena de mim. Mas esse cara, ele não mostrou nenhum sinal de pena. E o terno, de alguma forma, parecia errado nele. Ele não revelou o que fazia. Não era um advogado ou homem de negócios. O que então? Talvez ele tivesse pais ricos, mas não parecia o típico garoto rico. Não que isso importasse. Eu não o veria novamente. Um homem como ele, com um carro como aquele, passava seus dias em campos de golfe e em restaurantes chiques, não nos lugares onde eu podia trabalhar. Papai não estava em casa. Considerando a força da chuva, eu ficaria presa no apartamento por um tempo. Entrei na cozinha, verifiquei a geladeira, mas a encontrei vazia como de manhã, depois afundei em uma cadeira. Estava com frio e cansada. Eu teria que pendurar minhas roupas para secar logo, então poderia usá-las amanhã novamente. O vestido era a melhor peça de roupa que eu possuía. Se eu quisesse ter alguma chance de garantir um emprego nesta arena, precisava usá-lo. Este novo começo não foi muito promissor até agora. No dia seguinte saí em busca da Roger’s Arena, demorei um pouco e eventualmente tive que perguntar aos transeuntes a direção. Eles me olharam como se eu tivesse perdido a cabeça por perguntar por um lugar como esse. Que tipo de lugar o cara me sugeriu? Quando finalmente encontrei a Roger’s Arena, um edifício comum com uma pequena placa de neon vermelha com seu nome ao lado da porta de entrada de aço, e entrei, comecei a entender por que as pessoas haviam reagido daquele jeito. O bar não era exatamente um bar de bebidas ou boate. Era um enorme salão que poderia ter sido um armazém uma vez. Havia um balcão de bar do lado direito, mas meus olhos foram atraídos para a enorme gaiola de combate no centro do grande salão. Mesas estavam espalhadas ao redor, e também havia algumas cabines de couro vermelho contra as paredes para os clientes abastados, eu supus. O chão era de pedra fria. As paredes também eram, mas estavam cobertas por uma tela de arame e entremeadas por tubos vermelhos de neon que formavam palavras como Honra, Dor, Sangue, Vitória, Força. Eu hesitei na frente, tentada a me virar e sair, mas então uma mulher de cabelos negros veio na minha direção. Ela deve ter trinta, trinta e um anos, talvez? Seus olhos estavam fortemente delineados e seus lábios eram de um rosa brilhante. Eles combinavam com o brilho vermelho das luzes de néon. Ela não sorriu, mas também não parecia exatamente hostil. — Você é nova? Você está atrasada. Em trinta minutos, os primeiros clientes chegarão e eu nem sequer limpei as mesas ou os vestiários. — Eu não estou realmente trabalhando aqui, — eu disse devagar. E não tinha certeza se era um lugar que eu deveria considerar trabalhar. — Você não está? — Seus ombros caíram, uma das alças finas deslizando do ombro e permitindo um olhar no sutiã rosa sem alças debaixo de seu top. — Oh droga. Eu não posso fazer isso sozinha esta noite. Mel ligou avisando que está doente, e eu... — Ela parou. — Você poderia trabalhar aqui, sabe? — É por isso que estou aqui, — eu disse, mesmo que a gaiola de combate me assustasse. Mendigos não podem escolher, Leona. — Perfeito. Então vamos lá. Vamos encontrar o Roger. Eu sou Cheryl, a propósito. Ela agarrou meu antebraço e me puxou. — O pagamento é tão r**m por isso você está tendo problemas para encontrar pessoal? — Eu perguntei enquanto corria atrás dela, meus chinelos batendo contra o piso frio. — Oh, é a luta. Muitas garotas são sensíveis — disse despreocupadamente, mas tinha a sensação de que havia mais coisas que ela não estava me contando. Nós passamos por uma porta preta atrás do balcão do bar, ao longo de um corredor estreito de paredes nuas com mais portas, e em direção à outra porta de madeira maciça no final. Ela bateu. — Entre, — disse uma voz profunda. Cheryl abriu a porta de um grande escritório que estava embaçado pela fumaça de cigarro. Dentro, um homem de meia-idade, construído como um touro estava sentado atrás de uma mesa. Ele mostrou os dentes para Cheryl, seu queixo duplo ficando mais proeminente. Então seus olhos se fixaram em mim. — Eu consegui uma nova garçonete para nós — disse Cheryl, com uma pitada de flerte em sua voz. Sério? Talvez tenha sido uma coisa de chefe. — Roger, — o homem se apresentou, esmagando um cigarro aceso no prato manchado de ketchup na frente dele. — Você pode começar a trabalhar imediatamente. Eu abri minha boca em surpresa. — É por isso que você está aqui certo? Cinco dólares por hora, mais tudo que você conseguir de gorjetas. — Ok? — Eu disse incerta. — Vestida assim você não vai ganhar muitas gorjetas, garota. — Ele pegou seu celular e gesticulou para que saíssemos. — Arranje algo que mostre sua b***a ou p****s. Isto não é um convento. Quando a porta se fechou, dei a Cheryl um olhar interrogativo. — Será sempre assim? Ela encolheu os ombros, mas novamente tive a impressão de que estava escondendo algo de mim. — Ele está realmente desesperado agora. Esta noite é uma luta importante e ele não quer que as coisas fiquem confusas porque estamos com pouco pessoal. — Por que importa como estou vestida? — Meu receio venceu. — Nós não temos que fazer nada com os clientes, certo? Ela balançou a cabeça. — Não precisamos, não. Mas temos alguns clientes ricos que significam bom dinheiro. Especialmente se você lhes der alguma atenção especial. Eu balancei a cabeça. — Não, não. Isso não vai acontecer. Ela assentiu. — Cabe a você. — Ela me levou de volta para fora. — Você pode deixar sua mochila aqui. — Ela apontou para o chão atrás do bar. Relutantemente, eu a abaixei. Não poderia ficar com ela enquanto trabalhava. Ela remexeu em um pequeno armário à esquerda do bar e apareceu com um esfregão e um balde. — Você pode começar limpando o vestiário. Os primeiros lutadores chegarão em cerca de duas horas. Até lá tudo deve estar limpo. Eu hesitei. Ela franziu a testa. — O quê? Boa demais para limpeza? — Não, — eu disse rapidamente. Eu não era boa demais para nada. E já havia limpado muitas coisas repugnantes na minha vida. — É só que eu não comi nada desde a noite passada e me sinto um pouco fraca. Eu odiava admitir isso. Mas a geladeira ainda estava vazia e eu ainda estava sem dinheiro. E papai não parecia preocupado com comida. Ou ele comia onde quer que fosse à noite ou vivia de ar. Piedade cruzou seu rosto, me fazendo lamentar minhas palavras. Piedade era algo a que eu havia sido submetida com muita frequência. Sempre me fez sentir pequena e sem valor. Com uma mãe que vendia seu corpo na rua, meus professores e assistentes sociais sempre foram muito receptivos com sua pena, mas nunca com uma saída para o problema. O cara de ontem, quando me comprou comida, não pareceu um ato de caridade por algum motivo. Cheryl largou o esfregão e o balde e pegou algo de uma geladeira atrás do balcão. Ela colocou uma coca na minha frente, então ela se virou e passou pela porta vai e vem. Ela voltou com um sanduíche de queijo grelhado e batatas fritas, ambos frios. — São da noite passada, mas a cozinha ainda não está aberta. Eu não me importei. Eu comi tudo em poucos minutos e engoli com a coca gelada. — Obrigada, — eu disse com um grande sorriso. Ela examinou meu rosto e balançou a cabeça. — Eu provavelmente não deveria perguntar, mas quantos anos você tem? — Tenho idade suficiente para trabalhar aqui, — eu disse. Eu sabia que precisava ter 21 anos para trabalhar em um lugar como este, então não mencionei que tinha terminado o ensino médio este ano. Ela parecia duvidosa. — Tenha cuidado, menina, — ela disse simplesmente e empurrou o esfregão em minhas mãos. Eu peguei, peguei o balde e fui para a porta com a placa de neon vermelha onde se lia vestiário. Eu a abri com o cotovelo e entrei. Havia vários chuveiros abertos, uma parede de armários e alguns bancos no interior. O chão de azulejos brancos estava coberto de manchas de sangue e algumas toalhas sujas. Ótimo. Elas provavelmente estavam caídas aqui por dias. O cheiro de cerveja e suor pairava no ar. Ainda bem que aprendi a lidar com coisas assim graças à minha mãe. Comecei a esfregar e ainda estava lá quando a porta se abriu de novo, e dois homens – de trinta e cinco, talvez quarenta - entraram, tatuados da cabeça aos pés. Eu parei. Seus olhos vagaram sobre mim, descansando em meus chinelos e vestido. Eu sorri de qualquer maneira. Eu aprendi rapidamente que era mais fácil desarmar as pessoas com um sorriso do que com raiva ou medo, especialmente se você fosse uma mulher pequena. Eles acenaram para mim, desinteressados. Quando o primeiro começou a tirar sua camisa, eu rapidamente me desculpei e saí. Eu não queria vêlos se despir. Eles poderiam ter a ideia errada. Alguns clientes já estavam se misturando ao redor do bar agora iluminado de vermelho, obviamente impaciente por bebidas. Cheryl não estava à vista. Larguei o balde e o esfregão e corri para o balcão. Uma vez atrás, enfrentei o grupo de homens sedentos, sorrindo. — Então, o que posso fazer por vocês? Cerveja era a escolha certa, obviamente. Alívio me inundou. Esse pedido era um que eu poderia lidar. Se eles tivessem pedido coquetéis ou bebidas caras, eu teria me perdido. Metade deles pediu o que tinha na torneira e entreguei os copos cheios a eles, a outra metade escolheu garrafas. Eu rapidamente examinei a geladeira. Havia apenas três garrafas de cerveja. Eu duvidava que durassem muito tempo. Esses caras pareciam considerar uma caixa de cerveja um bom aperitivo. Onde estava Cheryl? Quando estava começando a ficar nervosa, ela finalmente passou pela porta, parecendo um pouco desgrenhada. Sua saia estava torta, a blusa ao contrário e o batom desapareceu. Eu não disse nada. Ela já ganhara algum dinheiro extra com um cliente? Olhei em volta para os poucos homens reunidos nas mesas e no bar. Alguns deles me lançavam olhares curiosos, mas nenhum deles parecia estar prestes a me oferecer dinheiro para f********o. Relaxei um pouco. Eu sabia que era particularmente sensível sobre o assunto, mas estaria fora desse bar, desesperada por dinheiro ou não, no momento em que um deles colocasse dinheiro na minha frente para f********o. Havia uma atmosfera estranha no bar de qualquer maneira. As pessoas trocavam dinheiro e conversavam em voz baixa. Havia alguém no canto que foi abordado por todos os clientes e anotou algo em seu iPad assim que lhe entregaram dinheiro. Ele era um homem muito redondo e muito pequeno, com um rosto tímido. Presumi que ele estava recolhendo as apostas. Eu não sabia nada sobre as leis em Nevada, mas isso não poderia ser legal. Não é da minha conta. — Boneca? Dê-me uma cerveja, por favor? — Um homem na casa dos sessenta disse. Eu corei, então rapidamente peguei um copo. Estava começando a sentir que este lugar poderia estar propenso a problemas.  
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