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1850 Words
O passado: Fabiano Eu me enrolei em mim mesmo. Eu não reagi. Eu nunca o fiz. Papai grunhiu pelo esforço de me bater. Soco após soco. Minhas costas. Minha cabeça. Meu estômago. Criando novas contusões, despertando velhas contusões. Ofeguei quando a ponta do sapato dele atingiu meu estômago e tive que engolir a bile. Se eu vomitasse, ele só me bateria mais. Ou pegaria a faca. Estremeci. Então os golpes pararam e eu me atrevi a olhar para cima, pisquei para clarear minha visão. Suor e sangue escorriam pelo meu rosto. Papai olhou para mim, respirando com dificuldade. Ele limpou as mãos em uma toalha que seu soldado Alfonso lhe entregou. Talvez este tenha sido o último teste para provar meu valor. Talvez eu finalmente me torne uma parte oficial da Outfit. Um Homem Feito. — Eu vou receber minha tatuagem? — Eu murmurei. O lábio do pai se curvou. — Sua tatuagem? Você não fará parte da Outfit. — Mas... — Ele me chutou de novo e eu caí de lado. Eu insisti, sem me importar com as consequências. — Mas serei Consigliere quando você se aposentar. — Quando você morrer. Ele agarrou meu colarinho e me levantou. Minhas pernas doeram quando tentei ficar de pé. — Você é um maldito desperdício do meu sangue. Você e suas irmãs compartilham os genes contaminados da sua mãe. Uma decepção após a outra. Todos vocês. Suas irmãs são prostitutas e você é fraco. Cansei de você. Seu irmão se tornará Consigliere. — Mas ele é um bebê. Sou seu filho mais velho. — Desde que papai se casara com sua segunda esposa, ele me tratou como lixo. Achei que era para me tornar forte para minhas tarefas futuras. Fiz tudo para provar o meu valor para ele. — Você é uma decepção como suas irmãs. Eu não vou permitir que você me envergonhe. — Ele me soltou e minhas pernas cederam. Mais dor. — Mas pai, — eu sussurrei. — É tradição. Seu rosto se contorceu de raiva. — Então, teremos que nos certificar que seu irmão seja meu filho mais velho. — Ele acenou para Alfonso, que arregaçou as mangas. O primeiro soco atingiu meu estômago, então minhas costelas. Mantive meus olhos em meu pai enquanto soco após soco sacudiu meu corpo, até que minha visão finalmente ficou preta. Ele me mataria. — Certifique-se que ele não seja encontrado, Alfonso. *** Dor. Profunda. Eu gemi. As vibrações enviaram uma pontada nas minhas costelas. Tentei abrir meus olhos e me sentar, mas minhas pálpebras estavam coladas. Gemi novamente. Eu não estava morto. Por que não morri? A esperança reascendeu. — Pai? — Eu resmunguei. — Cale a boca e durma, garoto. Vamos chegar em breve. Essa era a voz de Alfonso. Esforcei-me para sentar e abri meus olhos. Minha visão estava embaçada. Eu estava sentado no banco de trás de um carro. Alfonso se virou para mim. — Você é mais forte do que pensava. Bom para você. — Onde? — Eu tossi, então estremeci. — Onde estamos? — Kansas City. — Alfonso conduziu o carro para um estacionamento vazio. — Parada final. Ele saiu, abriu a porta traseira e me puxou para fora. Eu ofeguei de dor, segurando minhas costelas, então cambaleei contra o carro. Alfonso abriu a carteira e me entregou uma nota de vinte dólares. Eu peguei, confuso. — Talvez você sobreviva. Talvez não. Suponho que agora seja o destino. Mas não vou matar um garoto de quatorze anos. — Ele agarrou minha garganta, forçando-me a encontrar seus olhos. — Seu pai acha que você está morto, garoto, então se certifique de ficar longe do nosso território. Seu território? Era o meu território. A Outfit era o meu destino. Eu não tinha mais nada. — Por favor, — eu sussurrei. Ele balançou a cabeça, depois contornou o carro e entrou. Dei um passo para trás quando ele partiu, depois caí de joelhos. Minhas roupas estavam cobertas de sangue. Agarrei a nota de dólar nas palmas das minhas mãos. Isso era tudo que eu tinha. Lentamente me estiquei no asfalto frio. A pressão contra minha panturrilha me lembrou da minha faca favorita amarrada ali por um coldre. Vinte dólares e uma faca. Meu corpo doía e eu nunca quis me levantar novamente. Não havia sentido em fazer nada. Eu não era nada. Desejei que Alfonso tivesse feito o que meu pai ordenou e me matado. Eu tossi e senti gosto de sangue. Talvez eu morresse de qualquer maneira. Meus olhos voaram ao redor. Havia um enorme grafite na parede do prédio à minha direita. Um lobo rosnando em frente a espadas. O sinal da Bratva. Alfonso não conseguiu me matar. Esse lugar conseguiria. Kansas City pertencia aos russos. O medo me instigou a levantar e partir. Eu não sabia ao certo para onde ir ou o que fazer. Eu estava todo machucado. Pelo menos não estava frio. Comecei a caminhar para procurar um lugar onde pudesse passar a noite. Por fim, me acomodei na entrada de uma cafeteria. Eu nunca estive sozinho, nunca tive que viver nas ruas. Puxei minhas pernas contra o meu peito, engoli um gemido. Minhas costelas. Elas doem ferozmente. Eu não poderia voltar para a Outfit. Papai me mataria. Talvez pudesse tentar entrar em contato com Dante Cavallaro. Mas ele e papai trabalharam juntos por muito tempo. Eu pareço um maldito rato, um covarde e fraco. Aria ajudaria. Meu estômago apertou. Ela ter ajudado Lily e Gianna foi a razão pela qual o pai me odiava em primeiro lugar. E correr para Nova York com o r**o entre as pernas para implorar a Luca para fazer parte da Famiglia não ia acontecer. Todos saberiam que eu tinha sido aceito por pena, não porque era um recurso digno. Inútil. Era isso. Estava sozinho. *** Quatro dias depois. Só quatro dias. Eu estava sem dinheiro e esperança. Todas as noites voltava para o estacionamento, esperando que Alfonso voltasse, que o pai tivesse mudado de ideia, que seu último olhar impiedoso e odioso para mim tinha sido minha imaginação. Eu era um i****a de merda. E com fome. Nenhuma comida em dois dias. Desperdicei todo o meu dinheiro no primeiro dia em hambúrgueres, batatas fritas e refrigerante. Segurei minhas costelas. A dor tinha piorado. Tentei conseguir dinheiro batendo carteiras hoje. Escolhi o cara errado e fui espancado. Eu não sabia como sobreviver na rua. Eu não tinha certeza se queria continuar tentando. O que eu ia fazer? Sem roupas. Sem futuro. Sem honra. Afundei no chão do estacionamento à vista dos grafites da Bratva. Eu deitei de costas. A porta se abriu, os homens saíram e foram embora. Território de Bratva. Estava tão cansado. Não seria lento. A dor nos meus membros e desesperança me mantiveram no lugar. Olhei para o céu noturno e comecei a recitar o juramento que memorizei meses atrás, em preparação para o dia da minha indução. As palavras italianas saíram da minha boca, enchendome de perda e desespero. Repeti o juramento inúmeras vezes. Tinha sido meu destino tornar-me um homem feito. Havia vozes à minha direita. Vozes masculinas em uma língua estrangeira. De repente, um cara de cabelos negros olhou para mim. Ele estava machucado, não tanto quanto eu, e vestido com shorts de luta. — Eles disseram que tem um italiano louco do lado de fora do Omertá . Eu acho que eles se referiam a você. Fiquei em silêncio. Ele disse 'Omertá' como eu diria, como se significasse alguma coisa. Ele estava coberto de cicatrizes. Apenas alguns anos mais velho. Dezoito talvez. — Falar desse tipo de merda nessa área significa que você tem um desejo de morrer ou é um louco de merda. Provavelmente ambos. — Esse juramento era a minha vida, — eu disse. Ele encolheu os ombros, depois olhou por cima do ombro antes de se virar com um sorriso torcido. — Agora vai ser a sua morte. Eu me sentei. Três homens em short de luta, corpos cobertos por tatuagens de lobos e Kalashnikovs , cabeças raspadas saíram de uma porta ao lado do grafite da Bratva. Eu considerei deitar e deixá-los terminar o que Alfonso não pode. — Que família? — O cara de cabelos negros perguntou. — Outfit, — eu respondi, mesmo quando a palavra abriu um buraco no meu coração. Ele assentiu. — Suponho que eles se livraram de você. Não teve bolas para fazer o que era preciso para ser um Homem Feito? Quem era ele? — Eu tenho o que é preciso, — eu assobiei. — Mas meu pai me quer morto. — Então prove isso. E agora levante do chão e lute. — Ele estreitou os olhos quando eu não me mexi. — Fique. De. Pé. p***a. E eu levantei, mesmo que meu mundo girasse e tivesse que segurar minhas costelas. Seus olhos negros absorveram meus ferimentos. — Suponho que terei que lutar praticamente sozinho. Tem alguma arma? Puxei minha faca Karambit do coldre em volta da minha panturrilha. — Eu espero que você saiba manejar essa coisa. Então os russos estavam em cima de nós. O cara começou uma merda de artes marciais que manteve dois dos russos ocupados. O terceiro veio na minha direção. Eu o ataquei com minha faca e errei. Ele me acertou alguns golpes que fizeram meu peito chiar de agonia e eu caí de joelhos. Meu corpo machucado não tinha chance contra um lutador treinado como ele. Seus punhos choveram sobre mim, duros, rápidos, impiedosos. Dor. O cara de cabelos negros atacou meu agressor, enfiando o joelho em seu estômago. O russo caiu para frente e eu levantei minha faca, que se enterrou em seu abdômen. O sangue escorreu pelos meus dedos e soltei o cabo como se estivesse queimado quando o russo caiu de lado, morto. Eu olhei para a minha faca saindo de sua barriga. O cara de cabelos negros a puxou, limpou a lâmina no short do homem morto, depois estendeu para mim. — Primeiro assassinato? — Meus dedos tremiam quando a peguei, então assenti. — Haverá mais. Os outros dois russos também estavam mortos. Seus pescoços haviam sido quebrados. Ele estendeu a mão, que eu peguei, e me puxou para os meus pés. — Devemos sair daqui. Mais filhos da p**a russos chegarão em breve. Vamos. Ele me levou até um caminhão amassado. — Notei você se esgueirando pelo estacionamento nas últimas duas noites quando estive aqui para lutar. — Por que você me ajudou? Lá estava aquele sorriso torcido novamente. — Porque gosto de lutar e matar. Porque odeio a p***a da Bratva. Porque minha família me quer morto também. Mas o mais importante, porque preciso de soldados leais que me ajudem a recuperar o que é meu. — Quem é você? — Remo Falcone. E eu serei o Capo da Camorra em breve. — Ele abriu a porta do caminhão e já estava na metade quando acrescentou. — Você pode ajudar ou pode esperar que a Bratva te pegue. Eu entrei. Não por causa da Bratva. Porque Remo me mostrou um novo propósito, um novo destino. Uma nova família.  
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