Enri Albartelli
Você alguma vez na vida já sentiu a falta de alguém? Talvez não seja alguém, possa ser algo, não sei dizer diretamente do que ou como, apenas sinto. É como estar o tempo inteiro a espera de alguém, o tempo passa pessoas chegam, e nenhuma delas se encaixam diminuindo esta falta, vão ou mando embora da minha vida, mesmo beijando várias bocas, e não sentir-se satisfeito, é como vasculhar um palheiro em busca de uma agulha com uma laterna e ainda assim não encontra-la.
É estranho sentir falta do que nunca provou, nunca sentiu, um beijo, a maneira como os seus lábios sentem saudade da boca da outra pessoa, a maneira como talvez ela poderia lhe compreender bem, ao ponto de lhe fazer sem ao descer do carro olhar para trás a sua espera e lá, lá atrás não haver ninguém.
É viver num mundo como um louco, é procurar sabores onde não se acha, e não se encontra, assim sou eu, a procura, a beira da loucura do que não conheço, uma obsessão que se toma, e ninguém consegue livrar dela, a cegueira pela busca é intensa ao ponto de embebedar de um corpo, mas não se encontrar nele, não se ver naquele lugar ou o corpo, não diria que é amor, direi que é loucura, talvez seja o que o meu ex-terapêuta tenha pensado em mim dizer, mas nunca disse.
Olhar para a janela procurar o que não se sabe na multidão, não se conhece, como procura? Como saber? Mas ainda assim procurar, avaliar, no final da noite haver alguém sexualmente linda em sua cama, e durante a manhã vim a insatisfação não com o corpo, mas com o que não se conhece, nos deram nomes, origens e motivos para a descobertas, mas não nos ensinaram como lidar com o que sentir, com o que se quer, somos ganaciosos e nem mesmo sabemos o porquê, apenas queremos crescer e ser melhor que ontem, que amanhã, não interiormente, apenas financeiramente, o lado de lá é r**m não é? Mesmo para quem nunca fui a ele, sabe que sim, é.
É assim que me sinto todas as manhãs, em busca deste beijo, deste sentir que não conheço, será que esta pessoa já passou em minha vida e eu não percebi? Me pergunto rotineiramente, é vazio, é pacato, por mais barulhenta que seja a minha vida, por mais que as pessoas falem sem parar o tempo inteiro, haja saltos indo e vindo, carros, telefones tocando, ainda assim tudo é um mero inferno silencioso, nada além que isso pra mim.
Uma vez senti este vazio diminui um pouco, mas durou tão pouco, que o buraco deixado por ela foi maior do que o tempo que ocupou o vazio da falta, não é por falta de amor próprio, é que algo falta em minha vida e eu ainda não sei dizer.
Desde novo como um bom Albartelli, aprendi que apenas duas coisas na vida dignifica um homem mais que as suas palavras, o trabalho sério, e o sexo. Essas duas coisas estando em dias, nada pode alterar o seu humor, nada além disso é mais importante, um homem com um vasto curriculo no trabalho não precisa falar por si, sua trajetória fala por ele, quanto ao sexo as mulheres cochicham entre si, diminuindo o seu trabalho de propaganda.
Enrolei as mechas de fios loiros em minha mão direita, sentado na espriguiçadeira, a mulher a minha frente com a calcinha azul arrastada para o lado sentando e rebolando sabe o que faz, continuei sentindo a pressão alta em meu corpo, a cada movimento dela vejo e não o vejo mais. — Isso, assim vai gostosa! — Gemi em sussurros lhe fazendo olhar para trás, abri a minha mão acariciei sua nadega esquerda passando a aumentar os seus movimentos sobre mim, a cada movimento ela se senta com mais força, obstruido por mais tempo a sentada em mim.
— Que delicia Enri! — Aproximei a minha boca as suas costas. — Apenas rebola querida, vai, agrada este homem — Pedi em voz alta, forte, efêmera. Continuou seguindo o controle da minha mão até chegar ao máximo, a olhei ofegando, vermelha a minha frente, agora trêmula. Seu suco molhou todo o preservativo. — Deita! — Ordenei rouco. Ela obedeceu me olhando, não sei ao certo seu nome, é quinta vez que saímos, esta a uma semana trabalhando na recepção, os seus olhos verdes me fascinaram, possuem encantos.
Deitou-se a medida que fiquei de pé, aproveitando-se da curva da esprguiçadeira, abri as suas pernas, sentei penetrando-me por inteiro na sua deliciosa f***a. Segurei firme os seus quadris, movendo-a para mim. Pelo que percebo, aos trinta e dois anos, o sexo continua maravilhoso, mas a falta permaneci ali, lhe fiz gozar e eu gozei em seguida, suspirei fundo ao lhe ver recuperar-se do orgasmo.
— Hoje a noite nos vemos? — Indagou a minha frente, ainda sentando me recuperando, neguei. — Não, tenho reunião hoje a noite. — Não era deliberadamente uma mentira, já saimos três vezes, lamentou com a boca sem pronunciar uma palavra.— Amanhã então? — Levantei sem estender conversa,caminhei pra o banheiro, lhe deixando entender as minhas respostas. — Enri eu posso mandar preparar um...
— Ingrid eu já expliquei a você desde que nos envolvemos... — Sorriu ao me ouvir. — Não é Ingrid sou Ana.— Abaixei a cabeça ao escuta-la — Desculpe, é o hábito, Ingrid é a minha secretária. — Desculpei-me. — Tudo bem, quanto a nós vermos amanhã? Esta de pé? — Neguei a sua frente, afastei as suas mãos do meu peito. — Preciso tomar uma ducha saio em alguns minutos para a empresa.
Removi a camisinha, enrolei descartando em seguida. — Enri eu posso ir até você hoje a noite. — Continuei a segui para o banho, sem explicar-me, até que entrou debaixo do chuveiro compartilhamos a ducha juntos. — Ana quando nos conhecemos eu fui sincero com você em dizer que não quero relacionamento sérios, você disse que também não queria. — Envolveu o meu pescoço com as mãos olhando em meus olhos. — Mas qual o problema Enri, a gente continuar se vendo? — Fechei os olhos, qual o sentido de continuar se vendo, não é o mesmo que namorar?
— Ana apenas tenta me entender, eu não quero ter compromisso com ninguém agora,sinto muito! — Tirei as suas mãos do meu pescoço, voltei ao banho matinal,enxuguei-me saindo do box, vesti-me lhe vi saindo em seguida. Meia hora cheguei a Albartelli.
— Bom dia! — Cumprimentei alguns no saguão, a questão não é apenas envolver, namorar com quem não é capaz de fazer sentir o vazio desparecer, a sensação de que a pessoa nunca virá existe, mas por mais que eu saiba disto, nunca me cansarei de esperar.
— Senhor Enri bom dia! — Olhei para Ingrid com a minha agenda nas mãos, todos os dias é a mesma rotina, calça preta de oxford, blusa branca, o A em diferente modelo em azul em sua blusa, além do blazer perto, se a chamarem pra o velório não haveria roupa melhor. — Pode começar Ingrid, o que tenho pra o dia de hoje? — Suspirei ao fim, ela sorriu atrás de mim, entramos no elevador, ouvindo como o meu dia será longo e sem fim, cheguei a minha sala.
Já passava do meio-dia quando obtive direito a uma refeição, desci no elevador até que os recrutadores entraram. — Não Kas, nada haver, o fato dela... Senhor Enri. — Olhei para dois homens a minha frente curvando-se ao me cumprimentar. — Olá Kas, Olá Fernando, seleção para alguma area? — O loiro assentiu. — Sim, estagio para direito, depois do último incidente com a ex-estagiaria tivemos que abrir seleção.
— A Simone deu a louca com a garota, coisa louca. — Fernando acrescentou. — O que houve com a Simone? Ela me pareceu bem nas ultimas reuniões. — Indaguei curioso, a nossa advogada é uma das melhores, para que haja como louca com alguém, deve haver razões interessantes. — Adoraria saber, mas infelizmente naquela sala só ela e os estágiarios que sabem o que se passa ali dentro.
— A menina saiu chorando, juntando as coisas pelo corredor, juro que na entrevista pensei em aprovar uma que mostrou-se bem durona as perguntas. — Riram os dois continuei sério. — É costumeiro este tipo de comportamento dela na empresa? — Tocaram um ao outro nos ombros, se olharam, Kas ajeitou os óculos, Ferando coçou a cabeça. — Não muito. — Fernando riu mostrando o contrário.
Chegou o destino de Kas, somente nós dois permanecemos, mais quatro pessoas entraram. — Então é habitual que trate os estagiários assim? — Insistir ao homem que apenas lamentou. — Acho que é um golpe de sorte alguém terminar o estágio na Albartelly, senhor Enri. — Os que estavam presentes o olharam, o mesmo olhava a porta de metal.
— Ela é muito exigente, impaciente além de dizer que só quer os melhores com ela. Por sorte é que são estagiários, caso contrario, já teriamos pago milhares em indenizações. — Uma loira de pé movendo o celular perto a um rapaz nos olhou, afirmando como se soubesse do que falavámos. Olhei para o seu crachá arquitetura dois, Indinara Moraes, rg logo abaixo. Suspirei fundo jogando o ar pra fora em seguida. — Não posso discordar com ela por isto, a nossa empresa sempre requer os melhores, através desta oportunidade selecionamos os melhores para ficar.
Apenas lamentou a meu lado. — Sim senhor Albartelli. — Sai ao chegar ao meu andar, a loira passou por nós, falando ao celular em seguida.