Ani Guerra
Uma semana passou sem nenhuma ligação, nenhuma que realmente fosse esperada, o desespero não era o nome ideal ao que me atormetava ainda, sentia-me chateada, mas desesperada não seria o caso. — Ani porque não aproveita que esta em casa hoje e me faz companhia? — Virei-me sentada na cadeira, olhei para Indinara. — Porque não tenho ânimo? — Não foi uma pergunta para que ela respondesse, era irônica, lhe vi sorri. — Nenhuma ainda? — Neguei lhe olhando, de pé, cabelos loiros, saia jeans, blusa de brilho cobrindo os s***s.
— Se ao invés de ser... — Lhe encarei, ela viria de novo com este papo de que esta cedo demais pra enviarem e-mail, que agora eu devo sairconhecer e dá pra alguém em alguma empresa. — Você sabe que eu não vou t*****r com um desconhecido por uma vaga numa empresa, Indi. Me recuso a pensar que conseguiu uma vaga na Albartelly deste jeito. — Ergeu as mãos ao me ouvir, os cabelos loiros foram soltos, abriu as mechas com as mãos. — O Kas não é tão r**m assim, é apenas tímido mas o melhor é que hoje eu escutei o bonitão falar que...
— Esta falando do cara da entrevista na Albartelly? — Assentiu ao me ouvir, neguei sem pensar duas vezes. — Foi com ele a sua? — Pergunto me lembrando em detalhes como ela relatou que entregou o cartão nas mãos de um homem. — Foi, pelo menos até hoje estou na arquitetura amiga, é apenas um rapaz, e pelo que me disse que a sua entrevista foi com certeza será dessa vez.— Suspirei fundo, sorri fraco ao notar a minha decepção. — mas não importa minha forma de agir na entrevista, tampouco meus pontos na prova, aqui é Brasil né? Fazer o que? — Bati palmas erguendo as sobrancelhas.
— Ele deve fazer isso a cada seleção Ani, é só esperar e torcer agora, no meu caso eu... — Cobri os meus ouvidos, não sou virgem, mas também não sou uma sacana ao ponto disso, tirou as minhas mãos das minhas orelhas. —Pelo menos eu ganhei algo em troca com isso, pior foi você que namorou por dois anos com um playboy que te tratou como lixo no final. — Neguei ao que disse, me arrependi sim, mas ninguém muda o que vivi.
— Amei? Me apaixonei? Vivir Indinara? Não me arrependo por tudo que vivi com o Marcos. — Comentei girando a cadeira de um lado a outro.
— Sim, e que te trocou por uma biscate de quinta que já rodou na mão de todo mundo na faculdade? — Dei de ombros, pelo menos com ele eu aprendi muitas coisas, a não ser trouxa, a não confiar facilmente é uma delas. — E daí, ciclos começam e terminam, não deveria ser pra sempre, nada é pra sempre amiga, acabou, eu aprendi.
Levantou a minha frente. — Affs Ani, papo chato, não esta vendo que o Marcos não te merecia? O que preciso fazer pra que possa entender, quer que eu desenhe? — Fiz bico por fim, ela me avisou e não foi uma única vez, eu que precisei ver o beijão de novela pornô na frente de todos naquela festa pra entender, que eu não fui suficiente pra ele. — Não precisa fazer nada Indi, eu já entendi. — Abri o sorriso para lhe mostrar que estou bem. — Não parece Ani, vamos amiga, reage, vamos sair e pegar uns boyzinho esta noite.
— Ah não acredito eu aqui com medo da conta de luz e você pensando em boy Indinara quando vai amadurecer? — Gargalhou ao me ouvir. — Não seja tola Ani, eu já paguei a conta de luz este mês. — Abri os olhos ao lhe ouvir. — O que? Já? — Pergunto a loira que sorri me olhando. — Ah eu tenho que contribuir, né? — Senta em meu colo, cheiro seu ombro. — Hum tá cheirosa, pra onde vai? — Pergunto sem negar a minha curiosidade, saber que a luz não vai estar em atraso tira um peso dos meus ombros.
Virou me olhando com um sorriso largo na boca, coloco seus cabelos pra o lado, seus olhos castanhos mel perspicazes me fizeram temer as suas palavras. — Nós vamos Ani, nós eu e você, vamos sair passar o rodô nesta cidade. — Bufei entre lábios. — Não somos da faxina, Indinara. — A voz soou baixa imitando uma canção. — Seremos esta noite, irei te ver pegar o mais gato, dos mais gato. — Revirei os olhos, se ela falar do chefe de novo eu mato.
— Ah se eu tivesse uma chance de colocar na cama do Senhor Enri uma vezinha se quer na vida. — Suspirei fundo, Enri Albartelli, para quem não conhece, é o amor plâtonico da minha melhor amiga, semana passada houve um escadâlo com o seu nome mais uma vez, como sempre, mais um que trata as mulheres como lixo. Mas o meu objetivo em entrar na Albartelly não é ele, é por outras razões.
— Acho que deveria me valorizar mais, o que o Enri cafajeste poderia me dá? — Sorriu ao me ouvir, os olhinhos foram de um lado a outro. — Ah Ani... tanta coisa, oh Enri, ah Enri continua Enri, que ... — Ri ao escutar a sua simulação de orgasmo,lhe empurrei do meu colo em seguida, por roçar em minhas pernas. — Não seria capaz de afirmar que este homem daria tantos orgasmo deste jeito a uma mulher, se nunca esteve com ele.
Deu de ombros se ajeitando de pé, na saia. — Se ele não der pelo menos só de me comer já esta bom. — Abri os olhos vendo que o amor plantonico, foi a loucura. — Neste caso, eu irei com você a esta festa, beberei qualquer coisa que me der, só pra esquecer desta seleção. — Levantei em seguida, parei no meio do caminho, virei-me para olhar a tela o e-mail aberto, suspirei fundo até que ela desligou a tela — Isso amiga, vamos, vamos.
Neguei com a cabeça, apesar de querer ir pra esquecer minha atual situação, uma casa inteira sob a minha responsabilidade, sem emprego, sem bolsa, apenas com o dinheiro que meu pai me deixou, não tenho muitas opções, outra parte não quer, quer encontrar uma solução pra tudo isto, Indinara passou a minha frente. — Aquele vestidinho vermelho que tal? — Suspirei procurando coragem na alma.
— Pode ser, com você nesta blusa ninguém me notará mesmo, graças a Deus! — Apenas virou-se me dando lingua. — Duvidodo. — Lhe segui até o guarda-roupa, pegou o vestido vermelho ajeitou na cama pra passar ferro, me maquiei nada exagerado, apenas o batom vermelho que fala por si sobre segurança. — Amiga eu juro que dá uma vontade de te comer nessa roupa. — Revirei os olhos, Indinara tem sido meu porto seguro, desde que tudo aconteceu em minha vida, se não fosse por ela, não sei como seria o amanhã.
— Espero que se segure e não faça isso, e que ninguém pense o mesmo que você. — Arqueou a sobrancelha direita me vendo colocar o meu habitual salto preto, peguei uma bolsa preta, a animação ainda não veio até caminhar no carro vermelho, olhei para o céu entre as estrelas, o que ele diria se me visse saindo agora. — Pensando nele amiga? — Sorri fraco. — Sim, a essa hora estaria na porta dizendo tudo ao contrário dos outros pais.
— Não volte antes das duas da madrugada! — Ri ao escutar ao imita-lo com o dedo indicador apontado. — Bem isso, mas agora ele não esta mais aqui pra me dizer isso. — As lágrimas vieram aos meus olhos, suspirei fundo, senti as mãos me apoiarem nos ombros. — Não adiantar procurar entre as estrelas amiga, o tio Tony sempre estará com a gente. — Sorri fraco, mas assenti. — É com certeza esta. Você vai dirigindo e como eu te conheço bem eu volto dirigindo.
— Você acha mesmo que nós vamos voltar juntas Ani? — Assenti. — Nem pensar em dormir fora, Indinara, se for pra motel eu vou ficar te esperando vai transar....
— Você não vai bancar a irmã pega no pé agora vai? — Entrei no carro, negando. — Não, desculpe, é que essa situação toda de não me ligarem acabou me frustando, eu fiz a entrevista amiga, até agora nada.
— Ainda não ocuparam o cargo na Albartelly, e a advogada geral de lá do jeito que é uma peste. — Olhou-me por sabermos bem a quem se refere, ela é meu foco, meu objetivo. — ... pra ser sincera eu prefiro que não entre, amiga, aceita outra desta vez, é seu estágio, seu ultimo estagio, não gasta tempo com isso, por favor. — Suspirei fundo ouvindo seus conselhos, eu queria segui-los, mas meu coração insiste nisso.
Ligou o carro, saimos da garagem de casa, o portão foi fechado automáticamente. — Pelo menos sabe pra onde ir? — Perguntei a mulher que sorriu, olhou no espelho conferindo a maquiagem, parou de repente. — Esse carro branco esta aqui na porta... — Virei olhando pra trás. — Ah é do vizinho, é novo dele, eu queria tanto trocar o Roberval. — Lamento.
— Pela ferrari? Já garota? Assim só um velho rico. — Revirei os olhos, seguimos até chegar a boate, ao descer lhe olhei se ajeitando. — Quando tirou a saia e colocou essa calça? — Virou apenas a cabeça pra mim. —Me molhei muito quando rocei em sua perna na hora qu... — Atirei a minha bolsa em seu ombro. — Descarada como pode me dizer isso assim? — Gargalhou alto, passamos pela segurança após ela mostrar o seu crachá, é uma das vantagens de ser Albartelli, passe livre em qualquer lugar, todos querem um Albartelli. — Sabe como é apenas imaginar como é com ele.
Afastei ao escuta-la, ouvir sobre o cafajeste Albartelli mais uma vez será um sacríficio, até me puxar para ela. — Ah você age assim porque não conhece ele, pode ser um cafajeste amiga, mas o homem tem respaldo pra isto. — Andamos de mãos dadas pela entrada até o salão, as luzes acessas indo de um lado a outro. — Hum vou pedi algo pra nós.
Continuei olhando em volta, sempre gostei de luzes de boate, mas a música agitada nem tanto no começo, acaba acelerado demais me fazendo sentir perdida em tudo. — Oi quer dança? — Neguei ao primeiro, que passou alto, moreno, não vi a cor dos olhos, neguei até de qualquer aproximação. — Oi gatinha sozinha? — Olhei para Indinara no balcão. — Não, com licença. — Andei em direção ao bar pra fugir, dei passos para o balcão de bebidas, a boate ainda chegava pessoas.
Até ser parada por um homem forte, camisa social branca aberta no peito, mangas arregaçadas no cotovelo, o olhei a minha frente, impedindo a minha passagem, faltando pouco pra chegar perto de Indinara que falava com o garçom. — Com licença por favor. — Solicitei vendo o homem grande em meu caminho, ao virar-se a minha frente, seus olhos verdes intensos encararam os meus, rosto quadrado, a barba bem feita escura, o nariz reto, comprido, franzi o cenho ao tentar me lembrar de onde o conheço. — Senhor por favor deixe me passar.
Seus olhos me avaliaram de baixo a cima, e cima a baixo, toquei dois dedos em seu braço, tentando passar em seguida dei passos para ir, sentia mão no meu antebraço, virei pelo contato, seus olhos observaram os meus. — Enri. — Ele ainda continuou a olhar os meus, tirei meu braço da sua mão. — Enri ele esta ali. — Afastei-me sai caminhando até encontrar Indinara. — Não, eles não estão mais juntos.
Arqueei as sobrancelhas ao escutar. — De quem esta falando? — Pergunto afim de saber — De quem mais seria? — Encosto também no balcão — Seu ex acabou de sair daqui pedindo dois coqueteis. — Olhei para a multidão em busca dele, até que de longe vi o homem que acabei de barrar me olhando sentado numa mesa, o encarei de volta. — Ele estava sozinho? — Parou de me olhar com a minha insistência em olha-lo.
— Claro que não, Ani, ouviu ao menos dizer que ele pediu d... o que esta olhando? — Virou-se a meu lado. — Ah o senhor Enri, amiga, o senhor Enri?— Gritou no fim, dei de ombros em meio a sua felicidade. — E daí o que tem o senhor Enri? — Perguntei virada pra ela desta vez. — Dormi com ele, e amanhã a sua vaga...
— Não vou dormir com ninguém, Indinara! — Avisei a garota que apenas pegou o meu queixo, obrigando-me a olha-lo. — Rico, poderoso, gostoso pra c****e. — A voz veio animada neguei, ele poderia ser o deus Thor, o rei de Wakanda, aos meus olhos apenas um cafajeste. — Porque não faz isto então? — Revirou os olhos ela. — Não é pra mim, que ele esta babando garota. Olha lá.
—Unimos o útil ao agradável, você vai até ele, coloca seus truques em prática tudo certo.— Colocou a bebida em minha mão, dando um gole na sua.
— Ele não esta olhando pra mim, amiga, é sério. — Coloquei o copo na boca, olhei para o homem sentado, conversando com outros, até que me olhou, sorriu de lado. Levantou após dizer algo aos dois na mesa, veio até mim. — O que eu faço? — Perguntei receosa.
— Sei lá, seja você! — Segurei o braço de Indinara com medo. — Eu não sei o que falar. — Respondi entre dentes. — Apenas responde o que ele pergunta, seja sexy. — A cada passo que o homem dava em minha direção, me fez estremecer, não era pela sua beleza, é por que ele é homem que pode me fazer chegar perto de quem quero chegar. — Boa noite meninas. — Olhou para ambas, parando em mim no fim.