Capítulo 12

3236 Words
Como eu imaginava, meu irmão ficou exultante ao encontrar Vinícius e isso acabou me arrancando um sorriso bobo. Talvez pudéssemos voltar a ser amigos agora que alguns dias passaram e eu estava mais calma, afinal, excluindo a parte romântica e o fato do Vinícius ter mentido para mim, ele era alguém que eu gostava de ter por perto. A lembrança de quando me trouxe em casa ao ver meu desespero por causa do Luan, acabou me fazendo refletir que talvez eu estivesse sendo um pouco injusta e imatura em não permitir ao menos que ele se explicasse. Entretanto, eu não diria nada, esperaria que o Vinícius tocasse no assunto. — Sabrina, você vai ficar no quarto do Luan. Vem deixar suas malas. — Fui subindo e ela veio atrás, mas ao que parece pediu para o Vinícius ajudá-la a carregar suas coisas escada acima. — Eu só vou colocar o celular pra carregar e já desço. — Ela foi até a tomada ao lado da cama, enquanto eu e Vinícius a deixamos sozinha. — Mari. — Ele tocou meu pulso para chamar minha atenção, soltando logo em seguida como se tivesse ultrapassado uma barreira. — Podemos conversar por alguns minutos? Suspirando, eu fiz que sim com a cabeça e o guiei para o meu quarto. Fechei a porta e me sentei na cama, Vinícius ficou em pé por um tempo até eu bater ao meu lado em um gesto solicito. Ele atendeu ao meu pedido, então ficamos nos olhando por alguns segundos em silêncio. — Por quê? — perguntei, sem me segurar mais. — Eu fui um i****a, me desculpe. Fiquei com medo de te contar a verdade e você me odiar. Então houve um problema sério na matriz e precisei viajar de última hora, sei que nada justifica. Mas a minha vida também está um pouco complicada, não estava nos meus planos me envolver sentimentalmente com ninguém — despejou as palavras, parecendo um pouco desesperado. Aguardei, sabendo que não era somente isso. — Deveria ter sido sincero com você desde o início. Só que eu não consegui, por achar que iria me afastar se soubesse a verdade e por outras questões complicadas. Estamos tendo alguns problemas trabalhistas, eu precisava saber o que estava acontecendo e se contasse iria estragar tudo. Sabrina descobriu e tive medo de que ela espalhasse a informação... eu deveria ter confiado em você — ele balançou a cabeça — Não tem desculpa para o que fiz, só que eu entrei em pânico quando nos beijamos, passou várias coisas na minha cabeça. Ser acusado de assédio, te envolver nos meus problemas, além de pensar que não daria mais tempo de consertar a mentira. Não queria falar a verdade por telefone ou mensagem, sei que não mereço seu perdão. Ainda assim gostaria que me perdoasse e pelo menos continuasse sendo minha amiga — Vinícius falava sem pausas, como se eu fosse interrompê-lo a qualquer momento — Sinto muito sua falta. — Eu também sinto sua falta, mas isso não apaga o fato de ter me escondido sobre quem você era de verdade — objetei, suspirando — fiquei quase um mês morrendo por dentro imaginando o motivo de você ter sumido sem me dizer nada... E então descubro que mentiu pra mim. Meu corpo tremia levemente pela apreensão do momento. — Eu entendo o que você está sentindo, e o mínimo que posso fazer é contar tudo agora, ou pelo menos um resumo — assenti, ele prosseguiu — Quando meu pai faleceu, eu fiquei muito deprimido e me isolei. Ele era meu melhor amigo, então perdê-lo me deixou sem chão. Minha mãe tomou conta das duas lojas sozinha por algum tempo com a ajuda do meu primo, enquanto eu só comia e jogava videogame na casa dos meus avós. Até eu finalmente perceber que as coisas estavam saindo de controle, ela estava sobrecarregada e eu não queria assumir a responsabilidade. Era novo demais, não tinha superado a morte do meu pai ainda e enfim. A solução que encontramos foi assinar uma procuração passando a administração das duas livrarias para o meu primo. Ele já trabalhava com meu pai e sabia como tudo funcionava, estava disposto a assumir. Só que esse foi o pior erro da minha vida. — Ele soltou um suspiro angustiado. Procurei não interromper, apesar da vontade de fazer perguntas e Vinícius prosseguiu: — Começamos a suspeitar que o Diogo estava desviando dinheiro, fora outras questões preocupantes, como processos trabalhistas, funcionários insatisfeitos... — ele riu de leve, rolei os olhos porque a indireta foi para mim — Então precisei buscar ajuda psicológica para tomar as rédeas da minha vida e das livrarias que meu pai deixou, ainda que tardiamente porque minha mãe não queria mais se envolver nisso. Agora que consegui me reerguer, preciso lidar com os problemas que eu mesmo causei, graças a minha negligência. Não foi fácil e ainda não é, eu não me sinto qualificado para cuidar de tudo como meu pai fazia; enfim, são tantos problemas que eu tive essa ideia de aparecer como funcionário para ver onde estava a raiz do caos. Ficaria apenas alguns dias na filial de São Paulo pra ver como estava funcionando somente com o Arthur e a Paloma na administração e depois iria para a matriz. Onde eu sabia que teria mais dor de cabeça — continuou, em um tom de voz moderado. Mordi o lábio, querendo me aproximar dele. — Eu não esperava encontrar você e ainda menos me apaixonar. Isso só piorou tudo, porque eu já não conseguia raciocinar direito e comecei a perder o foco do que precisava fazer. Eu não queria mais procurar problemas ou me afastar da filial por sua causa, queria ficar por perto e te ajudar... Fiz tudo o que podia para melhorar as coisas pra você, ainda assim — esfregou os olhos, parecendo esgotado — Desculpe, eu pretendia sim te contar toda a verdade sobre mim. Mas depois que nos beijamos, um funcionário da matriz se machucou e não tive tempo de raciocinar sobre a gente porque estava atolado com questões burocráticas, audiências trabalhistas. O susto me fez perceber que estava sendo negligente outra vez — Suspirou — Eu definitivamente não queria conversar por mensagem, você estava brava comigo, não adiantaria nada — concluiu, esfregando a nuca de um jeito aflito e ansioso. — Eu entendo o que está passando, mas não sei se consigo esquecer o fato de ter me enganado, quando poderia ter dito a verdade desde o início. Podia ter confiado em mim e eu te ajudaria, eu seria sua amiga, Vinícius. Sinto muito que esteja passando por tudo isso e se precisar de ajuda eu vou estar com você, porque você me ajudou quando eu precisei, mas ainda me sinto usada e descartada. — Respirei fundo para organizar os pensamentos e não dizer nenhuma outra besteira. Vinícius não merecia tantas represálias, reconhecia que fui dura com ele. Inclusive, parte de mim queria abraçá-lo. — Ainda me sinto enganada e não sei quando essa sensação vai passar. Por que você se aproximou de mim, para início de conversa? — perguntei sem compreender. — Não fez sentido nenhum, havia tantos funcionários... — Vinícius me calou do nada com um beijo singelo, mas na boca. Fechei os olhos sem ter certeza se correspondia ou não. Contudo, percebi rapidamente que desejava sim corresponder e quando vi, uma das minhas mãos já estava em sua nuca. Eu o puxei para mais perto, aprofundando o beijo. — Você me encantou, Mariane — sussurrou nos meus lábios, os olhos ainda fechados, a respiração entrecortada — Tudo o que eu queria era passar meu tempo com você, ouvir sua voz, estar presente para o que precisasse. Sei que agi errado e não posso exigir que me desculpe, mas preciso deixar claro que não queria te usar. Não foi por isso que me aproximei, eu queria que ficasse bem, queria poder ajudar de alguma forma. Queria estar ao seu lado, mesmo que fosse como um amigo. Eu só... — Só? — incentivei. Minha respiração também estava acelerada, eu queria mais, muito mais. Vinícius encostou a testa na minha. — Desculpe, parece que estou sempre perdendo o controle perto de você — enrosquei os dedos em sua camiseta, desejando que ele ficasse comigo — Acho melhor eu ir embora, não quero extrapolar ainda mais os limites. Minha vida está toda bagunçada agora e não sei se eu seria um bom namorado no momento. Esse é o problema e foi por isso que eu também não queria te beijar naquela noite, apesar de desejar muito. Sinto que posso falhar novamente a qualquer momento com você e essa possibilidade me apavora. — Vinícius deixou um beijo demorado na minha testa — Você é preciosa demais, Mariane. Eu não queria ter te magoado, acredite em mim. Você merece o melhor, mas outras questões precisam ser resolvidas antes que eu possa me dedicar a alguém e não posso pedir que me espere... — Eu espero — sussurrei, sentindo meus olhos marejados, porque foi como uma despedida. Tentava assimilar tudo o que Vinícius falou, sentindo o coração aos pulos e a garganta seca. Eu podia assumir para mim mesma que não queria que ele fosse embora. Não depois de compreender seus motivos, de perceber que o Vinícius se importava comigo sim e que fui imatura ao ponto de nem permitir que se explicasse. — Eu quero ficar com você, Mari — iniciou hesitante. — Mas tenho medo de te envolver na minha bagunça e piorar as coisas... — Eu quero me envolver, nem sou mais funcionária da livraria, qual seria o problema? — perguntei, surpresa em dizer aquelas palavras, mas não exatamente arrependida. — Fica pra jantar, eu não sou a única com saudade de você. Ele fez menção de responder, mas seu telefone tocou. — Preciso atender — assenti, porque deveria ser importante. — Alô — Ele ouviu e foi ficando pálido até desligar a ligação. — Era do banco, meu primo fez um saque exorbitante... — Vinícius esfregou os olhos, parecendo exasperado — Preciso ir, desculpa, Mari. Levantei num rompante e o abracei pela cintura. — Tudo bem — falei para acalmá-lo — Se precisar de mim, estarei aqui — ele assentiu com os olhos verdes fixos em mim, sem seguida deixou um beijo na minha testa e saiu do quarto. Sem me dar chances de efetivamente pedir que continuasse comigo. Que pelo menos voltássemos a ser amigos como antes. Eu não pretendia ser um peso ou causar mais problemas. Só... sentia falta dele. Sentei na cama outra vez, desejando que pudéssemos recomeçar de verdade daqui um tempo. Eu não desistiria do Vinícius. (...) Sabrina se adaptava a morar comigo, no geral, ela não dava trabalho, afinal, saia bem cedo para a livraria e chegava só tarde da noite. Então nos finais de semana ela me ajudava na organização da casa e eu sentia-me feliz com uma companhia feminina além da Vanda. Nós estávamos nos dando bem para falar a verdade, Luan mesmo ficou super animado. Apesar de ficar a todo tempo perguntando sobre o Vinícius. Eu sentia tanta falta dele, mas compreendia sua situação, Vinícius tinha outras prioridades que não me incluía. Contudo, nossa última conversa me fez ter certeza dos meus sentimentos por ele. Eu gostava do Vinícius e sempre que ouvia uma buzina perto de casa, corria para a janela pensando que era ele. Em contrapartida, tentava não focar somente nas lembranças de nós dois juntos, porque apertava meu coração. Principalmente porque o trabalho no café estava ficando mais sério. E, apesar de ser perto de casa, ainda era um trabalho cansativo, assim como todos os outros que eu já tive. Entretanto, desta vez não ousaria reclamar de poder almoçar com o Luan todos os dias. Eu estava secando o cabelo, quando Sabrina surgiu na porta de banho tomado e pijama. — Toc toc — brincou. — Entra aí. — Chamei, indicando a cama. — Como foi seu dia? — Cansativo. — Ela se aboletou ao meu lado, desliguei o secador para poder ouvi-la melhor. — Estou fazendo o treinamento para supervisão com a Paloma e às vezes me bate um pânico. — Você vai se sair bem, tenho certeza — tentei motivá-la. — É que tem uma outra coisa que está acontecendo, mas acho melhor eu não falar nada. — Sabrina desviou o olhar, parecendo em dúvida se dividia comigo ou não. — Conta, somos amigas agora, não somos? — indaguei, cruzando as pernas para ficar mais à vontade. — Eu acho que estou gostando da Paloma — revelou, voltando a olhar para mim. — E isso é r**m? — perguntei, sem entender. — Depende, eu não sei se ela sente o mesmo. — Mordeu o lábio, parecendo incerta sobre continuar abrindo o coração. — Às vezes penso que sim, outras que estou viajando na maionese e tenho medo de estar confundindo tudo. Até porque a Paloma vai se mudar em breve... — Queria poder te dar um bom conselho, só que eu também sou péssima com relacionamentos. — Sabrina riu. — Mas acho que você deveria dizer o que sente, o máximo que pode acontecer é a Paloma não sentir o mesmo. Levando em conta que ela vai se mudar, se você não dizer nada pode ser ainda pior. Sabrina concordou com a cabeça. — Você tem razão, não é como se eu já não tivesse levado um fora na vida — tornou a dar risada — Obrigada por me ouvir, se eu soubesse que você era tão legal, tinha insistido em ser sua amiga antes. Foi minha vez de sorrir. — Não sou tão r**m quanto imaginam — fingi estar ofendida. Luan surgiu na porta alegando estar com fome e resolvemos pedir alguma coisa para entregar. (...) Era engraçado ser a confidente da Sabrina, ela sempre pedia para eu ajudá-la a interpretar qualquer atitude da Paloma. Contudo, eu não era boa em decifrar os sinais de sentimentos correspondidos. O que me impossibilitava de opinar com clareza se especificamente tal atitude da Paloma era apenas educação ou interesse amoroso. O treinamento com ela estava acabando e na próxima semana tudo indicava que a Paloma se mudaria. Sabrina estava uma pilha de nervos por não ter conseguido se declarar ou pelo menos ter certeza dos sentimentos da Paloma antes de tomar uma decisão. Eu tentava encorajá-la dizendo para não se pressionar muito, porque Fortaleza nem era tão longe. A internet resolvia tudo hoje em dia, certo? Sabrina poderia confessar por vídeo chamada. Ah, quem eu queria enganar? Eu era uma péssima conselheira amorosa. Mal conseguia lidar com meus próprios sentimentos! Naquela noite Sabrina chegou ainda mais nervosa do que o habitual, ela sempre contava sobre seus avanços com a Paloma. Eu ouvia atentamente e procurava dar meu parecer, levando em conta que Paloma era séria na maioria das vezes. Imaginava que as duas só teriam um avanço se Sabrina tomasse a dianteira. E, bom, acho que ela tomou: — O senhor Arthur pegou eu e a Pam se beijando embaixo das escadas da saída de emergência. Tô ferrada! — gritou, jogando a bolsa no sofá. — Vou ser demitida e a Pam também, o que eu fiz? Eu a beijei, ela disse que era melhor que fosse longe da livraria. Mas eu fiquei tão feliz em saber que ela me correspondia, que fui lá e a beijei bem na hora que o insuportável do Arthur passava! — Meu Deus. — Foi o que consegui dizer. — Vinícius estava lá? Ele sabe? — Não, provavelmente o senhor Arthur vai reportar o que aconteceu quando o Vinícius aparecer na loja e eu não sei de nada — Ela se jogou no sofá, segurando a cabeça — Ele está viajando ou algo assim, as coisas estão tensas na livraria. Acho que tem algo muito errado acontecendo. Mas enfim, provavelmente é isso o que vai acontecer. Ele é compreensível e tudo, mas ainda é o dono da livraria e eu tô ferrada! — Calma — pedi, indo até ela. — Está arrependida? — De jeito nenhum. — Sabrina abriu um sorriso enorme de felicidade, parecia estar nas nuvens. — A Pam me corresponde, caramba! Vamos tentar manter a relação à distância, não sei se vai ser bom ou não, mas eu consegui dizer o que sentia e não fui rejeitada. Eu deveria comemorar? — Estou feliz por você. — Abri um sorriso. — Agora vai tomar banho e desce para comer, depois a gente conversa melhor e sei lá, comemora que você desencalhou — brinquei. — Fechado! Quando fomos jantar, notei o quanto Sabrina estava ansiosa e ao mesmo tempo feliz. Talvez eu entendesse perfeitamente o tipo de sentimento, era o que eu senti quando comecei a me interessar pelo Vinícius. Euforia misturado com receio de tudo dar errado e eu acabar no olho da rua. Pelo menos antes de saber que a possibilidade de eu ser demitida ou não estava totalmente na mão do Vinícius. O cara, que, por sinal, eu reclamei do meu trabalho como se não houvesse amanhã. Agora não adiantava mais ficar envergonhada, eu nem sabia como o Vinícius se apaixonou por mim. Ele deveria ter me chutado da livraria e não me entregado seu coração. (...) No outro dia, Luan estava na casa da Vanda brincando com os filhos dela, devido às férias escolares de final de ano terem sido um pouco adiantadas, eles tinham bastante tempo livre e por isso Luan dormiria lá. Sabrina chegou naquela noite, já me contando o que aconteceu na livraria e a resolução do beijo que ela trocou com a Paloma embaixo das escadas de incêndio. — Vinícius disse que não vai demitir nenhuma de nós, porque seria hipocrisia. Já que ele mesmo teria te beijado se tivesse oportunidade — contou, com um sorrisinho sacana nos lábios. — Ele só pediu para sermos discretas enquanto estivermos na livraria e me desejou sorte. — Caramba, ele é realmente um cara legal. — Muito legal, Mari — confirmou. — É um partidão e gosta de você. — Não importa, nossa relação é esquisita e complicada. Eu não quero me iludir mais de que vamos nos acertar — informei, zapeando a Netflix. — Vocês se gostam, não vejo motivo para não ficarem juntos. — Nem sempre gostar é a solução de tudo — garanti, fingindo não me importar. — Na última vez que nos vimos, ele praticamente disse que não tá com cabeça para relacionamentos e... — Vocês são complicados mesmo, eu hein! — exclamou, largando a bolsa no sofá. — O que vamos assistir hoje? — Não sei. — Dei de ombros. — Não tem falado com seus pais? Ela suspirou. — Não, meu pai não tentou me procurar e eu estou deixando as coisas como estão. Esperando a poeira baixar ou algo do tipo — respondeu esquiva. — Mas já estou vendo um lugar perto da livraria, não quero mais te dar trabalho. — Você sabe que pode ficar o tempo que quiser, tá sendo bem mais legal com você aqui — afirmei, sendo sincera. — Obrigada, Mari. — Sabrina sorriu. — Você também é mais legal do que eu imaginava, vou sentir falta de você e do Luan. — Pode aparecer sempre que quiser, vai ser muito bem-vinda. Ela me abraçou de lado e foi tomar banho, em seguida decidimos assistir o filme Alerta vermelho comendo um balde enorme de pipoca doce.
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