Capítulo 6

1681 Words
É incrível o poder que nossas mães tem sobre nós,não sei se é pelo laço materno,ou se é porque as nossas vidas dependem dos nossos pais,eu não sei,eu gostaria de saber o porquê. Eu deixei ela entrar novamente,eu devia tê-la deixado a muito tempo,mas ela é minha mãe e eu torcia pelo melhor,sempre mantendo as minhas esperanças,mas hoje,depois do que aconteceu noite passada,a única coisa que quero é sair daqui o mais rápido possível. -Ai Chris,você me prometeu! Não posso cuidar de tudo em três dias - a voz de minha mae vinha da cozinha, ela e Christian parecem estar discutindo. Do que eles estão falando? Entro na cozinha e os encontro em lados opostos do balcão de cozinha. O silêncio se instalou com a minha presença. -Sou o elefante na sala? - questionei. - Não,não é,afinal nem tudo é sobre você Katherine - disse Clara, aparentemente jogando a raiva dela em mim. -Que bom que não é,na verdade eu gostaria que meu belo nome não fosse nunca mais mencionado por você,mas não posso ter tudo o que quero não é verdade? - olho para Christian e o seu olhar me transmite... compreensão? Quando ele olha para mim eu sinto como se eu fosse capaz de qualquer coisa,sem timidez,sem filtros,só a verdade nua e crua. -Então devo chamá-la de que? Praga? - ela falou e eu torcia para que ela estivesse brincando. - Me chame do que quiser, eu não me importo, - me importava e doia o desamor dela por mim - mas não é porque você me odeia que eu não vou me preocupar com você, mãe - deu um passo a frente e olhei de Christian para ela - , você não está tomando os seus remédios, e isso está te fazendo muito m*l. - Isso não te diz respeito, eu não preciso daquelas merdas, estou bem assim - ela gritou - estaria melhor se você não estivesse atrapalhando meus planos! Oi? O que é que eu tinha feito para ela? Mesmo com o que aconteceu na noite de ontem, ela não teria como saber. Talvez no final ela só queira se ver livre de mim. - Eu não fiz nada para você, não tenho culpa de sua doença, não tenho culpa de você ser tão fraca que não consegue se erguer sozinha - vomitei as palavras, estava irritada e dolorida. Cansada de ter que aturar os surtos dela. - Como se eu pudesse contar com você... - Clara, já chega - protestou Christian. Eu não queria nada além de sair daqui e só há um canto em que eu posso ser realmente eu,ser realmente feliz. Desde que nos mudamos para Portland e minha mãe passou a trabalhar em mais turnos,meu refúgio e lugar seguro se encontra na casa das minha melhores amigas. Ellen cuida de mim como uma filha e sinceramente eu sinto como se eu fosse e eu agradeço por Sarah não ter ciúmes da mãe,ela sempre sonhou em ter uma irmãzinha,seria eu a filha adotiva perfeita? -Eu não acredito que ela falou isso! - disse Sarah totalmente exaltada. -Eu acredito,de Clara eu espero coisa pior, você está bem Katy? Escutar isso não é nada fácil - perguntou Elen, com os olhos cheios de compaixão. -Estou bem, já estou acostumada - mordi o lábio inferior - , só tenho pena de Christian, ele vai casar com a bomba que ela é. Ah, eu queria tanto consegui forca-la a tomar os remédios, mas se eu chego muito perto é capaz de - meus dedos tocam instintivamente em minha cicatriz, o resultado de um queimadura de terceiro grau que minha mãe provocou - , não gosto de quem ela se torna sem os remédios. - Não é fácil querida - falou Elen. - Você gosta dela,ela é a sua mãe e mesmo você sabendo que ela não vale um penny,você ajudaria ela,então não é loucura ele gostar dela,sabe,tem caras que tem t***o por mulheres perturbadas! - Sarah nos arrancou gargalhadas. -Eu não sei...ele não merece ela, não desse jeito - suspirei. Ellen e Sarah se entreolharam e é possível notar a preocupação no rosto de Ellen e a animação no rosto de Sarah. -O que foi? - perguntei preocupada. -Você fez a cara! - Sarah disse animada. - Eu não fiz cara nenhuma - me defendi. -Ela tá dizendo a verdade Katy, você fez a cara do Paul Donavan, lembra quando era apaixonada por ele? Não me diga que está interessada no Christian?! Você sabe que é é errado,não sabe Katy? Ele vai ser seu padrasto! Engoli em seco. Não posso falar o que aconteceu ontem a noite ou de qualquer que seja nosso envolvimento, não podia,elas não entenderiam e isso prejudicaria a nós dois. -Ha mãe isso não é o fim do mundo! E outra,só é errado se rolar algo entre eles,afinal ele é comprometido - Sarah falou. Merda, aonde foi que eu me meti? -Nao estou gostando nem um pouco desse seu pensamento srta.Sarah! - Sarah da de ombros e Ellen me dá atenção. - Você sabe que pode confiar na gente,não sabe? -Eu vou apoia-la no que você decide amiga - falou Sarah. -Hum, eu só me preocupo, não é nada de mais - dei de ombros. -Eu te conheço desde quando você tinha 12 anos de idade Katy,eu sei quando você está mentindo - disse Sarah. -Deixa ela,quando ela quiser confessar estaremos aqui - falou Elen se levantando do chão - Estão com fome? Querem que eu prepare algo? -Eu posso preparar? Cozinhar é tipo terapia para mim, e eu tô precisando. -A casa é sua, criança. Eu gosto de cozinhar,de preparar tudo em minhas mãos,senti as texturas e os diferentes sabores. Eu preparei purê de batata com queijo mussarela,bife ao molho de vinho tinto e manteiga, e uma salada de legumes que foram inicialmente cozinhadas ao vapor e depois seladas no azeite. Limpei a bancada e lavei a louça afinal,todos nós temos que ter responsabilidades e a bagunça era minha. - Nossa,está muito bom! Tinha esquecido que minha amiga vai ser uma grande chefe - falou Sarah entre garfadas. -Nao foi tão complicado de fazer,as vezes eu sinto necessidade de me arriscar e preparar pratos mais difíceis e complicados, mas esse aqui é bem simples - comentei. -Esse purê está divino! Você diz que não foi complicado mas eu segui a sua receita e ficou um caos! Deve ser um dom esse seu talento,porque pra mim preparar tudo isso é quase uma missão impossível - falou Elen e eu não pude não sorri. -É só treinar,teve um tempo que eu vivia de purê de batata e frango frito,estava viciada - sacudi minha cabeça, não queria me lembrar dos quilos que ganhei. -Antes em comida do que em outras substâncias,não é Sarah? - questionou Elen. Elen é do tipo que é mais amiga do que mãe,ela cuida mas se diverte junto e isso é muito legal. Passar um tempo com elas é divertido e um chá de calmante para mim. -Sarah, você já pensou sobre morar sozinha? Você disse que estava pensando em se mudar para perto da faculdade. - comentei. -Eu estava sim,até fui olhar uns apartamentos mas fogem do nosso orçamento,então estamos vendo a possibilidade de eu ficar no dormitório - ela falou enquanto folheava a revista. -E se você dividisse o apartamento?Eu tô querendo sair de casa e tenho uma boa economia e mais a herança do meu pai - ela levantou os olhos para mim, radiantes e felizes. -Isso seria incrível! Eu não acredito que vai dar certo! Sarah ficou super animada,mas Ellen não gosta da ideia de ficar longe da filha. -Pelo menos ela vai ter você,para cuidar dela - Elen suspirou. -Nao vamos embora, tia Elen,só vamos morar em outro lugar - eu não sabia se ajudava,mas tentei. -Mesmo assim,vou me sentir abandonada - ele suspirou. Sarah e eu pulamos em Elen para um abraço em grupo. E a tarde se seguiu assim,entre risadas e planos para o nosso apê compartilhado. Infelizmente,a má filha a casa retorna. Mas,onde estão as nossas coisas? A casa está vazia, exceto pelos móveis - sofá e estantes - que não eram nossos e sim do proprietário. -Christian? Clara? Vou a cozinha, talvez eles estivessem jantando,mas não,estou sozinha nessa casa fria. Em cima do balcão encontro um post-it amarelo onde está escrito: "Katy, o caminhão chegou mas você não estava aqui,estamos na minha casa,me ligue assim que ver este bilhete. Christian." Atrás do post-it o número de Christian está anotado.Pego o meu celular e disco ele. -Alo? - a voz de Christian soa pelo telefone. -Oi,sou eu a Katy. - Você está bem? -Sim,passei uma manhã agradável. Mas enfim,me manda o endereço da sua casa,eu pego um Uber. -Você está em casa?Ou ainda na Sarah? -Em casa, Cristian. -Vou pedir pro meu motorista ir pegá-la. Motorista? -Ta,tudo bem eu acho, até mais. Eu encerrei a ligação. E em menos de um minuto meu celular apita. "Ainda não tinha terminado de falar com você." - desconhecido. Adiciono o número de Christian aos meus contatos como Sr.Mandão. "Estou aqui,pode dizer." "Sua mãe piorou,acho que a mudança não fez bem para ela." Eu me importo?Eu devo me importar? "O que você quer que eu faça? Ela é impossível." "Katy,eu não consigo imaginar o que você passou esses anos todos com ela mas precisamos fazer algo,estou preocupado,ela não está bem! " Óbvio que ele se importa.Ele gosta dela de verdade? Pra casar ele só pode...ama-la. Ele a ama. E eu sou apenas uma caixinha bonita que ele encontrou e vai guardar para mais tarde. "Você é o marido Christian,eu não aguento mais viver assim, só vou ficar com vocês por enquanto que Sarah e eu organizamos a mudança. Faça o que acha melhor. " Eu não quero mais falar com ele,estou com raiva e sinto em meu íntimo que irei sufocar e engasgar com tamanha raiva. Eu só quero fugir! Não quero vê-lo e não quero estar no mesmo lugar que Clara Cooper. O carro chegou e o motorista se pôs para fora. Adeus casa,adeus Katherine Cooper.
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