CAPÍTULO 20 — O ACORDO
Larissa
O clima dentro daquele escritório estava sufocante. O corpo do Rafael estava perto demais desde que eu mostrei o rombo na pasta.
Eu mantive o queixo erguido, mas minhas pernas imploravam pra vazar dali.
— Isso aqui que eu achei muda o acordo? — soltei áspera, tentando disfarçar o pavor.
Rafael deu um passo curto, cara fechada, olhar preso no meu rosto.
Rafael: — Você achava que eu ia deixar qualquer uma mexer nisso aqui? Por isso você tá aqui, Larissa. Porque minha palavra na quebrada vale ouro e alguém tá brincando com meus números pelas minhas costas.
— Então por que não me mandou embora quando eu bati na tua mesa no outro dia? — retruquei.
Um canto da boca dele entortou.
Rafael: — Porque eu respeito quem tem disposição. E porque disposição com mente boa pra números é raro. a dívida da tua irmã com a Vila Nova já tão quitados comigo. Agora você trabalha pra mim. Não pra pagar em dinheiro vivo. Pra organizar.
Franzi a testa.
— Organizar o quê?
Rafael cruzou os braços.
Rafael: — A associação. Cadastro de comércios, recibos, controle da comunidade. Ninguém de confiança botava a mão. Agora é você.
— Você tá maluco?! Eu trampo na confecção o dia inteiro no Bom Retiro, viro a noite cuidando da minha mãe na casa dela, e ainda tenho que virar tua contadora aqui?
Rafael não recuou.
Rafael: — A polícia não sobe aqui sem a gente saber, e tua mãe tá com paz na casa dela justamente porque você tá aqui. Essa é a fita, Larissa. Você já aceitou. De segunda a sexta, desceu da confecção, passa direto aqui.
Silêncio pesou. Ele tinha me encurralado desde o dia que mandou o Leão me levar de volta pra casa da minha mãe.
— Tá bom... acordo fechado — sussurrei com ódio. — Mas se encostar na minha mãe...
Rafael sorriu lento, perigoso.
Rafael: — Fechado. Amanhã às sete te quero aqui de novo. E isso que você achou...
Ele fechou a pasta com o rombo.
Rafael: — Fica entre eu e você. Ninguém encosta além de você agora.