capítulo 18

549 Words
CAPÍTULO 18 — A SUBIDA Larissa. Eu não subi a ladeira. Eu já tava lá em cima. Na casa dele. Eu tava de toalha no banheiro da casa do Rafael, cabelo molhado, ouvindo o barraco lá na porta. Bia. Minha irmã , fiel que nunca foi fiel de ninguém, tinha subido virada do baile da Vila Nova, shortinho cortando a b***a, cheirada, gritando. Bia: — LARISSA! Desce daí agora! Tu é minha irmã! Tu não pode ficar na casa do Patrão! O Rafael é meu! Eu que fico com ele, não tu, sua santa de merda que costura no Bom Retiro! Minha mão tremia dentro da toalha. Coração disparou parecendo que ia escapar pela boca. Lá fora, Leão tentando segurar ela. Leão: — Calma, guria. Tu tá drogada, tu não tá pensando. Bia: — Calma o c*****o! Ele riscou meu nome da caderneta! Escreveu LARISSA! Minha irmã que nunca deu pra ninguém agora tá dando pro dono do morro pra pagar meus 80 mil? Eu que devo 80 mil! Eu! Eu fechei a porta do banheiro e chorei baixo. Não de tristeza. De vergonha. Porque era verdade. Eu tava na casa do homem que minha irmã queria. Foi quando a porta da casa abriu. Vento frio da madrugada entrou. Não era o Leão. Era o Rafael. Ele tinha subido do escritório. Tava de boné baixo, cordão de ouro, cheiro de cigarro e perfume caro invadindo tudo. Ele olhou pra mim de toalha no banheiro. Depois olhou pra porta onde a Bia gritava lá fora. Rafael, frio, pra Leão: Rafael: — Traz ela pra dentro. Agora. Leão puxou a Bia pelo braço pra dentro da sala. Bia entrou cambaleando, olho vermelho, maquiagem borrada do baile. Bia viu eu de toalha. E pirou de vez. Bia: — Viu? Viu o que tu fez, Larissa? Tu se vendeu! Tu se vendeu por 80 mil! Eu engoli em seco, pernas tremendo, tentando juntar restinho de dignidade que me sobrava. Rafael se colocou na minha frente. Na frente da minha toalha. Me tampando com o corpo dele. Dono de tudo ali. Rafael pra Bia, com voz baixa que cortava: Rafael: — Quando eu não quero, eu não quero. Quando eu quero, eu tomo. E eu não tomei você, Bia. Eu tentei te dar chance, tu estourou 80 mil em droga fiada, perdeu mercadoria por irresponsabilidade, fez tua mãe ter pressão alta e fez tua irmã de dezenove anos se matar na confecção do Bom Retiro e fazer bico na 25 de Março. Você não é fiel. Você é caloteira. Bia chorando, soluçando. Rafael continuou, olhando pra mim por cima do ombro: Rafael: — Agora quem deve pra mim é ela. E ela paga sendo minha. Minha contadora. Minha e de mais ninguém. E minha mulher dormindo na minha casa, não dividindo marmita fria no chão da confecção. Ele pegou minha mão molhada do banho e puxou pra perto dele, na frente da minha irmã. Rafael: — Entra no quarto, Larissa. Se veste. Essa conversa aqui não é mais tua. É minha com tua irmã. E eu entrei no quarto dele. Na cova do leão. Mas dessa vez com a chave dele na minha mão. NOTA DA AUTORA Barraco de irmãs na casa do Patrão! Rafael defendendo a Lari de toalha! Quem tá Team Lari?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD