CAPÍTULO 11 — O CORRE NÃO PARA Leão. A neblina da madrugada descia pelas encostas do morro, misturada com cheiro de esgoto a céu aberto, poeira e resto de cerveja derramada na praça. O baile tinha acabado de minguar, paredões desligados e caixas empilhadas nas carroças, mas a favela nunca dormia de verdade. Pra quem era da Boca, o fim da festa era só começo de outro turno. Eu tava encostado na mureta da biqueira principal, limpando unha com ponta de canivete, enquanto movimento na viela continuava constante. Não era morador. Era clientela do asfalto que aproveitava madrugada pra subir. Carros importados com vidro fumê abaixado desciam devagar pelas ladeiras estreitas, ou motos de alta cilindrada cortavam silêncio da madrugada. Playboys de condomínio, filhinhos de papai e patricinhas q

