CAPÍTULO 2 -
Meu nome é Rafael. 28 anos. Dono da Boca da DZ7.
Bonito de um jeito que dá trabalho, minha mãe falava antes de morrer de câncer quando eu tinha 16. Fiquei com 3 irmãos pra criar. Aprendi no morro: homem que fala demais se entrega, traição não se perdoa. Mulher pra mim é simples, sem promessa, sem beijo na boca. Beijo prende e eu não me prendo.
Até ontem.
Leão entrou na Boca:
"Você dormiu?"
"Dormi."
"Mentira. Tá com cara de quem não dormiu por causa da irmã da Bia drogada."
Bia. 21 anos, drogada, deve 80 mil porque vendeu na Vila Nova. E a irmã dela, Larissa, costureira do Bom Retiro, loiro-escuro, olhos verdes, boca carnuda, bonita na medida, veio sozinha ontem pedir 30 dias.
Com pavor de mim, mas me olhando no olho. Ninguém me olha no olho.
Leão: "Ela já tá lá fora de novo. Chegou cedo."
Ela voltou. Hoje. Primeiro dia dos 30.
Mandei entrar.
Mesma roupa simples de ontem, cabelo preso de qualquer jeito. Cheiro de sabonete barato. Tremendo.
Larissa: "Vim começar a pagar. Você falou que é todo dia depois do asfalto."
Sentei ela na mesa pra contar dinheiro. Ela abaixada contando, eu olhando pra boca dela. Pra nuca dela. Pro jeito que ela trava quando eu chego perto.
Rafael: "Você é virgem?"
Ela travou. Ficou vermelha.
Larissa: "Que pergunta é essa?"
Levantei, tranquei a porta da Boca. Cheguei perto dela, quase na boca dela. Eu não beijo na boca, é minha regra. Mas com ela eu quis quebrar na primeira vez que vi.
Rafael: "Porque você acabou de se vender por 80 mil da sua irmã drogada. De dia costureira no asfalto, de noite minha contadora aqui na Boca. Todo dia. E você não vai pagar com dinheiro. Vai pagar sendo minha. Minha e de mais ninguém. Nem a Vila Nova encosta."
Ela saiu correndo, com pavor. Com aquele pavor que me deixa sádico.
Leão tava na porta rindo: "Interessante."
Rafael: "Fica de olho na Bia. E nela. Principalmente nela."
Fiquei sozinho. Olhei pra porta por onde a costureira sumiu.
Trinta dias. Era pra ser só uma dívida da irmã drogada dela.
Mas dentro de mim já tava gritando:
Minha. Vai ser minha e de mais ninguém.
NOTA DA AUTORA
Meninas, o Rafael já obcecado
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