📖 PODER SEM DONO
Capítulo 8 — A Estrela da Casa da Lua Rubra
Os dias passaram. A Casa da Lua Rubra prosperava — e o motivo era ela.
Veyra não era como as outras. Não era apenas bonita. Era deslumbrante. Um rosto que parecia esculpido por anjos, um corpo cheio, quente e perfeito — algo que ninguém conseguia parar de olhar. Logo, Liora lhe ofereceu um lugar mais alto: não apenas servir mesas, mas dançar e acompanhar os clientes que pagassem o suficiente.
E Veyra aceitou. Precisava de dinheiro. De independência. De não depender de ninguém — especialmente dele.
Mas havia uma regra clara, fixada por Liora e confirmada por Veyra: o preço era altíssimo. Absurdo. Uma fortuna.
— Para passar uma noite com você — disse Liora, contando nos dedos — custa todo o salário de um capitão do exército, inteiro, por mês. E mesmo assim, não inclui tudo. Só para tê-lo ao seu lado, para conversar, para te ver dançar e te servir... já custa mais do que a maioria dos homens ganha em meio ano.
Veyra não hesitou.
— Que seja. Se não podem pagar, que não venham.
E o resultado foi o oposto do que esperavam. Ficou ainda mais procurada.
A fama espalhou-se rápido. Em toda a cidade, falava-se da Súcubo de Ouro — a mulher mais bela e mais cara que existia. Os mais ricos, os nobres, os mercadores poderosos e os oficiais de alta patente começaram a aparecer. Todos queriam dizê-lo: "Eu paguei para estar com Veyra."
A Casa da Lua Rubra encheu. Todas as noites, lotada. Homens esperavam horas só para vê-la passar, só para ouvi-la falar, só para ter o privilégio de pagar por um momento ao lado dela.
🌙 A Dança — O Espetáculo
Quando Veyra subia ao palco pequeno no centro do salão, tudo parava. As conversas morriam. Os copos paravam no ar. Todos os olhos estavam nela — e apenas nela.
Ela dançava com uma graça natural, antiga, como se tivesse nascido para isso. Os movimentos lentos, sensuais, cada curva do corpo realçada pela luz suave das lâmpadas. O cabelo brilhante caía-lhe sobre os ombros. Os olhos — profundos e luminosos — percorriam a plateia sem fixar-se em ninguém.
E quando a música parava, o silêncio durava segundos, e então explodia em aplausos e exclamações. Ninguém se importava com o preço. Para eles, ver Veyra já valia mais do que qualquer ouro.
💰 O Preço — Inacessível
— Quero passar a noite com ela — disse um mercador rico, jogando uma bolsa de moedas sobre o balcão.
Liora sorriu, sem sequer tocar no dinheiro.
— Não chega. O preço é todo o salário de um capitão, de um mês inteiro, só para ela te servir e conversar. Para dormir com ela... é o triplo disso.
O homem engoliu em seco.
— O triplo?!
— Exato — respondeu Veyra, que passava por ali. — E se não tens, não te humilhes pedindo. Eu não sou barata. E nunca serei.
A resposta espalhou-se ainda mais. Ela era cara. Intocável. Exclusiva. E isso a tornava ainda mais desejada.
Diziam que para dormir com Veyra, um homem teria que vender terras, cavalos e armas. Que até generais hesitariam antes de pagar. E mesmo assim... a lista de espera crescia a cada dia.
🔥 A Atração Principal
A Casa da Lua Rubra transformou-se completamente. Antes era apenas uma casa de entretenimento comum. Agora? Era o lugar onde se ia para ver Veyra.
As outras garotas também tinham clientes, mas a maioria vinha por ela. Vinham para admirá-la, para ouvi-la falar com aquela voz doce e firme, para sentir o cheiro doce que deixava no ar quando passava. Pouquíssimos conseguiam pagar para tê-la só para si. E ninguém — absolutamente ninguém — conseguia pagar para levá-la para a cama. O preço era tão alto que era quase impossível.
E Veyra? Caminhava entre as mesas com a cabeça erguida. O corpo que um dia considerara uma maldição... agora era o seu poder. Cada olhar que recebia era prova de que era valiosa. Cada moeda que ganhava era independência.
— Ninguém me possui — murmurou para si mesma, certa noite, olhando para a multidão que a observava com d****o. — Nem ele. Nem qualquer outro. Eu sou minha.
E lá fora, nas sombras, Kaelen observava. Viu todos aqueles homens olhando para ela com cobiça. Viu o quanto ela valia — mais do que ouro, mais do que reinos. E sentiu algo que nunca sentira antes: ciúme. E uma certeza fria no peito: ela não é mais minha. Mas também não será de mais ninguém.