O beijo deles naquela madrugada foi diferente. Não era de desejo. Era de sobrevivência. Era como se, através dos lábios, dissessem tudo o que as palavras não conseguiam. Bruna subiu as mãos pelo pescoço dele, se agarrando como se o mundo inteiro pudesse desabar ao redor — e, ainda assim, ela não o soltaria. Rodriguinho respondeu com intensidade, explorando cada detalhe dela, como se quisesse decorar a sensação para sempre. Ali, no escuro, entre a morte rondando e o medo pulsando, eles se amaram. Sem pressa e máscaras. Só eles dois, contra tudo. Depois, exaustos, se deitaram lado a lado. Bruna apoiou a cabeça no peito dele, ouvindo as batidas fortes do coração. Era o som mais reconfortante que já escutara. Rodriguinho acariciava distraidamente os fios molhados do cabelo dela. Não

