A chuva castigava o asfalto do Vidigal como se o céu tivesse decidido lavar o sangue derramado nas últimas semanas. Bruna observava a água escorrer pela janela da casa simples onde estava escondida. Os pingos batiam no vidro com força, quase no mesmo ritmo do seu coração. O som era sufocante, abafando os próprios pensamentos. Era como se o mundo lá fora estivesse desmoronando – e talvez estivesse mesmo. Rodriguinho estava sumido desde a última operação da PM. Não havia notícias concretas, apenas boatos: que ele tinha sido preso, que havia fugido para o Complexo do Alemão, que estava morto, que tinha sido entregue por algum aliado. Bruna ouvia tudo, calada. Cada nova versão da história dilacerava um pouco mais a esperança que ela tentava manter viva. Ela não conseguia voltar pra casa. Dep

