É onde o coração bate mais forte que o medo. Bruna arrisca tudo pra ver R.P. mais uma vez. Pode ser cilada, pode ser salvação. Mas o amor deles nunca foi feito de certezas — só de intensidade.
19h27 – Zona Sul do Rio, orla de Ipanema
Bruna chega sozinha. Cabelo solto, blusa preta, óculos escuros.
Respiração pesada. Olhos atentos.
No celular: uma mensagem anônima.
“Posto 9. Banco de pedra. 19h30. Se ama, aparece. Se teme, foge.”
Ela olha pro céu laranja queimado. O mesmo céu de quando se beijaram pela primeira vez, naquela mesma praia.
O mesmo lugar onde ele prometeu:
“Se um dia a vida separar a gente, eu volto como vento, mar ou bala... mas volto.”
Ela senta no banco de pedra. Sozinha. O coração é uma bomba-relógio.
De longe, alguém observa. Capuz preto. Barba por fazer. Olhar firme.
R.P.
Ele sente o sangue esquentar ao ver ela ali.
Linda, corajosa, perigosa.
Mas não pode se aproximar ainda.
— "É ela mesmo, chefe." — diz Nanda no ponto eletrônico.
— "Tá sozinha."
Mas alguém mais tá de olho.
Do outro lado da rua, dentro de um carro disfarçado…
Coronel Álvaro.
— "Vamos ver até onde ela vai por esse marginal."
Bruna mexe no celular. Nova mensagem chega:
“Levanta e segue em frente. Quando chegar no quiosque do Zé, vira pra direita. Só vai.”
Ela obedece.
Cada passo é um misto de medo e esperança.
Atrás de um muro grafitado, ele espera.
Quando ela dobra a esquina…
Os olhos deles se cruzam.
Silêncio.
Mundo inteiro desaparece.
Bruna corre.
Ele a segura com força.
Abraço sufocado.
Beijo quente, desesperado.
— "Tu tá vivo..."
— "Vivo porque tu me chamou de volta."
— "Por que você sumiu?"
— "Tava tentando ficar vivo. E deixar você viva também."
— "Eu morri mil vezes sem você."
— "E eu matei metade de mim pra te proteger."
Lágrimas. Toque. Beijo. Medo.
Mas do outro lado, no rádio do Coronel:
"Confirmado. Eles se encontraram. A gente tem visual."
Última cena:
Coronel Álvaro saca a arma do coldre.
— "É agora. Vou acabar com esse amor na bala."
Enquanto isso, Bruna e R.P. se abraçam forte. Sem saber que o próximo segundo pode ser o último.
A mira tá pronta. A bala engatilhada. Mas o amor de Bruna e R.P. é um escudo que desafia até o próprio sangue. Quando o coração do pai entra em conflito com o uniforme… o morro, o asfalto e o céu param pra assistir.
19h38 – Ipanema, atrás do quiosque do Zé
Bruna e R.P. ainda se abraçam.
Ela sente o cheiro dele. O suor. A vida.
A respiração ainda falha. O ferimento recente ainda queima. Mas ele tá ali. De pé.
— "Tu é mais forte que bala, sabia?" — ela sussurra.
— "E tu é mais perigosa que o morro todo. Me fez perder o juízo..."
No carro do outro lado da rua, Coronel Álvaro observa.
Binóculo nos olhos. Arma em cima do colo.
— "Confirma o tiro, senhor?"
Ele respira fundo.
A mão treme.
Ele vê Bruna sorrindo. Encostada no peito de R.P.
Protegida. Feliz. Entregue.
— "Ela tá diferente."
— "Ordem, senhor?"
— "Se eu atirar... eu mato meu próprio coração."
Mas antes que ele decida, uma moto se aproxima de R.P. e Bruna.
Paulinho Bala e Nanda.
— "Chefe, vamo! A PM tá na área. Tão vindo pesado."
R.P. encara Bruna.
— "Tu confia em mim?"
— "Até de olhos fechados."
— "Então sobe."
Ela sobe na garupa da moto. Ele na frente.
Tiro ecoa.
PAH!
Errou. Mas o aviso foi dado.
— "Eles tão atirando!" — grita Nanda.
Começa a perseguição.
Moto rasga a praia. Turistas gritam. PMs saem dos carros.
Bruna grita de medo e adrenalina.
— "Se a gente morrer... morre junto!"
R.P. acelera.
— "Hoje não, amor. Hoje a gente foge!"
Tiro acerta o retrovisor. Outro passa raspando o guidão.
Eles somem pelas ruas do Arpoador.
Coronel Álvaro desce do carro, furioso.
— "Eu vou pegar esse desgraçado nem que seja no inferno. Mas agora… ela entrou na guerra."
Última cena:
A moto some pela cidade.
Bruna segura R.P. forte, a cabeça no ombro dele.
— "Tu me salvou."
— "Não. Tu que me deu motivo pra viver."
Bruna e R.P. conseguem escapar, mas o esconderijo vira uma prisão emocional. Lá fora, a polícia fecha o cerco. Lá dentro, os segredos começam a pesar. O amor resiste… mas será que aguenta?
22h12 – Santa Teresa, barraco antigo no alto do morro
O lugar é pequeno, escondido, úmido.
Só um colchão no chão, uma pia velha, um rádio quebrado e uma janela com vista pro caos.
R.P. joga álcool no ferimento da costela e geme baixo.
Bruna ajuda a estancar o sangue com um pano limpo.
— "Isso aqui parece cena de filme, mas é real demais."
— "Filme de terror ou romance proibido?"
— "Os dois." — ela sorri fraco.
Ele olha nos olhos dela.
— "Tu devia tá longe de mim, Bruna."
— "E você devia tá morto. Mas aqui estamos. Vivendo errado do jeito mais certo."
Ela encosta a testa na dele. Os dois suados, cansados, mas vivos.
Enquanto isso, no QG da PMERJ...
Coronel Álvaro gira o copo de uísque na mão.
— "Interceptaram sinal de celular naquela área. Já sabem que tão em Santa Teresa."
Capitão Maurício entra.
— "Quer que a gente entre com caveirão?"
— "Não. Ainda não. Vamos deixar eles acharem que tão seguros. A armadilha vai ser no tempo certo."
De volta ao barraco...
Bruna mexe no celular novo. Zero sinal.
— "Tu confia mesmo nessa Nanda?"
— "Ela salvou minha vida três vezes. Mas confio mesmo é em tu."
Ela deita no colchão. Ele deita do lado. Um silêncio carregado.
Bruna quebra o clima:
— "Se teu mundo for só fuga, a gente nunca vai viver. Só sobreviver."
— "Então vamo mudar esse mundo, p***a. Me ajuda a sair dele."
Ela encara ele.
— "Tu tá disposto a largar o morro, R.P.?"
— "Pela primeira vez na vida... eu tô com medo de perder alguém. E isso vale mais que qualquer morro, qualquer poder."
Lá fora, no beco estreito, uma sombra se move.
Alguém os observa. De longe.
Última cena:
Bruna e R.P. dormem abraçados.
Mas na esquina, um rádio de mão chia:
— "Confirmado. Os dois estão no barraco da viela 17. Ordem é aguardar reforço."
A paz deles tem hora pra acabar.
Quando o amor é encurralado, cada batida do coração vira um grito de sobrevivência. A madrugada em Santa Teresa vai tremer com o som de botas, tiros... e promessas que talvez não se cumpram.
03h14 da manhã – Viela 17, Santa Teresa
Bruna acorda com um estalo seco.
Barulho de rádio. Passos.
Ela cutuca R.P., que dorme de roupa, com a pistola do lado.
— "Acorda. Tem gente lá fora."
Ele levanta num pulo. Vai até a janelinha e olha rápido.
— "Fudeu. Caveirão na entrada da ladeira. PM cercando pelos becos."
— "Eles vieram pra te matar?"
— "Vieram pra levar nós dois. Ou só um. Ou nenhum."
Ele pega uma mochila escondida no piso falso. Dentro: dinheiro, passaporte falso,
dois celulares, munição e uma foto dos dois na praia.
— "Se me pegarem, tu corre. Não olha pra trás."
— "Não vou te deixar!"
— "Bruna..."
Ele segura o rosto dela com as duas mãos.
— "Eu prefiro morrer do que ver tu sendo presa por minha causa."
Lá fora, o sargento dá o sinal.
— "Na contagem de três, invade."
01... 02... 03...
BUM!
Porta arrebenta. Gás lacrimogêneo entra primeiro.
R.P. puxa Bruna pela mão, fogem pelos fundos.
Mas do outro lado da viela... o cerco se fecha.
PMs com armas apontadas.
— "PARADO! LARGA A ARMA!"
R.P. levanta as mãos.
Bruna entra na frente.
— "NÃO ATIRA! ELE TÁ RENDIDO!"
No rádio da PM, a voz do Coronel Álvaro:
— "Alvo rendido. A filha está junto. Não disparem... ainda."
Bruna encara os policiais.
— "Se vocês levarem ele, me levem junto."
Última cena:
R.P. de joelhos. Mãos na cabeça.
Bruna ajoelhada ao lado dele.
E de longe… o Coronel observa, encostado num carro preto.
Sem farda. Só dor no olhar.
— "Ela escolheu o lado errado..."
Ou será que o errado é o mundo que não aceita o amor dos dois?