ATÉ ONDE VAI ESSE AMOR

1394 Words
É onde o coração bate mais forte que o medo. Bruna arrisca tudo pra ver R.P. mais uma vez. Pode ser cilada, pode ser salvação. Mas o amor deles nunca foi feito de certezas — só de intensidade. 19h27 – Zona Sul do Rio, orla de Ipanema Bruna chega sozinha. Cabelo solto, blusa preta, óculos escuros. Respiração pesada. Olhos atentos. No celular: uma mensagem anônima. “Posto 9. Banco de pedra. 19h30. Se ama, aparece. Se teme, foge.” Ela olha pro céu laranja queimado. O mesmo céu de quando se beijaram pela primeira vez, naquela mesma praia. O mesmo lugar onde ele prometeu: “Se um dia a vida separar a gente, eu volto como vento, mar ou bala... mas volto.” Ela senta no banco de pedra. Sozinha. O coração é uma bomba-relógio. De longe, alguém observa. Capuz preto. Barba por fazer. Olhar firme. R.P. Ele sente o sangue esquentar ao ver ela ali. Linda, corajosa, perigosa. Mas não pode se aproximar ainda. — "É ela mesmo, chefe." — diz Nanda no ponto eletrônico. — "Tá sozinha." Mas alguém mais tá de olho. Do outro lado da rua, dentro de um carro disfarçado… Coronel Álvaro. — "Vamos ver até onde ela vai por esse marginal." Bruna mexe no celular. Nova mensagem chega: “Levanta e segue em frente. Quando chegar no quiosque do Zé, vira pra direita. Só vai.” Ela obedece. Cada passo é um misto de medo e esperança. Atrás de um muro grafitado, ele espera. Quando ela dobra a esquina… Os olhos deles se cruzam. Silêncio. Mundo inteiro desaparece. Bruna corre. Ele a segura com força. Abraço sufocado. Beijo quente, desesperado. — "Tu tá vivo..." — "Vivo porque tu me chamou de volta." — "Por que você sumiu?" — "Tava tentando ficar vivo. E deixar você viva também." — "Eu morri mil vezes sem você." — "E eu matei metade de mim pra te proteger." Lágrimas. Toque. Beijo. Medo. Mas do outro lado, no rádio do Coronel: "Confirmado. Eles se encontraram. A gente tem visual." Última cena: Coronel Álvaro saca a arma do coldre. — "É agora. Vou acabar com esse amor na bala." Enquanto isso, Bruna e R.P. se abraçam forte. Sem saber que o próximo segundo pode ser o último. A mira tá pronta. A bala engatilhada. Mas o amor de Bruna e R.P. é um escudo que desafia até o próprio sangue. Quando o coração do pai entra em conflito com o uniforme… o morro, o asfalto e o céu param pra assistir. 19h38 – Ipanema, atrás do quiosque do Zé Bruna e R.P. ainda se abraçam. Ela sente o cheiro dele. O suor. A vida. A respiração ainda falha. O ferimento recente ainda queima. Mas ele tá ali. De pé. — "Tu é mais forte que bala, sabia?" — ela sussurra. — "E tu é mais perigosa que o morro todo. Me fez perder o juízo..." No carro do outro lado da rua, Coronel Álvaro observa. Binóculo nos olhos. Arma em cima do colo. — "Confirma o tiro, senhor?" Ele respira fundo. A mão treme. Ele vê Bruna sorrindo. Encostada no peito de R.P. Protegida. Feliz. Entregue. — "Ela tá diferente." — "Ordem, senhor?" — "Se eu atirar... eu mato meu próprio coração." Mas antes que ele decida, uma moto se aproxima de R.P. e Bruna. Paulinho Bala e Nanda. — "Chefe, vamo! A PM tá na área. Tão vindo pesado." R.P. encara Bruna. — "Tu confia em mim?" — "Até de olhos fechados." — "Então sobe." Ela sobe na garupa da moto. Ele na frente. Tiro ecoa. PAH! Errou. Mas o aviso foi dado. — "Eles tão atirando!" — grita Nanda. Começa a perseguição. Moto rasga a praia. Turistas gritam. PMs saem dos carros. Bruna grita de medo e adrenalina. — "Se a gente morrer... morre junto!" R.P. acelera. — "Hoje não, amor. Hoje a gente foge!" Tiro acerta o retrovisor. Outro passa raspando o guidão. Eles somem pelas ruas do Arpoador. Coronel Álvaro desce do carro, furioso. — "Eu vou pegar esse desgraçado nem que seja no inferno. Mas agora… ela entrou na guerra." Última cena: A moto some pela cidade. Bruna segura R.P. forte, a cabeça no ombro dele. — "Tu me salvou."  — "Não. Tu que me deu motivo pra viver." Bruna e R.P. conseguem escapar, mas o esconderijo vira uma prisão emocional. Lá fora, a polícia fecha o cerco. Lá dentro, os segredos começam a pesar. O amor resiste… mas será que aguenta? 22h12 – Santa Teresa, barraco antigo no alto do morro O lugar é pequeno, escondido, úmido. Só um colchão no chão, uma pia velha, um rádio quebrado e uma janela com vista pro caos. R.P. joga álcool no ferimento da costela e geme baixo. Bruna ajuda a estancar o sangue com um pano limpo. — "Isso aqui parece cena de filme, mas é real demais." — "Filme de terror ou romance proibido?" — "Os dois." — ela sorri fraco. Ele olha nos olhos dela. — "Tu devia tá longe de mim, Bruna." — "E você devia tá morto. Mas aqui estamos. Vivendo errado do jeito mais certo." Ela encosta a testa na dele. Os dois suados, cansados, mas vivos. Enquanto isso, no QG da PMERJ... Coronel Álvaro gira o copo de uísque na mão. — "Interceptaram sinal de celular naquela área. Já sabem que tão em Santa Teresa." Capitão Maurício entra. — "Quer que a gente entre com caveirão?" — "Não. Ainda não. Vamos deixar eles acharem que tão seguros. A armadilha vai ser no tempo certo." De volta ao barraco... Bruna mexe no celular novo. Zero sinal. — "Tu confia mesmo nessa Nanda?" — "Ela salvou minha vida três vezes. Mas confio mesmo é em tu." Ela deita no colchão. Ele deita do lado. Um silêncio carregado. Bruna quebra o clima: — "Se teu mundo for só fuga, a gente nunca vai viver. Só sobreviver." — "Então vamo mudar esse mundo, p***a. Me ajuda a sair dele." Ela encara ele. — "Tu tá disposto a largar o morro, R.P.?" — "Pela primeira vez na vida... eu tô com medo de perder alguém. E isso vale mais que qualquer morro, qualquer poder." Lá fora, no beco estreito, uma sombra se move. Alguém os observa. De longe. Última cena: Bruna e R.P. dormem abraçados. Mas na esquina, um rádio de mão chia: — "Confirmado. Os dois estão no barraco da viela 17. Ordem é aguardar reforço." A paz deles tem hora pra acabar. Quando o amor é encurralado, cada batida do coração vira um grito de sobrevivência. A madrugada em Santa Teresa vai tremer com o som de botas, tiros... e promessas que talvez não se cumpram. 03h14 da manhã – Viela 17, Santa Teresa Bruna acorda com um estalo seco. Barulho de rádio. Passos. Ela cutuca R.P., que dorme de roupa, com a pistola do lado. — "Acorda. Tem gente lá fora." Ele levanta num pulo. Vai até a janelinha e olha rápido. — "Fudeu. Caveirão na entrada da ladeira. PM cercando pelos becos." — "Eles vieram pra te matar?" — "Vieram pra levar nós dois. Ou só um. Ou nenhum." Ele pega uma mochila escondida no piso falso. Dentro: dinheiro, passaporte falso, dois celulares, munição e uma foto dos dois na praia. — "Se me pegarem, tu corre. Não olha pra trás." — "Não vou te deixar!" — "Bruna..." Ele segura o rosto dela com as duas mãos. — "Eu prefiro morrer do que ver tu sendo presa por minha causa." Lá fora, o sargento dá o sinal. — "Na contagem de três, invade." 01... 02... 03... BUM! Porta arrebenta. Gás lacrimogêneo entra primeiro. R.P. puxa Bruna pela mão, fogem pelos fundos. Mas do outro lado da viela... o cerco se fecha. PMs com armas apontadas. — "PARADO! LARGA A ARMA!" R.P. levanta as mãos. Bruna entra na frente. — "NÃO ATIRA! ELE TÁ RENDIDO!" No rádio da PM, a voz do Coronel Álvaro: — "Alvo rendido. A filha está junto. Não disparem... ainda." Bruna encara os policiais. — "Se vocês levarem ele, me levem junto." Última cena: R.P. de joelhos. Mãos na cabeça. Bruna ajoelhada ao lado dele. E de longe… o Coronel observa, encostado num carro preto. Sem farda. Só dor no olhar. — "Ela escolheu o lado errado..." Ou será que o errado é o mundo que não aceita o amor dos dois?
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