Intruso

1887 Words
Ela controlava todos os meus sentimentos. O seu sorriso carinhoso, os seus olhos hipnotizantes. Mas eu não queria mais aquilo. Por dois anos, deixei de conhecer pessoas interessantes, de me relacionar com outra qualquer garota. Não procurei verdadeiramente a felicidade. Uma vez, Reese King, um dos caras mais inteligentes que já conheci, disse: Nunca se esqueça de quem você é. Nós estávamos sentados na casas dos avós de Reese, no leste da Flórida. A avó dele, a senhora King, preparou deliciosos ovos com bacons. Era o nosso café da manhã preferido. Eu havia terminado o meu primeiro namoro com Kathleen Edwards, e estava relatando ao Reese tudo o que aconteceu entre nós. Foi um namoro bobo, eu tinha apenas treze anos. E eu abandonei todos os meus amigos, tudo o que eu gostava de fazer; renunciei meu próprio eu, por ela. E depois de tudo, King me deu este singelo conselho que ainda me serve até hoje. Vejo que não mudei muito. -Hector? -ela transpirava, com a voz embargada. -Seja rápida. -falei, decidido de que City não estragaria minha noite. -Oi, Hector. Hã... Onde você tá? -ela disse lentamente. Aproximadamente mais dez pessoas passaram por nós no corredor. -Amnesia NYC. Por quê? -Preciso da sua ajuda. Eu... -O que aconteceu? -eu a interrompi. -Fui presa. -City soltou. -Presa? -disse, surpreso. Paul me olhou com os olhos arregalados. -Eve e eu fomos beber. Eu estava triste, estressada...Me pegaram no volante. -E você quer o dinheiro para fiança. -completei. -Se não for pedir muito... -ela diz. -Quanto? -Minha mãe está uma fera. Vou ficar de castigo. Dois mil. -Meu pai vai me perguntar depois o porquê de uma retirada de dois mil dólares. Mas não pode ser uma da madrugada. Pode esperar até amanhã? Ficamos em silêncio durante alguns segundos. No final, um suspiro. -Acho que sobrevivo até amanhã. -ela resmungou. -Desculpe. -Não precisa. Eu lhe pago assim que puder. Muito obrigado, Hec. Acho que vou ter que fazer trabalho comunitário, ou perder a carteira mesmo. Bem, tenho que desligar, meu tempo acabou. City, diferente de mim, mudou por completo. Pensar nela como uma delinquente me fez estremecer. -Ela dirigiu bêbada. -disse para Paul assim que desliguei. -Que d***a. -Paul parecia decepcionado. -Amanhã eu resolvo isso. -Tem certeza de que seu pai não vai brigar? -ele perguntou sério. Mais duas pessoas passaram por nós no corredor. -Vai dar tudo certo. -Bem. -Paul pôs o braço em meu ombro. -Vamos entrar ou não? -Claro que sim. -disse em um sorriso. Gostaria de saber como Reese King está neste momento. Lembro-me como se fosse ontem. Paul não gostava muito dele, então nessa viagem ele não nos acompanhou. Ele disse que teria uma festa de sua tia-avó naquele fim de semana, mas não acreditei muito. Aquela viagem foi a nossa despedida. King foi meu vizinho durante toda minha infância, até o dia em que ele se foi. Seus pais terminaram o casamento de uns vinte anos, o que nos deixou surpresos. A Flórida foi o nosso último adeus. -Ei, você conhece o Hector? -Paul me apresentou para uma garota qualquer. -Oi. -Vou deixar vocês a sós. -Paul sorriu para mim antes de sair. Ela olhou para mim com um certo desprezo, mas não costumo desistir tão rápido. Sentei-me ao seu lado, em um pequeno sofá vermelho, já pensando no que eu poderia falar. Nada veio em minha mente. -Posso saber seu nome? -perguntei. -Minha mãe foi levada hoje. Meu pai está em Los Angeles. Eu não sei o que fazer. -ela disse, subitamente. -Ela foi infectada? -perguntei, assustado. Ela parecia m*l. -Minha amiga me chamou para cá, pensei em distrair a cabeça. Acabou que agora ela está com um garoto em algum lugar, e eu estou aqui. -Que filha da mãe. -Foi infectada. Mamãe foi fazer o exame hoje. Foi levada do hospital. -Aconteceu a mesma coisa com o meu irmão. Eu sei como é isso. Ele tem seis anos. -Nossa. -ela olhou para mim, seus olhos eram pequenos. -Sinto muito. -Sinto muito também. -disse. -O que veio fazer aqui? -O mesmo que você. -Você não me parece m*l. E acho que você é rico. Amnesia NYC não é um lugar que ricos costumam frequentar. -Não tem muitas boates abertas, você sabe. Mas eu não estou tão bem quanto pareço. -Você devia me pagar uma bebida. Não é sempre que um garoto rico se interessa por mim. -ela riu. -Seria um prazer. -nós rimos juntos. -O que você quer? -Meu nome é Sophie. Uma cerveja preta, por favor. -Volto já, Sophie. Não se mova. Estávamos no segundo andar, sentados em um pequeno canto m*l iluminado. Desci até as escadas e caminhei até o bar. Paul apareceu ao meu lado logo após de meu pedido ser feito. -Esse lugar é estranho, Hector. Acho que vi um infectado andando. Ele entrou no banheiro. -Um infectado? Impossível. Ele não conseguiria passar pela entrada. -E se ele não precisou passar por lá? -Paul disse enquanto recebia as duas pequenas garrafas de cerveja. -Paul, esquece isso. Sophie é incrível. -Você sabe mais do que ninguém do grande perigo que os infectados trazem. Além do risco de mais contaminação. Esse é um local fechado. Isso inclui eu e você. -Nós viemos aqui para aproveitar, certo? -disse, olhando para o segundo andar. -Deixe de ser ninfomaníaco e me ajude a dar uma olhada no banheiro. -Por que não faz isso sozinho? -disse, rindo de sua piada sem graça. -Porque eu temo pela minha humilde vida, senhor tartaruga! -Paul riu. -Não posso abandonar Sophie do nada. A mãe dela foi infectada. Ela precisa de consolo. -Sei o tipo de consolo que você quer oferecer. -Me encontra em trinta minutos em frente ao banheiro. Fica por aqui, só para ter certeza de que ele não saiu. -Vou mandar mensagem. Vê se não tira a roupa nesses trinta minutos. -Prometo tentar. -respondi, rindo. Quando voltei com minhas duas garrafas de cerveja em mãos, Sophie, a garota triste dos olhos miúdos, continuava sentada à minha espera. -Que bom que voltou. Achei que faria igual a Annie. -Annie? -Minha amiga. -ela disse. -Sua cerveja. -eu a entreguei, passando a gelada garrafa. -Muito obrigada. É difícil achar alguém assim como você nesse tipo de lugar. -Estou me sentindo o super-homem disfarçado de Hector Kent. -É quase isso. -ela sorriu, bebericando um pouco sua garrafa. -Você é incrível demais para esse lugar. -também experimentei da Rellin. -Pegou dicas na internet de como conquistar uma garota frágil na balada? -Confesso que sim. -Que? -Brincadeira. -disse, rindo com ela. -Você ainda não me conhece bem, mas você percebeu que falo tudo o que vem em mente. -Não deixei de notar. -Não sei como você é. Não é que eu seja uma v***a, eu não sou. Acho que Annie é um pouco. Mas acho que eu e você não precisamos enrolar muito. Afinal, estamos no Amnesia NYC. Só gente fodida vem aqui. -Eu te beijo. -disse. Deixei a garrafa no chão ao lado esquerdo rapidamente, e, em seguida, beijei Sophie com toda a vontade que estava guardada dentro de mim. Ela me envolveu de uma forma surpreendente. Seus lábios eram como chantily, sorvete de chocolate , pizza e batatas fritas em forma de boca. A sensação que seu beijou me transmitiu foi melhor a que derrotar um inimigo um um jogo online. Melhor que um fatality qualquer. Melhor até do que os bacons com ovos da senhora King. Minhas mãos desceram por todo o seu corpo. As mãos delas acariciavam o meu rosto de forma delicada, como um marshmallow. Mas de repente ela puxou o meu cabelo de forma mais agressiva, como um Doritos quando é mastigado. -Você me fez ficar preocupada à toa. Por que eu sou tão altruísta? -Annie, a amiga de Sophie havia chegado. -Preocupada? Você estava muito bem com aquele homem. -Você disse que iria ao banheiro. -Foi uma desculpa para deixar vocês à vontade. Pensei que tivesse entendido. -Não sou advinha. -ela fez uma pequena pausa, e meus olhos encontraram os de Annie. -Ah, oi. Tudo bem? -Annie, este é o Hector. -Sophie nos apresentou. -Prazer. -disse, levantando-me para cumprimentá-la. -Muito obrigado por cuidar dela. Você parece ser legal. -Sua amiga que é incrível. -disse. -Desculpe por interromper. Soph, me liga quando quiser ir embora. Vou te levar em casa. -Eu levo, se você quiser. -disse, dando de ombros. Houve uma troca de olhares entre elas. Pareciam surpresas. -Bom, se você não me ligar, vou entender que ele te levou para casa, okay? -Tudo bem. -Sophie respondeu. -Beijos. Divirtam-se. -Annie fez gestos de beijos, saindo logo após. -Sua amiga é simpática. -falei. -Claro que sim. Levemente v***a, mas bem legal. -ela riu, bebendo mais um pouco de cerveja. Quando sentei-me novamente ao lado de Sophia, meu celular vibrou. Paul em uma ligação. -O que houve? -Ele continua no banheiro. Mas são dois. Tenho medo deles estarem armados. -Dois? -É. Outro conseguiu entrar. Acho que é. Falei para um funcionário, mas ele não deu atenção. -O segundo foi para onde? -Ele chegou e depois entrou na entrada restrita. Depois saiu com o uniforme da NYC. -d***a. Qual o plano? -Plano? -Me espera em frente ao bar. -disse, desligando. Reese, mesmo quando novo, dizia coisas incríveis. Ele sempre foi e será o garoto mais inteligente que convivi. Eu tinha um pequeno caderno, quatro anos atrás. Lá, eu relatava todas as coisas incríveis que ele dissera. Não lembro de tudo, muito menos onde este caderno foi parar. Mas a últimas palavras foram marcantes. "Eu vou, mas prometo voltar. Ou pelo menos tentar. Só não esqueça de tudo o que vivemos juntos. E Desculpe se fui um b****a qualquer dia. Sei que isso soa estranho, mas acho que te amo." -Quem era? -Sophie perguntou. -Paul. Aconteceu uma coisa grave. Quero que você ligue para Annie, vá para casa o mais rápido que puder. Talvez não sobre ninguém daqui esta noite. -Do que você está falando? -ela pareceu confusa. -Me diz o seu número. -disse, entregando meu celular para ela. -O que você sabe? -ela perguntou, depois de anotar seu número. -Infectados. Aqui, na NYC. -Meu Deus. -ela disse em um fio de voz. -Eu vou. Mas prometo voltar. Ou pelo menos tentar. Contemplei seu sorriso mais uma vez em uma despedida. Ela me lançou o seu olhar ínfimo. Corri pelas escadas. Hector estava parado, com um semblante perturbador. -Pensou em alguma coisa? -ele perguntou. Passei por ele em um vulto indo direto para o banheiro. Hesitei ao chegar próximo a porta. Paul parou ao meu lado em seguida. -Alguém entrou aqui depois do infectado passar? -Sim. Um homem só. Ele saiu normalmente depois de uns três minutos. -Vamos entrar. -falei. Me senti em gravação de um longa aterrorizante. Meus sapatos encontrando o chão vagarosamente. O silêncio preenchia todo o lugar. -Se eu morrer, saiba que você foi um grande amigo. -Paul sussurrou. -Ninguém vai morrer. -sussurrei para ele. Estávamos no centro do banheiro. Não havia ninguém. As pias estavam completamente normais. Uma delas, m*l fechada, pingava com um pequeno intervalo de milissegundos. Um estalo diferente soou. -O que foi isso? -Paul estremeceu. -As cabines. -disse. Abrimos todos as cabines rapidamente. Na penúltima, para o nossos desespero, uma pequena bomba já iniciada. Em menos de dez minutos, o Amnesia NYC inteiro iria explodir. -Que m***a! -Paul disse.
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