Minha respiração estava descompassada. O coração martelava no peito, como se tentasse me lembrar que eu ainda estava viva. Ainda aqui. As mãos de Matteo rodeavam minha cintura, firmes, mas tão gentis que eu m*l podia acreditar que algo tão simples pudesse me deixar tão... vulnerável.
Ele ainda estava perto demais, seus olhos fixos nos meus, queimando como brasas acesas. A intensidade me fazia sentir exposta, como se Matteo enxergasse partes de mim que eu mesma tinha medo de olhar.
Eu queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas minha mente estava uma bagunça. O beijo dele ainda parecia estar gravado em minha pele, como se cada ponto de contato fosse impossível de apagar.
Matteo sorriu, aquele sorriso que me desarmava e fazia meu estômago revirar.
— Posso repetir? — perguntou, a voz rouca, carregada de algo que me fazia estremecer.
Meus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. Eu não esperava por isso. Não esperava que ele fosse me beijar, muito menos que eu fosse gostar tanto. Gostar a ponto de desejar que ele não parasse nunca.
Mas o medo... o medo veio com força total, como um vento frio em uma noite quente. Afastei meus olhos dos dele, sentindo uma pressão pesada no peito. Eu não podia deixar isso acontecer. Não podia deixá-lo entrar tão fácil assim.
— Matteo... — minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — Por favor...
— O que foi? — Ele franziu a testa, mas não recuou. Seu olhar ainda me mantinha presa.
— Não me quebre. — As palavras escaparam antes que eu pudesse pensar. Minhas mãos subiram instintivamente para o peito dele, não para afastá-lo, mas para criar algum tipo de barreira, ainda que tênue. — Não me machuque, porque eu... eu não suportaria.
Seus olhos se arregalaram por um breve segundo, e eu vi algo mudar neles. A intensidade deu lugar a um toque de preocupação, e a forma como ele me olhou fez meu peito apertar ainda mais.
— Stella...
— Não posso lidar com isso de novo. — Continuei, sentindo as palavras saírem apressadas, como se precisassem ser ditas antes que eu perdesse a coragem. — Eu não suportaria outra vez ter esperanças e vê-las desmoronarem.
Meus olhos ardiam, mas eu me recusei a deixá-los encher de lágrimas. Eu não choraria. Não agora.
Matteo não respondeu de imediato. Ele apenas me olhou, como se tentasse absorver o que eu estava dizendo. Então, com uma delicadeza que me desarmou completamente, ele levou as mãos ao meu rosto.
— Eu não vou fazer isso. — Sua voz era firme, mas havia uma doçura nela que fez meu coração se apertar. — Não há nada nesse mundo que me faça querer deixar você.
A sinceridade em suas palavras me fez tremer, como se cada uma tivesse encontrado um espaço dentro de mim que eu achava que estava fechado para sempre.
— Eu tenho medo — confessei, finalmente. Não havia mais por que fingir. Não com ele.
Ele sorriu de novo, mas dessa vez era um sorriso suave, quase triste. Como se entendesse.
— Eu sei. — Ele inclinou-se para mais perto, até nossas testas se tocarem. — Mas você não precisa ter medo comigo, Stella. Eu vou cuidar de você.
Meu coração parecia prestes a explodir. Queria acreditar nele, queria me permitir ser cuidada, mas as cicatrizes do passado ainda doíam. E mesmo assim, quando Matteo me beijou novamente, um beijo tão carinhoso, tão delicado, não consegui evitar.
Meu corpo relaxou, e por um instante, o mundo ao nosso redor deixou de existir. Não havia mais restaurante, música ou luzes. Apenas ele. Apenas nós dois.
E, contra todas as minhas defesas, eu soube que Matteo já tinha quebrado todas as barreiras que eu tentava erguer. Quando ele se afastou, apenas o suficiente para que pudesse me olhar nos olhos, senti uma onda de confusão e ansiedade me inundar. Meu coração ainda pulsava forte, mas agora não era apenas por causa do beijo. Era o que vinha depois. Era o futuro incerto.
— Matteo... — minha voz saiu trêmula, e desviei o olhar, tentando encontrar algum tipo de âncora na paisagem iluminada da cidade abaixo. — Nós só temos mais um mês.
Ele franziu as sobrancelhas, a expressão carregada de confusão.
— Um mês?
Assenti, apertando os dedos ao redor do tecido leve do meu vestido.
— Depois disso, você vai embora. Você vai voltar para a sua vida, e eu... eu vou voltar para a minha.
Senti a garganta apertar enquanto as palavras saíam. Era a verdade que eu tentava ignorar desde o momento em que percebi o que ele estava começando a significar para mim.
— E como vai ser depois disso? — perguntei, finalmente levantando os olhos para encontrar os dele. — Você vai me deixar e... partir?
Matteo me encarou por um momento que pareceu uma eternidade. O silêncio entre nós era pesado, mas ao mesmo tempo, havia algo nos olhos dele que me fez hesitar, como se ele estivesse prestes a dizer algo que mudaria tudo.
— Meus planos podem mudar. — Sua voz era firme, mas calma. Ele não desviou o olhar, mesmo enquanto eu piscava, surpresa.
— O quê?
— Eu não quero mais esconder o que sinto. — Ele deu um passo à frente, encurtando ainda mais a distância entre nós. Sua mão encontrou a minha, apertando-a com suavidade, mas com convicção. — Stella, estar com você... isso mudou tudo para mim.
Meu coração disparou novamente, mas dessa vez foi diferente. Era medo e esperança ao mesmo tempo, uma mistura que me deixava sem chão.
— Matteo, você não entende... eu não sou o tipo de pessoa que se joga em algo sem pensar. Eu não posso me permitir sentir isso e depois...
— E depois, o quê? — Ele me interrompeu, a voz carregada de emoção. — Você acha que eu sou o tipo de pessoa que faria você sentir algo e depois simplesmente ir embora?
— Não sei o que pensar. — Respondi, quase em um sussurro. — Tudo isso... parece bom demais para ser verdade.
Ele suspirou, inclinando-se para mais perto, até que nossos rostos estivessem a poucos centímetros de distância.
— Eu sei que parece rápido. Sei que você tem medo. — Ele ergueu a mão livre para tocar meu rosto, o polegar acariciando minha bochecha. — Mas, Stella, o que eu sinto por você é real. E eu não vou embora. Não se depender de mim.
As palavras dele me atingiram como um golpe suave, mas certeiro. Senti os olhos arderem, mas não deixei que as lágrimas caíssem. Ele parecia tão certo, tão seguro...
— Você não pode prometer isso. — Minha voz tremeu. — Você tem uma vida, Matteo. Um trabalho, um lugar para onde voltar.
— E você acha que isso importa mais do que o que eu sinto por você? — Ele balançou a cabeça, com um sorriso pequeno, mas intenso. — Stella, pela primeira vez em anos, eu sinto que estou exatamente onde deveria estar. Com você.
Eu queria acreditar nele. Queria desesperadamente me permitir acreditar que talvez, só talvez, isso pudesse ser diferente. Mas as cicatrizes do passado ainda estavam lá, e eu sabia que confiar significava me expor ao risco de me machucar de novo.
Ainda assim, quando ele segurou minha mão com mais firmeza e me olhou como se eu fosse a única coisa no mundo que importava, não consegui evitar o pequeno lampejo de esperança que nasceu dentro de mim.
— E se não der certo? — perguntei, quase sem voz.
Ele sorriu, um sorriso caloroso e cheio de ternura.
— Isso não vai acontecer, estou disposto a garantir que dará certo. — Ele inclinou-se novamente, deixando um beijo suave em minha testa antes de sussurrar: — Apenas fique comigo, Stella.
Respirei fundo, tentando afastar os últimos vestígios do medo que ainda me assombravam. Não era fácil. Nada sobre isso era fácil. Mas havia algo nos olhos dele, naquela forma como ele me olhava, que me fazia querer arriscar.
Assenti, sentindo um pequeno sorriso curvar meus lábios.
— Sim. Eu vou ficar com você.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou para seus braços, me envolvendo em um abraço que parecia prometer que ele manteria sua palavra. Que ele estaria ali, não importa o que acontecesse.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti acreditar.