Dante A voz dele ainda ecoa, mesmo desligada. Luca. Ou alguém que quer ser ele. O som, rouco, distorcido, era inconfundível — o tipo de voz que sobrevive na cabeça, mesmo depois que o corpo morre. O carro corta a noite, os faróis iluminando a neblina como se rasgassem véus de memória. Selena está ao meu lado, imóvel, o olhar perdido na escuridão. Nenhum de nós fala. O silêncio tem gosto de premonição. Eu devia estar acostumado com fantasmas. Mas há algo diferente agora — algo que sussurra que não é alucinação, não é truque. Se Luca ainda está vivo, então o inferno inteiro voltou a respirar. Estaciono o carro numa estrada de terra, apago os faróis. A noite é um manto espesso. O som distante de um rio. Nada mais. — Dante — ela rompe o silêncio, a voz baixa —, e se for ele mes

