Entre Ecos e Cicatrizes

1477 Words

Dante A noite não dorme. Nem eu. O vento bate contra as janelas, e o rádio, agora mudo, parece observar. Cada estalo da madeira soa como um aviso, cada sombra parece respirar. Selena dorme. Ou tenta. O corpo dela, encolhido sob o lençol, é uma lembrança viva do que ainda resta de pureza no mundo. Mas até a pureza sangra, e eu sou a prova viva disso. Saio para o lado de fora da cabana. A chuva voltou a cair — fina, constante, insistente. O frio corta a pele, mas é o único jeito de me manter acordado. Fico ali, olhando a estrada vazia, esperando o passado vir me cobrar. A frase ainda martela na cabeça: “Ela é a dívida.” Não sei o que Luca quis dizer. Talvez quisesse me ferir através dela, talvez quisesse que eu acreditasse que o amor é só outra armadilha. Mas, pela primeira

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