Dante O amanhecer chega lento, como se o sol também tivesse medo de atravessar aquela janela. O motel está mergulhado num silêncio pesado, cortado apenas pelo som do vento arrastando poeira pela estrada. Selena dorme outra vez — ou tenta. O rosto dela está pálido, os olhos cansados até quando fechados. Não durmo há quase quarenta horas. Cada vez que fecho os olhos, vejo Luca. Vejo o sangue, o fogo, a maldita sombra dele sorrindo no meio das chamas. E agora ela jura tê-lo visto. Parte de mim quer acreditar que foi só alucinação. Mas eu conheço o inferno bem o bastante pra saber que ele não se contenta com lembranças. Acendo um cigarro e saio pro lado de fora. O ar da manhã é cortante, e o cheiro de chuva antiga ainda paira no ar. O céu tem uma tonalidade cinza-azulada — como fe

