Dante A dor é uma ferida que respira. Sinto o sangue quente escorrer pelo braço, o corpo pesado, o ar denso demais pra entrar. A casa treme sob o som distante da tempestade. O cheiro de pólvora, ferro e fumaça se mistura, e por um instante, tudo parece um sonho sujo — desses que acordamos suando, mas que não acabam quando abrimos os olhos. Selena está sobre mim, pressionando o ferimento com as mãos. O rosto dela é um borrão entre lágrimas e fuligem. — Fica comigo — diz. — Não dorme, Dante. — Estou aqui. — A voz sai rouca, quase um gemido. — Ainda estou. O corpo dói, mas o coração... esse queima. Luca está caído perto da porta. O sangue dele se espalha como uma sombra nova no chão que um dia foi lar. Olho pro irmão, e o ódio se mistura com algo mais antigo — uma dor que não morr

