Selena O silêncio tem cor. Eu aprendi isso depois que ele se foi. Não é preto. Nem cinza. É um dourado pálido, quase invisível — o mesmo brilho que o sol deixa quando se põe. A cor que ficou no corpo dele quando o fogo apagou. Faz semanas que enterrei Dante. A casa, agora, parece um corpo sem alma: o chão não range, o vento não fala. Mesmo o mar, que antes rugia, agora parece cansado. Mas as flores que plantei sobre o túmulo dele continuam crescendo. E à noite, entre elas, pequenas fagulhas aparecem. Chamas minúsculas, calmas, que não queimam. As pessoas diriam que é só o vento. Mas eu sei. O inferno não mente — apenas muda de forma. E eu sinto que, de algum jeito, ele ainda está aqui. O tempo passou de forma estranha. Os dias parecem longos, mas as horas não têm peso. T

