Selena A casa amanheceu silenciosa. Um silêncio tão puro que parecia sagrado. As flores do jardim estavam abertas, o mar, sereno, e o vento… quente. Havia algo diferente no ar — uma espécie de calma que precede despedidas. Não sei explicar, mas desde o nascer do sol sinto que algo se aproxima. O fogo não acendeu esta noite, e o vento não entrou pela janela. Talvez ele esteja cansado. Ou talvez tenha encontrado o lugar de onde nunca mais precisa voltar. Passei o dia preparando a casa. Limpei, organizei, abri todas as janelas. Quis que o ar circulasse livre, que a luz entrasse em cada canto. Porque aprendi que a luz, quando entra, não tira o passado — ela só o revela em novas cores. Enquanto varria a varanda, encontrei o lenço que ele deixou cair uma vez, naquela primeira noit

