Dante O mar vermelho me olha de volta. Não é fogo. Mas é o mesmo reflexo, o mesmo aviso — o inferno ainda está vivo. E ele respira através de mim. Selena dorme. A cabeça encostada na minha perna, o corpo envolto num lençol que o vento tenta roubar. O rosto dela está sereno. Mas eu sei que o sono dela é o preço da fé. Ela acredita que vencemos. E, por ela, eu queria acreditar também. Mas o inferno não se entrega. Ele se esconde. E espera. “Você achou que podia me enterrar no mar?” A voz volta. Baixa. Próxima. Como se sussurrasse dentro do meu próprio fôlego. — Eu te matei. — murmuro. “Matou a sombra. Mas eu sou o eco.” O vento sopra forte. O horizonte pulsa em vermelho. E o gosto metálico volta à boca — o mesmo gosto de antes de tudo desabar. Fecho os olhos. O infer

