Dante Há um silêncio estranho depois da guerra. Não é paz — é a respiração cansada do que sobreviveu. O hospital está imóvel, como se até os fantasmas tivessem parado pra assistir ao que restou de nós. Selena dorme no canto da sala, enrolada num cobertor velho. O rosto dela está pálido, as mãos ainda tremem, mas há algo nela que o inferno nunca conseguiu tocar: a fé. Eu, por outro lado, estou vazio. E cheio ao mesmo tempo. Como se o corpo fosse um campo dividido — metade meu, metade dele. Luca ainda está aqui. Sinto a presença, como um segundo pulso. Às vezes, ouço o riso. Outras, só o silêncio. Mas sei que ele observa. Que espera. Penso nas palavras dele: “O amor também o trará de volta.” O inferno entende de ironia. Talvez o que me salva seja o mesmo que me condena. Lev

