Dante O silêncio tem som. É o som da alma tentando lembrar que ainda existe. Depois da última noite, o mundo parece outro. Não há gritos, nem vozes, nem o calor sob a pele. Só o eco do que o inferno deixou pra trás. Mas o corpo não esquece. Cada nervo ainda guarda a lembrança do fogo, cada respiração ainda carrega o gosto metálico do medo. E o amor — o amor é o que mantém tudo preso, mesmo quando tudo já devia ter desfeito. Selena dorme, mas o sono dela é leve, tenso. A mão repousa sobre meu peito, como se o toque fosse uma âncora. E talvez seja. Porque, desde que o inferno se calou, sinto um tipo diferente de peso. Não o da dor. O da eternidade. O inferno me ensinou que morrer é simples. Mas viver depois é o castigo. E o castigo é lembrar de tudo. Levanto devagar. O ch

