Dante O fogo apagou, mas o calor ficou. A lareira é um amontoado de brasas, e a madrugada cede lentamente ao primeiro brilho do dia. Selena ainda dorme, o corpo coberto por uma manta fina, o cabelo espalhado sobre o ombro. A serenidade dela é uma provocação. Nenhum de nós nasceu para a paz. Levanto devagar, tentando não fazer barulho. Preciso pensar. Preciso lembrar quem eu era antes de tudo isso. Abro a janela. O ar frio entra, cortante. Lá fora, o vale desperta sob a névoa. O mundo parece inocente — uma ironia dolorosa. Pego o celular. Sem sinal. Desde que chegamos aqui, o silêncio é absoluto, como se o mundo tivesse esquecido de nós. Parte de mim deseja que continue assim. A outra parte sabe que o inferno sempre encontra o caminho de volta. Olho para ela de novo. O rosto

