Dante O caminhão velho geme a cada curva, mas segue. O motor é fraco, o tanque quase vazio. A estrada parece não ter fim — um fio de asfalto rasgando a montanha, ladeado por árvores e silêncio. Selena dorme ao meu lado, a cabeça encostada na janela, o rosto iluminado pelo pôr do sol. Por um instante, penso em não acordá-la nunca mais — deixá-la sonhar com um mundo onde não existe sangue, nem culpa, nem eu. Mas o inferno não dorme. O rádio do painel chia, capta fragmentos de estática e, entre eles, uma voz feminina: “...explosão... desaparecidos... Moreau... vivo...” Desligo antes que ela desperte. Não quero que ouça o nome dela nas notícias, misturado ao meu. Não quero que descubra que já somos uma só manchete. Dirijo por mais uma hora, até encontrar uma estrada secundária. Um

