O amanhecer não trouxe paz. A torre de vidro da Marte Corporation parecia um espelho rachado — bela por fora, em ruínas por dentro. Do alto, Lisboa acordava entre sirenes, drones da imprensa e rumores. Diziam que o império de Elias March, o homem sem passado, estava prestes a desmoronar. Selena atravessava o saguão com passos firmes. Cada olhar, cada sussurro parecia uma faca. Os funcionários já sentiam o cheiro do medo, e medo, ela sabia, era o primeiro sintoma da queda. Quando entrou na sala de reuniões, Dante já a esperava. O terno escuro, o olhar fixo nas telas de vigilância. O rosto sem expressão — o retrato exato de um homem que sabia demais. — Elena foi encontrada — disse ele, sem rodeios. — Morta? — Sim. E não foi suicídio. Selena apoiou as mãos na mesa. — O que encon

