O relógio marcava oito da manhã quando Selena atravessou novamente o átrio de vidro do império Moreau. A cidade refletia nos painéis como uma miragem metálica. O silêncio das primeiras horas escondia o que estava por vir — o segundo dia de um jogo que ela já entendia: ali, ninguém trabalhava. Todos sobreviviam. A recepcionista sorriu com o mesmo ar ensaiado da véspera. — O senhor Moreau a espera na sala de conferências. Sem responder, Selena caminhou. Cada passo era uma armadura. O salto firme, o perfume neutro, o cabelo preso. Ela sabia que o inferno a observava. A sala estava em penumbra. As cortinas semi-fechadas filtravam a luz como grades. Dante estava à cabeceira da mesa, o terno escuro, o olhar ainda mais frio. Em volta, diretores e conselheiros — homens de gravatas ape

