O elevador espelhado subia devagar, refletindo o que Selena mais odiava ver: a própria calma. Por fora, era controle absoluto — o tipo de serenidade que o inferno respeita. Por dentro, o sangue ardia. Havia passado três anos esperando aquele momento: atravessar as portas da Moreau Industries e olhar o monstro nos olhos. O visor digital marcou o último andar. Ela ajeitou o paletó cinza, o crachá falso e o disfarce perfeito. O espelho devolveu uma mulher sem falhas — cabelos presos num coque disciplinado, batom escuro, olhar neutro. Mas os olhos… os olhos denunciavam. A raiva, o desejo e a promessa. O som do elevador se abriu com um ding preciso. O andar da presidência exalava poder: mármore n***o, vidro fumê, o perfume caro de homens que nasceram sem culpa. No fim do corredor, du

