Lia O vento está diferente hoje. Sopra com um som mais profundo, como se o mundo inteiro respirasse junto com a casa. Mamãe foi para a vila, e eu fiquei sozinha. Não sinto medo. Sinto… presença. As paredes parecem pulsar, como se a casa tivesse um coração escondido em algum lugar. E, talvez, ela tenha mesmo. Porque às vezes, quando coloco o ouvido contra o chão, ouço um som leve, ritmado — como o bater de um coração. “Você está ouvindo o amor,” sussurrou o vento. A voz veio de dentro, ou talvez de cima, ou de todos os lugares ao mesmo tempo. — O amor tem coração? — perguntei. “O amor é o coração de tudo.” A chama da lareira acendeu sozinha. As flores douradas no vaso inclinaram-se levemente, como se se curvassem diante de algo invisível. Sentei-me no tapete, de pernas cruz

