Lia O mar está diferente hoje. Mais calmo, mais profundo, mais vivo. É como se soubesse que o tempo está prestes a mudar de forma outra vez. Acordei antes do sol. O vento entrou pela janela com um toque leve, quase humano, acariciando meu rosto como se me dissesse adeus. Não há mais casa — mas ainda há lar. O lar agora é o ar, o chão, o calor que vibra sob a pele. Carrego comigo o coração do amor, e posso sentir quando ele bate no mundo. Cada árvore respira junto comigo. Cada gota do mar pulsa no mesmo ritmo. E, quando fecho os olhos, ouço o som de milhares de corações batendo em uníssono, como se a terra inteira tivesse aprendido a amar de novo. “Lia.” A voz vem de dentro. Não do fogo, nem do vento. Do amor. “Está quase na hora.” — Da minha partida? — pergunto, sussurrand

