Lindsay
Abri a porta do armário na intenção de achar a blusa do meu uniforme, mas aquilo foi em vão devido a bagunça que ele se encontrava, então eu virei o corpo olhando para Arthur, o meu namorado nerd, que trabalhava para uma empresa desenvolvendo games.
- Você é bem bagunceira, Lindy. - Ele disse terminando de pôr a camisa da qual tinha virado o seu uniforme.
Uniforme que ele fazia questão de usar todas as vezes em que dormia aqui em casa, a camisa tinha uma estampa super estranha, com uns caras que usavam umas máscaras bem assustadoras, aquilo de fato parecia um filme de terror.
- Mas eu me encontro nela. - Respondi e finalmente encontrei a bendita que estava na gaveta de calcinhas.
Deus! Eu não lembro de tê-la colocado ali, mas tudo bem, agora é só me arrumar para o meu querido namoradinho me levar ao colégio.
- Já está pronta, meu anjo? - Ele perguntou me abraçando por trás enquanto beijava a minha nuca.
- Ahh! - Senti um arrepio, e por isso joguei um pouco o pescoço para o lado só para que ele não fizesse mais aquilo.
- Que foi, gata?
— Nada, só senti um arrepio estranho, mas já passou.
— Se arrepiou só porque eu cheirei o seu cangote? - Dessa vez ele disse encostando o nariz no meu cabelo ao se aproximar novamente de mim.
- Arthuzinho pare com isso por favor, e me leve ao colégio que eu estou mega atrasada.
Afastei dele e olhei para o relógio em meu pulso vendo que iria dar 7:15, sendo que o horário era até 7:30, e como a minha escola ficava do outro lado da cidade, nós teríamos que ir a mil.
- Não esquece de pegar o capacete, meu anjo. - Ele me advertiu por me conhecer o suficiente para saber o quanto eu era esquecida e também atrapalhada, só que isso era bem raro, digo a parte de ser atrapalhada.
- O seu pai já saiu pro trabalho. - Ele avisou logo após escorar na porta do quarto.
Já pronta eu saí do quarto em direção a cozinha, onde estava Dona Beatrice sentada à mesa tomando o seu café tranquilamente.
- Tchau mãe. - Me despedi dela, pegando apenas uma maçã na fruteira.
- Tchau querida, Deus te abençoe, e Arthur vai devagar com essa moto, ok?
- Pode deixar, dona Bia. - Ele também fez o mesmo que eu, pegando apenas uma maçã.
- Vocês realmente vão sair sem tomar café? - Mamãe perguntou logo após colocar a xícara sobre a mesa.
- Não dá tempo mãe, tchau. - Respondi depois de encontrar o bendito capacete que eu tinha levado quase dez minutos para achar.
- Vai trabalhar hoje, Lindy? - Arthur perguntou enquanto nó s caminhávamos até a pequena garagem da minha casa.
- Sim, por quê?
- Por nada. Bom, é que eu pensei que nós dois poderíamos fazer um programa diferente, mas como você vai trabalhar hoje, vamos deixar para o outro dia, e por falar em outro dia, qual é a sua próxima folga?
Abri parte do portão, para que ele passasse com a moto.
- Na quarta. - Respondi colocando o capacete, e subindo na moto.
Como eu trabalhava todos os dias que no caso era de domingo a domingo, eu tinha uma folga na semana que se resumia na quarta. Isso quando o gerente estava de bom humor, mas infelizmente na maioria das vezes nem folga tínhamos.
- Esse lugar explora muito vocês. Eu acho que você deveria arranjar outro serviço. Ultimamente nós dois quase não estamos tendo tempo para sair e muito menos namorar.
Ele deu a partida, e após alguns minutos nós já estávamos atravessando a ponte para o outro lado da cidade.
- Eu sei, meu bem, mas eu preciso trabalhar para ter o meu próprio dinheiro, e também ajudar os meus pais com as despesas lá em casa, já que os dois não são ricos.
- É compreensível, mas você não precisa se m***r tanto. Já pensou na possibilidade de fazer uma faculdade depois que terminar o ensino médio?
Lá vem ele novamente com essa mesma pergunta.
- Arthur você sabe perfeitamente bem que a minha família não tem condições de bancar uma faculdade para mim.
- Já pensou em fazer o Enem? Por favor, Lindy, se inscreve e eu prometo te ajudar com os estudos.
- Tutuzinho, você sabe muito bem, que eu não tenho tempo pra essas coisas. O pouco que sobra é só para ir pro colégio e dormir já que a maior parte do tempo eu estou lá na lanchonete.
- Está entregue, gatinha. - Ele disse logo após ter estacionado em frente ao colégio.
- Tchau, coração. - Encostei os lábios na sua bochecha.
- Não vai dar para eu te buscar no colégio hoje, mas se quiser eu posso te buscar à noite na lanchonete.
- Não precisa Tu, eu posso muito bem pegar um ônibus. E quanto a escola não se preocupa que a lanchonete fica pertinho.
- Mas você não vai passar em casa antes?
- Não, se eu fizesse isso eu chegaria atrasada todos os dias. E como eu entro uma hora não dá para eu passar em casa.
- Entendi.
- Você sabe que eu moro longe de tudo.
- Também não é pra tanto. - Revirei os olhos entregando o capacete a ele.
- Boa aula!
- Obrigada! - Nos beijamos rapidamente, e depois de ter me afastado um pouco, ele fez um coração com as mãos.
- Te amo! - Ele praticamente berrou para que quem estivesse passando ali na rua escutar.
Continuei andando de costas ainda olhando para ele, e depois que eu entrei, tudo seguiu normalmente com três aulas de matemática uma de espanhol, e a de química que mais uma vez o professor tinha faltado. Aff! Assim não dá! Na parte da tarde, logo após ter servido a mesa cinco que pediu um X burguer com Milk shake de morango, eu finalmente pude sentar um pouco já que eu não tinha parado um minuto desde a hora que eu cheguei.
- O que você está fazendo sentada aqui a uma hora dessas, Lindsay? Quando era pra você estar lá fora servindo a mesa sete. - Estava demorando para Jaime, o gerente super chato e grosso aparecer.
- Bom, é que eu...
Mal ele deixou eu terminar de falar e foi logo dizendo.
- Deixa pra você descansar quando morrer. Mas por agora eu quero ver você trabalhando porque ainda tem bastante mesas para serem servirdas. Vamos garota. Anda rápido!
Como eu infelizmente precisava desse emprego, tive que engolir sapo e ir servir a mesa sete, porque ele não poderia simplesmente pedir a protegida dele para servir essa mesa, já que ela também era uma garçonete assim como eu? Com certeza Larissa estava tendo um caso com esse velho chato em troca de algum beneficio, já que aquela ali era a típica mulher interesseira.
- Ah, Lindy, que bom que eu te achei. - Bianca se apoiou nos meus ombros logo após eu retornar para a parte externa da lanchonete. - Isso aqui está uma loucura, eu preciso que você sirva a mesa três só para eu poder ir ao banheiro.
Como Bianca sempre foi legal comigo, eu fazia questão de ajudá-la em tudo.
- Claro, amiga vai lá, que eu quebro essa pra você.
Observei ela ir para a parte interna da lanchonete e fui pegar o lanche para servir a mesa três.
- Mas, que gracinha! Nossa, Lindy, até com essa roupa esquisita, você fica uma gata.
André, um garoto chato que estudava comigo, e também fazia parte do meu passado, pronunciou se referindo ao meu uniforme de trabalho, logo após eu colocar os dois refrigerantes na mesa.
- Obrigada pelo elogio, André!
Como eu era educada o suficiente, agradeci e quando fiz menção de sair, ele rapidamente segurou o meu pulso.
- O que você acha da gente sair qualquer dia desses?
Ele me encarou de cima a baixo com uma certa malícia, e eu não gostei nada daquilo. Por isso me desvencilhei dele e peguei a comanda guardando ela no bolso do avental.
- Sair? Com você? - Fui obrigada a rir. Não sou debochada, mas nessas horas infelizmente eu tive que ser.
- Sim, algum problema?
- Não posso, porque eu tenho namorado. - Ele riu.
- Aquele Zé roela do Arthur? Eu aposto que ele não te dá uma boa f**a como eu...
- Cala a boca, André! Já chega! Segue o seu caminho que eu estou seguindo o meu, ok? Eu amo o Arthur e é com ele que vou ficar. Ele é muito bom pra mim, diferente de você quando infelizmente "era o meu namorado". - Enfatizei. - E tem mais, figurinha repetida não completa álbum, com licença.
Virei as costas para ele e comecei a andar até a recepção para pegar o lanche da mesa sete.
- Que cara é essa, amiga? - Giovanna que era a irmã gêmea do João, que ficava no caixa me entregou o lanche.
- Nada demais, só o passado querendo dar as caras novamente.
- Você esta se referindo ao André? - Ela perguntou apoiando os dois cotovelos no balcão.
- Infelizmente. Já não basta ter que aturar ele todos os dias no colégio, agora ele tem que vir no meu ambiente de trabalho para poder me infernizar.
- Eu aposto que a Larissa já foi ficar de papinho com ele.
- Larissa e ele se merecem, são tudo farinha do mesmo saco, duas merdas.
Não pude evitar de me lembrar do passado e de tudo o que ocorreu quando eu flagrei a Larissa, que na época se dizia a minha bff transando com o meu namorado em cima da minha cama.
- Sabe de uma coisa, Lindy, esquece o que eles fizeram com você, e toca pra frente. Agora você realmente está com um cara que te respeita e te trata super bem. Não importa que ele seja devagar, mas ele é o cara certo pra você.
- É verdade Gio, você tem razão.
- Agora entrega esse lanche na mesa sete.
Peguei a bandeja, e fui caminhando até a tal mesa, enquanto olhava de relance para o André que não parava de me acompanhar com o olhar.
- Você me deixa louco, garota! Eu só lembro da época de quando ainda éramos namorados e você pedia para eu te comer de qua...
Ele não perdeu a oportunidade de falar enquanto eu passava pela mesa que ele ocupava com seu outro amigo m***a. Cretino!
- Chega André! Pelo amor de Deus me deixa em paz, ok? Se você continuar me assediando dessa forma, eu vou ser obrigada a chamar o Jaime.
(...)
Antes do relógio marcar 22h que era o horário da nossa saída, Jaime fez o balanço do dia junto com João, e eu ajudei as meninas que ficavam na cozinha a contar os pães e também as caixas de leite. Enquanto a bonita da Larissa estava sentada tomando Milk shake de morango só observando todas nós trabalharmos, que só por estar tendo um caso com o gerente, simplesmente se achava a dona do lugar.
Alguns minutos mais tarde antes de Jaime fechar as portas do estabelecimento, acabei ficando surpresa ao ver que Arthur estava a minha espera.
Realmente ele era o melhor namorado do mundo.
- Não acredito que você saiu do outro lado da cidade só para vir me buscar.
Perguntei logo após pegar o capacete de suas mãos, e depois subir na garupa da moto.
- Sim, eu que não iria deixar a minha linda namorada pegar ônibus sozinha a essa hora da noite.
- Você é incrível. Eu te amo!
- Eu também.
Ligou a moto e arrancou com ela a mil pelas ruas da cidade de Cachoeiro do Itapemirim.