Ao estacionar a moto em frente a minha casa que ficava em uma rua ingrime feita de paralelepipedo no bairro Aquidabam, eu desci da moto, entregando o capacete a Arthur que me puxou para um beijo, e grudou os nossos corpos. E a medida que ele foi ficando mais quente e intenso a sua mãozinha nervosa começou a acariciar partes do meu corpo que não deveriam ser tocadas naquele momento -- Primeiramente porque estávamos na rua, e segundo pela vizinhança que adorava tomar conta da vida alheia. Principalmente a minha, por isso eu resolvi me afastar antes que as coisas esquentassem ainda mais.
-- Queria tanto dormir aí na sua casa hoje. -- Falou logo após encostar a cabeça no meu ombro. -- Mas infelizmente não vai dar, porque amanhã eu vou ter que ir a capital para uma reunião na empresa. Eles estão querendo ideias novas para o desenvolvimento de um novo aplicativo de jogos, e todos que trabalham como desenvolvedor de games tem que comparecer.
-- Sem problemas, amor, eu entendo. Então nos vemos na quarta se Deus quiser. Eu só espero que o Jaime nos dê folga.
-- Tomara! -- Suspirou. -- Tchau gatinha! -- Novamente me beijou. -- Amanhã eu te ligo assim que terminar a reunião.
-- Tranquilo, mas se não puder fazer isso eu vou entender.
-- Como eu tenho uma namorada compreensível. -- Apertou a ponta do meu nariz.
Quando entrei em casa, eu fui andando vagarosamente até o quarto tomando bastante cuidado para que não fizesse nenhum barulho, e acordasse os meus pais que deveriam estar bem cansados, principalmente papai que trabalhava viajando devido a ele ser representante de alimentos, então ele ia nos lugares como supermercados e alguns estabelecimentos menores oferecer os seus produtos, que vinham nos catálogos como um tipo de amostra para os clientes. Terminando de tomar um banho para tirar a inhaca e o cheiro de gordura que estava impregnado em minha pele, eu coloquei um pijama rosa de seda do qual Arthur adorava, já que ele achava que eu ficava sexy e também gostosa com ele. Homens! Quando eu acabei de deitar na cama e cobrir metade do corpo com o edredom roxo eu senti os meus olhos pesarem, e depois de tê-los fechado acabei adormecendo.
(...)
Olhando para o céu eu pude observar que a lua cheia refletia de uma maneira tão reluzente que chegava a brilhar, e junto com ela havia uma constelação de estrelas, juro que era a coisa mais linda de se ver, então eu olhei para o lado e vi um homem muito peculiar sentado na grama do bonito jardim da casa de Arthur. Não deu para ver muito bem a sua feição, pois a única coisa em que eu pude observar foi a sua altura, e o cabelo que era castanho bem claro quase puxando para o loiro.
-- Ei, moço volta aqui! -- Eu gritei. Na verdade berrei chamando por ele que infelizmente tinha sumido do meu campo de visão.
Assim que acabei de entrar na casa do meu namorado, observei que o tal homem estava lá sentado no sofá folheando uma revista de gastronomia, então eu continuei fazendo a minha auto análise da sua aparência, e vi o quanto ele era charmoso, e também bonito. p**a m***a! Se o Arthur resolve aparecer aqui eu estarei ferrada, pois imagina só se ele me pega olhando para o seu amigo gostosão., que com certeza deveria encharcar muitas calcinhas por ai, inclusive a minha, que nesse exato momento estava um pouco úmida, não tinha como se excitar ao ver uma beldade dessas sentado com as pernas abertas bem na sala da casa do meu namorado.
-- Oi amor, tudo bem? Como foi lá no trabalho? - Arthur perguntou logo após sentar ao meu lado.
-- Bem, só estou um pouco cansada. O Jaime pegou bem pesado com todas nós, colocou a gente para ajudar as meninas da cozinha na faxina.
-- Caramba! Quanta exploração, Lindy! Ah, e por falar em exploração deixa eu te apresentar meu amigo.
Abri os olhos lentamente logo após escutar o celular apitar. d***a! Novamente voltei a sonhar com um quê de realidade. Mas ainda bem que dessa vez não tinha sido trágico como acidentes e também doenças, e sim com o amigo bonitão que o Tu iria me apresentar, que acabou não sendo possível, devido a m***a do meu celular ter apitado.
- Levanta, querida. - Mamãe invadiu o meu quarto e foi diretamente para as janelas abrir as cortinas. Sinceramente eu odiava quando ela fazia isso. - Se arruma rápido porque o seu pai vai te dar carona para o colégio.
- Mãe, a senhora acredita que tive um sonho que eu estava na casa do Arthur, e o mais incrível foi ver que tinha um homem lá, que por sinal era muito gato. - Me recordei do sonho logo após sentar na cama.
- Sério? Muito bom, mas agora vai se arrumar que o seu pai está te esperando.
Como sempre ela m*l deu importância, pois nas vezes em que eu sempre tentava contar algo, ela fugia do assunto partindo para o outro.
- Vamos, Lindsay! - Ela me apressou novamente logo após eu ter entrado no banheiro para me trocar.
- Já estou indo, mãe. - Respondi desembaraçando os cabelos. - Pronto, agora só falta eu pegar a mochila.
Logo após sair do quarto, eu fui direto para a cozinha pegar uma maçã como sempre.
- Você vai acabar adoecendo, menina. --Mamãe me advertiu.
- Não vou não, mãe, pois eu sou forte como um touro. - Dei um beijo no seu rosto, e logo fui para sala vendo que papai estava sentado no sofá com a sua atenção totalmente voltada para o celular.
- Vai achando que não. Fala pra ela Renato, sobre aquela moça, a esposa do Thiago, o filho de Pedro.
O que o tio Pedro tem haver com essa história? É a esposa do Thiago, a Giseli?
- Hã? O que tem o Pedro? - Papai pareceu alheio a nossa conversa.
- Conta a ela o que a Giseli teve devido a má alimentação.
Papai contou sobre ela ter parado no hospital devido a uma anemia gravíssima que quase estava levando á morte.
- Eu já sei qual é a sua, filha, você pega só essa maçã para chegar lá naquela lanchonete, onde trabalha e se entupir daqueles hambúrgueres gordurentos.
Mamãe chegava a ser chata com esse negócio de alimentação correta, ser fit era legal, mas também não precisava exagerar e deixar de comer as coisas gostosas.
- Vamos querida, já vai dar 7h15. - Papai guardou o celular no bolso, e em seguida levantou do sofá. - Tchau Bia! Eu não vou vir em casa para almoçar, já estou te avisando para você não ficar preocupada.
Os dois beijaram de língua bem ali na minha frente. Eca! Virei o rosto para o lado, só para não ter que ver aquela cena, e caminhei até a garagem.
Estacionando o carro em frente a minha escola alguns minutos após ter atravessado a ponte, papai me deu um beijo na testa, e depois disse que iria me buscar à noite, mas eu disse que não séria necessário, pois eu não queria cansá-lo.
Ao adentrar os corredores do colégio, André entrou na minha frente, na tentativa de encher o meu saco outra vez.
- Vi que aquele b****a do seu namoradinho, não te trouxe hoje. - Ele tentou pegar em uma mexa do meu cabelo, mas eu me afastei.
- Sim, ele não me trouxe. - Respondi seca sem dar muita confiança a esse b****a.
- Então o que você acha de nós dois termos uma nova interação para recordar os velhos tempos? - Passeou o seu olhar sobre o meu corpo com uma certa malícia.
- Não! Agora sai da minha frente, que eu estou atrasada para a primeira aula de matemática.
- Que isso, gata? Eu não sabia que você tinha ficado assim... - Me encarou novamente com o mesmo olhar de safadeza.
E de pronto eu respirei fundo na tentativa de não gritar e nem querer dar um soco na cara desse i*****l insistente.
- André! -- Respirei fundo novamente pronta para dizer o que estava entalado na minha garganta há um bom tempo, já que infelizmente eu tinha sofrido alguns longos meses por esse i*****l. - Eu só quero que você entenda de uma vez por todas que acabou. - Fui obrigada a soletrar para ver se ele entendia, já que estava bem difícil. - Eu não quero saber de você, e muito menos ter "alguma interação". - Enfatizei.
- É sério isso, gata! Poxa, assim você me deixa realmente triste. Sabe que eu realmente sinto muito a sua falta. Não consigo encontrar nenhuma mina igual a você sabe assim tão...
- Trouxa como eu era. -- Completei. - Mas agora graças a Deus eu não sou assim, finalmente eu acordei, André, e agora mais do que nunca, eu tomarei bastante cuidado para não me envolver com homens iguais a você, prefiro mil vezes homens iguais ao Arthur, do que babacas feito você. - Cospi as palavras na sua cara de forma dura, já que a minha paciência com esse cara estava se esgotando. - E tem mais, se voltar a se aproximar de mim novamente eu vou falar para o Arthur. Aí você já sabe.
Eu não sei porque esse desgraçado tinha que rir.
- O Arthur?- Debochou. - Fala sério, gata, do jeito que é o seu namoradinho, é bem capaz dele sair correndo ao me ver levantando o tom de voz. - Se gabou. Ridículo!
- Você se acha o maioral, né? Mas fique sabendo que quando se trata na parte de me defender, o Arthur se transforma. Está dizendo isso porque nunca viu ele nervoso.
E de fato eu acharia melhor que ninguém visse, pois ele se transformava da água pro vinho em questão de minutos, e o que ele tinha de paz e amor, também tinha de ignorante.
- Fique sabendo que eu não tenho medo do seu namorado de araque, e eu sou capaz de encarar cem deles se for possível quando se trata de você.
Agrrr!
- Me deixa em paz, seu m***a, agora sai da minha frente do meu caminho e principalmente da minha vida. Vai perturbar outra porque eu já estou em outra faz tempo.
Empurrei ele com toda a força que eu tinha e caminhei até a sala, onde infelizmente a professora já estava aplicando a prova de matemática.
- Bom dia, Amanda! Desculpe o atraso, é que eu tive um imprevisto, por isso que eu cheguei atrasada.
Ela apenas me encarou totalmente séria e depois que eu me acomodei na cadeira à frente da Giovana, ela me entregou a prova.
Fiz todos os cálculos matemáticos e agradeci primeiramente a Deus e depois ao Arthur que tinha me ajudado bastante na parte dos estudos. Na hora do intervalo, Giovana e eu ficamos sentadas em um banco próximo da quadra vendo os vídeos aleatórios do Tik tok.
- Estou tão desanimada para trabalhar hoje. - Giovana disse jogando os ombros para frente.
- Por quê?
Estranhei, pois de todas nós, ela era a mais animada para trabalhar, foi a primeira a se inscrever para o jovem aprendiz e também a trabalhar meio período no supermercado quando estávamos cursando o nono ano do fundamental.
- Até que fim encontrei vocês, meninas. - Bianca se aproximou da gente com duas latinhas de coca nas mãos. - Está aqui o refri que você me pediu, Gio. - Observei Bianca entregar uma lata a Gio que abriu e bebeu com vontade.
- Obrigada, amiga! Está bem geladinha como eu gosto.
- De nada Gio. Lindy, desculpa não ter pegado uma pra você, é que eu nem sabia se iria querer.
- Tudo bem, Bianca, sem problemas, depois eu vou lá e pego uma pra mim. E voltando aquele assunto Gio... Por que você está desanimada pra trabalhar?
- Então, é só um desânimo que bateu de repente, mas eu não posso me dar ao luxo disso não, porque as contas vencem no final do mês, aí já viu...
- Eu sei bem o que é isso. - Bianca completou. - Morar sozinha não é nada fácil, mas pelo menos você tem a ajuda do seu irmão, e eu que tenho que bancar tudo sozinha com apenas um salário, as coisas estão muito caras, meninas, esses dias eu fui ao mercado comprar algumas coisas, e sai de lá chorando.
- Nossa... Ah, vocês viram o insta da lanchonete Algaroz? - Gio perguntou enquanto mexia no celular.
- Ainda não, mas eu vou ver aqui. - Retirei meu celular do bolso, e abri o insta colocando na página da lanchonete.
- Inauguração hoje à tarde, do restaurante Algaroz dominis na praia de Meaípe em Guarapari. Horário às 16:00. - Gio leu o texto que ficava abaixo do feed. - Bem que eles podiam nos convidar, imagine só nos três lá naquela praia maravilhosa contemplando aquele marzão, e ainda por cima comendo aquela comidinha gostosa totalmente de graça.
- Vai sonhado, Gio. - Bianca trouxe ela de volta a realidade. - Até parece que os donos iriam convidar meros funcionários como nós. Acorda! - Bianca estalou os dedos próximo ao seu rosto.
- Ah, eu sei, mas não custa nada sonhar né, amiga? Não concorda comigo, Lindy?
- Sim. Ah, meninas e por falar em sonhos, eu sonhei com um homem incrivelmente lindo, juro eu não consigo parar de pensar nele. Vocês estão aí conversando, e a minha cabeça está nele. - Falei empolgada, pois realmente eu estava começando a ficar intrigada com esse tal homem que apareceu nos meus sonhos.
- Sério? E como ele é? - Bianca se interessou a saber mais sobre o assunto.
- Alto, lindo forte com os cabelos castanhos quase puxando para um loiro escuro, os olhos também na mesma cor, barba por fazer e um olhar que p**a m***a, é de deixar qualquer mulher caidinha por ele.
- Realmente ele deve ser um gato, só pela descrição que você fez, mas isso é só um sonho né, amiga? Esse cara aí que você sonhou nem deve existir.
- Eu também acho. - Gio completou. - A não ser que você já tenha visto ele em algum lugar.
- Pior que não, eu nem conheço. No sonho eu cheguei a pensar que ele fosse algum amigo do Arthur.
- Então amiga, isso foi coisa da sua cabeça, ainda mais que o seu namorado estava no sonho. - Deu um tapinha de leve no meu ombro.
- Deve ser isso mesmo, mas o que está me intrigando é que esse sonho pareceu muito real, parecia realmente que eu estava lá, tanto é que eu cheguei a me excitar quando ele me olhou. - Elas começaram a rir.
- Aí, amiga! O Arthur não está dando conta de apagar esse seu fogo? E é por isso que você está aí tendo esses sonhos eróticos. - Gio me zoou enquanto continuava rindo.
- É verdade, ela deve está tão na seca que acaba tendo esses tipos de sonhos, o subconsciente dela fica colocando para fora, o que ela anda reprimindo através dos sonhos. - Bianca também entrou na zoação.
- É sério, meninas! Não riam, esse sonho realmente pareceu real, até demais.
- Só se for na sua cabeça amiga. - Gio não parava de rir.
- Esse cara aí não passa de uma mera imaginação dessa sua cabecinha. - Bianca fez questão de manter os meus pezinhos firmes no chão.