ATRÁS DO PASSADO

1237 Words

A sala parecia menor depois que o médico saiu. Não pelas paredes brancas, nem pelo cheiro de antisséptico que sempre pairava no ar, mas pelo peso que tinha ficado ali dentro. Helena continuava sentada na cadeira dura, Murilo encolhido no colo, respirando quente demais, frágil demais. Cada suspiro do filho parecia um lembrete c***l de que o tempo estava correndo contra ela. Ana foi a primeira a quebrar o silêncio. Sentou-se na cadeira, de frente para Helena, os olhos marejados, mas a voz firme, como sempre ficava quando precisava ser forte pelos outros. — Ele nunca vai aceitar isso… — disse, baixo. — Nunca. Helena levantou o rosto devagar. Os olhos estavam vermelhos, cansados, carregados de anos que não apareciam no espelho. — Não vai — confirmou. — O Murilo… o homem… ele nunca vai acei

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