Helena chegou ao seu quarto e sentou na cama, respirava devagar, precisava se acalmar, olhou seu braço, a mancha vermelha havia sumido, fora apenas a pressão da mão de Heloise, mas aquilo não poderia acontecer, ela poderia estar em dúvida quanto aos seus sentimentos, mas nunca a trairia ou a desrespeitaria, isso nunca.
Então tirou toda a roupa e foi para o banheiro, ligou o aquecedor do chuveiro e se colocou embaixo dele, a água escorreu por seu corpo, pensou, pensou e pensou, não conseguindo mais segurar as lágrimas, chorou. Chorou de saudade dos pais, chorou por ser tão fraca, chorou por estar em dúvida, chorou por ter deixando Heloise ter feito isso, chorou por não conseguir se decidir logo na vida. Depois da quantidade de sentimentos, a morena desligou o chuveiro e pegou a toalha, secou o cabelo e voltou ao quarto, se assustando ao ver a n***a sentada na cama, o olhar baixo e o coração doendo.
- O que faz aqui?
- Petit...
- Helo, eu quero ficar sozinha, por favor, respeite ao menos isso. – Helena disse firme e entrou dentro do closet, pegou uma roupa e voltou já vestida, a goleira estava na mesma posição.
- Helo, por favor. – A n***a então se levanta e chega perto da outra, porém não a toca e em um movimento inesperado ela se ajoelha.
- O que você está fazendo?
- Por favor, mon petit, me perda, por favor.
- Levante-se Helo.
- Não, não até você dizer que me perdoa. Por favor, por favor, eu fui uma i****a, eu sei, eu nunca, nunca em toda a minha vida me arrependi tanto de algo, Dieu (Deus), eu nunca poderia te machucar, cher, nunca.
- Heloise, para com isso. – A morena tentava forçar o corpo da outra a se erguer, mas ela não tinha forças para isso, Heloise continuava lá parava.
- Diz que me perdoa, por favor, diz que sim, eu juro que não faço mais.
- Você sempre diz isso, mas dessa vez passou dos limites, você me machucou.
Então a goleira deixa as lágrimas que estava segurando caírem, ela de fato se sente péssima pelo que fez, mataria qualquer um que machucasse a mulher que ama e no final ela mesma fez isso.
- Não, não, não chora, não!
Helena abaixa o corpo e abraça a mulher, essa que encosta o rosto contra o pescoço da morena e molha suas roupas com as lágrimas.
- Eu sou uma burra, eu vou te perder por ser uma i****a, por favor, mon petit, por favor, não me deixa. – As lágrimas da mulher eram verdadeiras, ela não queria perder sua mulher.
- Amor, para, eu não vou te deixar. Para de chorar. – Helena se afasta e encara os olhos vermelhos da outra, seu coração apertou com a visão, nunca viu Heloise tão frágil. – Só me prometa nunca fazer isso, eu nunca te trairia, não se trata apenas de ciúmes, é também confiança e caráter, eu não sou assim, eu te respeito.
- Eu sei, eu sei, merde (m***a), eu sou uma completa i****a mesmo.
- Sim, você é. – A mais nova acaba sorrindo, então se inclina e beija os lábios da outra com carinho.
- Desculpa.
- Tudo bem, só não faça de novo.
- Eu prometo, dessa vez eu vou cumprir, eu te amo demais para te perder por minhas próprias besteiras. – Elas se abraçam e trocam mais alguns beijos. Heloise sorriu, agradeceu e se prometeu que nunca mais cometeria esse erro.
- Vamos, estou com fome.
- Sim, vou preparar aquele macarrão que você gosta.
A n***a disse depressa, Helena já previa que seria enchida de mimos pela namorada. Ela gostava disso, desse amor, ela sabe que Heloise a ama, acredita, mas ao mesmo tempo entende que o modo de ela amar pode ser errado, não saberia se aquilo poderia afetar no relacionamento delas, mas por enquanto estava satisfeita com o que tinham.
- Adoro seu macarrão.
- Eu sei, princesse. Vamos.
A mais velha segura na mão da namorada, mas antes de saírem do quarto, ela olha para trás e ver que a morena estava usando um short muito curto e uma camiseta, em outra ocasião ela pediria para a menor vestir algo a mais, porem não poderia perder aquela chance de mostrar controle, Helena esperava que ela pedisse para trocar de roupa, mas se surpreender quando a goleira olhou para ela e sorriu, saindo assim as duas do quarto. Diane estava encostada perto da janela quando ver o casal descendo a escada, Heloise beijava o pescoço da namorada enquanto a abraçava por trás. Helena sorria satisfeita.
- Galera, vou fazer um delicioso macarrão para a minha garota, alguém interessado? – Heloise pergunta para as outras.
- Com certeza, seu macarrão é divino.
Jane disse sorridente, então Heloise segura a mão da namorada que sorriu e a acompanhou, porém uma pessoa na sala mordia o lábio tentando não olhar e nem pensar demais ao ver a morena naquelas roupas tão causais e curtas, coisa que era bem difícil de acontecer. Lambeu os lábios disfarçadamente, ou não tanto assim.
- Melhor parar de olhar tanto, sabe que ela já tem dona.
Diane sai do seu transe ao escutar a voz da ex namorada, essa que apenas falou e saiu de perto, não aguentava mais ver a garota que gosta se derreter por outra, Belle sempre soube do interesse da loira pela morena, mas acreditou que com o tempo as coisas mudariam. Porém nada mudou, Diane continuava viciada na número dez, e não de uma forma r**m, era viciada em sua voz, em seu cheiro, em seu sorriso, na sua conversa, na sua presença, era viciada em tudo relacionado à mulher que acredita amar. A atacante respira fundo olhando para o casal indo em direção à cozinha, não sem antes Heloise dá um selinho no pescoço da namorada e olhar disfarçadamente com o canto do olho para a loira que desviou o olhar rapidamente.
- Estou ferrada, complètement baisée (completamente fodida).
Foram as palavras de Diane antes de se recolher para o seu quarto. Helena sorri a cada beijo e carinho recebido de Heloise, depois de preparar o macarrão com o olho, colocar na travessa com queijo e colocar no forno, a mulher mais velha se põe entre as pernas da namorada que estava sentada no balcão, circulou sua cintura com os braços e Helena faz isso com o seu pescoço.
- Si belle (Tão linda). – A n***a disse ao acariciar a cintura da mulher por dentro da camiseta que ela usava.
- Je t'aime, mon petit. Prometo que vou te amar a cada dia mais, juro que não serei mais essa i****a, agora é para valer. – Helena respira fundo e acaricia a bochecha da outra.
- Só confie em mim e me respeite, isso já é um bom começo.
Elas sorriem em trocam um beijo, cada uma tentando afastar seus fantasmas, talvez seja hora de se conhecerem melhor para poderem amar outra pessoa.