O Stade Parc des Princes estava quase lotado, normalmente não tinham tanto público, mas aquele dia era diferente, assim como o futebol masculino elas estavam nas quartas de finais, enquanto as meninas pegariam o time do Milan, os rapazes pegariam o clube Real Madrid da Espanha, estavam confiantes, também tinham um ótimo time, com a chegada do Neymar parecia que tudo tinha se encaixado, era o mesmo que pensavam de Helena no feminino, Heloise adorava aquilo, ser ovacionada, ser admirada, sentia orgulho quando as pessoas gritavam seu nome, como faziam agora com a namorada, estavam aquecendo no gramado e aquela multidão gritava “ANDREOLI”, eles admiravam a garota, afinal era a sua camisa dez, alguns jogadores do masculino estavam na área vip do estádio, Cavani, o número nove do masculino fez um discurso para elas no vestiário, o que as deixaram mais confiantes.
- Eles te adoram. – Helena se assusta ao ouvir a voz da namorada perto, Heloise sorria fraco para ela.
- Eles fazem isso porque uso a dez e faço gols, assim como adoram Diane e Amber que também fazem gols.
- Você é muito pessimista, mon petit, pense pelo lado bom, continue fazendo gols e eles continuarão te adorando, assim como eu, boa sorte, cher (Querida).
Helena suspira ao ver a n***a se afastando, tão graciosa e linda. Já chegou a se perguntar se Heloise só a namorava por ela ser quem é, era a dez, a melhor do time segundo algumas revistas, a mais cara, e se ganhassem aquele campeonato, a mais bem paga, se perguntava se a mulher se interessaria por ela se ainda fosse a pobre e humilde jogadora de um time de São Paulo, acabou balançando a cabeça para tirar esses pensamentos, preferia acreditar que sim, pois a goleira era carinhosa, era amorosa, cuidava dela, apesar de um pouco exagerada e possessiva, ela gostava dos cuidados da namorada, no fundo Helena era apenas carente de todos os tipos de sentimentos, sua mulher lhe preenchia bem por todos eles, pelo menos por enquanto ela estava satisfeita.
....................................................
Já eram trinte e seis do primeiro tempo e o placar continuava zero a zero, Heloise já havia feito a algumas defesas difíceis, tendo seu nome gritado pela arquibancada, mas a goleira adversária também trabalhou bastante, Diane, Helena e Amber estavam dando trabalho, assim como Belle era uma volante que chegava bastante na área adversária, mas aquele toque final estava dando errado, elas tinham uma linha de impedimento perfeita, mas arriscada e foi isso que a número dez percebeu quando pegou a bola perto da meia lua vendo Diane correr, um passe perfeito pela direita, deixando a loira frente a frente com a goleira, um drible e a bola enfim encontrou a rede.
O som era ensurdecedor, todos gritavam e como de costume na Europa, um locutor gritava o primeiro nome da jogadora e a torcida gritada o sobrenome, e lá estava, o homem gritou “Diane”, e todos o seguiram com “Marvel”. A loira correu para abraçar a amiga e sorriu fraco ao se separar, pela primeira vez Helena conseguiu ver algo mais, ela viu uma mulher e não uma amiga, ela viu uma pessoa maravilhosa e não só um ombro para chorar, os pensamentos logo foram embora, pois a outras jogadoras correram para abraçar as duas também. Diane agradeceu o passe e recebeu os agradecimentos das outras, depois disso o jogo ficou um pouco parado, elas estavam cansadas, então assim ficou até o intervalo.
- Belo gol, Diane.
Heloise disse abraçando o corpo da namorada por trás, já tinham tomado banho, se hidratado e esperavam os minutos restantes para voltarem ao campo.
- Obrigada, mas grande parte dele é de Hel, ela me deu um ótimo passe.
- Sim, minha namorada é a melhor.
Helena se sentiu incomodada quando a n***a beijou seus lábios na frene de todas, coisa que nunca tinha acontecido, mas a verdade é que ela não se incomodou por todas, foi apenas por uma pessoa.
- Não pegue todos os méritos para a sua namorada, a minha também foi perfeita. – A ruiva chega perto de Diane e lhe dá um selinho, fazendo Heloise sorrir, assim a loira ficava longe da sua mulher.
- Vamos lá garotas, sigam fazendo o que faziam, estavam ótimas, vamos fazer mais gol e tentar m***r essa vitória aqui, o jogo lá vai ser duro, elas são boas. – A treinadora chega no local avisando para saírem.
- Boa sorte, faça um gol para mim, mon petit, prometo te compensar depois.
Helena sente seu corpo esquentar, claro que ela tem t***o, desejo s****l por sua mulher, era impossível não sentir, Heloise é uma mulher maravilhosa, isso a fez sorrir, a expectativa lhe deixou ansiosa. Trocam mais um beijo e sobem a escada. O tempo foi passando, o placar poderia melhorar, mas ainda assim era satisfatório, Heloise continuava trabalhando bem, assim como Paulette e Jane, que era ótimas zagueiras.
Quando o cronômetro marcou quarenta e três minutos, Diane sofreu uma falta na entrada da área, ela normalmente bateria, mas queria retribuir o passe que a amiga lhe deu, entregando a bola para ela, Helena agradeceu e se posicionou. Se afastou dois passos para trás, era só respirar fundo, o lado perfeito para quem é destro, uma barreira de seis garotas, sendo uma do seu time.
A morena respirou fundo, observou o posicionamento de todas à sua frente, depois o da bola, quando escutou o apito foi como se todos se calassem, ela correu e acertou a bola perfeitamente, não viu ao certo o caminho que ela fez, só sentiu o alívio quando escutou a torcida explodir em gritos, gol, ela fez o que é paga para fazer e o que faz seu coração extravasar.
E lá estava agora seu nome sendo gritado, ovacionado, ela olha para trás e ver a namorada sorrindo, piscou e mandou um beijo no ar, mas logo sente seu corpo sendo surpreendido pelas companheiras, o nome ANDREOLI explodia no estádio, era o fim, o time ganhou por dois a zero, agora era só esperar a próxima semana, ir até a Itália e ganhar, ou pelo menos segurar o resultado que já tinham, poderiam perder por um gol de diferença, mas ela não queria pensar nisso agora, nenhuma delas queria, comemoravam, pulavam, sorriam, foi mais uma batalha ganha, uma de muitas, a treinadora saiba que elas precisavam de descanso, o dia seguinte seria delas, para no próximo voltarem ao trabalho.
- Pronta para receber o seu prêmio? – Helena sorri quando escuta a voz perto do seu ouvido.
- Terrivelmente ansiosa.
Heloise sorri e se afasta, com certeza a noite delas seria animada, assim como todas em que elas conseguiam esquecer os problemas fora daquelas quatro paredes.