Nina não conseguiu o tronquilho e Draco ainda não conseguiu matar Dumbledore, eu sei que ele está errando de propósito.
Apesar de estar presa, ninguém tocou em mim com exceção de Bellatrix, e estou bem alimentada, não era o tratamento que esperava, mas com certeza não é o tratamento que todos recebem, por algum motivo Voldemort se interessa por mim e isso me assusta.
— Vamos logo! Não temos tempo a perder — disse Snape puxando sua varinha novamente.
— Estou cansada, podemos parar um pouco?
— Você acha que eles vão deixar você descansar? Quanto pior estiver, mais eles vão forçar.
— Para quê tudo isso? Nós sabemos que ele vai me matar. — Levantei-me e encarei o professor — Deveria fazer isso antes dele, seria menos doloroso.
— Ele está mais interessado em você do que pensa.
— Por que?
— É isso que estou tentando descobrir. — Rapidamente ele entrou em minha mente, eu conseguia controlar, mas a imagem do meu pesadelo ficava muito mais clara e sempre acabávamos na noite em que fiquei com Draco.
— Para.
— Desculpe, não queria ver isso. Mas ele vai usar tudo o que puder contra você. Vamos de novo.
Eu estava com minha vassoura em um penhasco e consegui ver quem estava comigo, era minha irmã, ela estava sorrindo e comemorando enquanto segurava em mim. Mas uma tempestade começou e um raio veio em nossa direção me fazendo perder o controle da vassoura, Stela escorregou pela traseira, ela caia rapidamente pelo penhasco e eu não conseguia a segurar. Meus pais saíram correndo da cabana e viram minha irmã jogada ao mar. O que era isso? Poderia ser real?
— O que é isso? — Senti meu rosto queimar e meus olhos encherem de lágrimas — Eu matei ela. Por que eu não me lembrava disso?
— Foi um acidente, eles tiraram isso da sua mente, para não acontecer justamente o que está acontecendo agora.
Snape saiu do quarto me deixando sozinha, quem dá essa notícia e sai como se não fosse nada? Como eu pude fazer isso com ela? Era apenas uma criança, talvez Voldemort não esteja errado.
Draco
Estava almoçando com minha família, é feriado por isso a escola me deixou vir para casa. Sai dos meus pensamentos quando Snape desceu, ele apenas acenou com a cabeça para meu pai e saiu. Minha mãe tentava quebrar o gelo mas era em vão, ninguém estava confortável ali.
— Como está indo na escola, querido?
— Está tudo normal, ganhamos outro jogo de quadribol.
— Sempre o melhor, filho. — Ela sorriu e olhou para o teto, um barulho de coisas quebrando estava vindo lá de cima.
— O que essa garota está fazendo? — resmungou meu pai. — Nina!
— Sim, mestre?
— Vai ver o que Alhena está fazendo e a faça parar. — Nina subiu rapidamente as escadas, o que será que Lhena estava fazendo?
— Senhor?
— O que ainda está fazendo aqui? Não mandei resolver o problema?
— Mas a menina ameaçou arrancar minha cabeça e dar aos outros elfos comerem senhor, disse que não queria ninguém lá. — Minha mãe se espantou, não estava nada surpreso, Alhena era estourada mas o que havia acontecido? Meu pai gargalhou e me encarou.
— Pelo visto a senhorita Virgo é pior do que pensávamos. Draco, suba e resolva, se eu tiver que ir não saio de lá enquanto ela estiver respirando. — Levantei-me rapidamente e subi as escadas, ouvi a porta sendo chutada. De onde essa garota arrumava tanta força?
— Alhena? — O barulho parou e então abri a porta, ela estava sentada no chão chorando, o quarto estava todo revirado, o espelho do canto estava quebrado, as luminárias estavam no chão — O que aconteceu?
— Foi minha culpa, minha culpa.
— O que? — A abracei enquanto chorava, quase não conseguia falar.
— Stela morreu por minha culpa. — Alhena me contou o que havia acontecido, eu não podia acreditar, conheço a Lhena, ela não seria capaz de machucar a própria irmã.
— Vai ficar tudo bem amor. — A abracei forte.
— Se o seu pai ver o que fiz com o quarto...
— Isso não é problema. — Balancei a varinha e aos poucos as coisas voltaram para seu lugar. Ouvi baterem na porta e meu pai entrou.
— Draco, saia. — Lhena me soltou e levantou-se, sai do quarto e deixei os dois a sós.
Alhena
Malfoy entrou no quarto e mandou Draco sair, me levantei imediatamente e sabia o que ele poderia fazer se nos visse abraçados.
— Senhorita Virgo.
— O que quer?
— Draco está confuso com suas decisões, graças a você.
— Não posso fazer nada em relação a isso. — Sequei meu rosto e me sentei.
— Não quero ver Draco sofrendo, ele é meu filho, não faça eu me arrepender de deixá-lo se aproximar de você.
— Deixar? Você se acha o dono do mundo. — Lucius aproximou-se me encarando, parecia saber mais do que deveria, pegou o colar que estava no meu pescoço e olhou o pingente.
— Espero que saiba o que está fazendo. — Saiu do quarto e me deixou sozinha, desabei a chorar a noite inteira, eu precisava sair daqui, não importa o que eu precisava fazer para isso.
Draco
Essa noite terá uma grande festa do Slughorn, hoje eu não poderia falhar, não aguento mais ver Alhena nessa situação.
Vesti minha roupa e me olhei no espelho, meus olhos estavam vermelhos, faziam meses que eu não me via como o destemido Draco Malfoy, mas tudo iria mudar a partir de hoje.
Andei pelo castelo, de longe avisto Potter e Luna indo para a festa, sempre fui bom em poções, mas com o que vem acontecendo, está impossível me concentrar em algo, mesmo que seja no quadribol.
— O que está fazendo aqui, Malfoy? — perguntou Gina, saindo de trás de uma parede me olhando.
— Não te interessa.
— Veio aqui terminar o que começou? Alhena desapareceu graças a você.
— Acha que não estou fazendo nada para ajudá-la? Acha que eu gosto dela longe? — gritei com a ruiva.
— Saia da minha frente — ordenou me empurrando e entrou no salão. Entrei na sala de Slughorn com algumas poções, olhei ao redor e vi uma bebida, tinha uma carta endereçada ao diretor Dumbledore, essa era minha chance.
Quando saí da sala, dei de cara com Filch que me arrastou para o salão enquanto gritava.
— O que está acontecendo? — perguntou Slughorn.
— Encontrei esse aluno tentando entrar na festa. — Todos me olhavam, inclusive Snape que estava no canto da sala.
— Não o convidei, senhor Malfoy.
— Tá bom, eu estou de penetra! — gritei me soltando de Filch.
— Pode deixar que eu cuido do senhor Malfoy. — Snape me puxou pelos corredores do castelo — Está ficando maluco? Quer estragar tudo?
— Estou seguindo ordens.
— Então siga o plano, não faça eu me arrepender de ter feito aquele voto. — Snape saiu resmungando, mas sabia que depois que Dumbledore tomasse a bebida do Slughorn, a culpa seria dele e eu teria paz.
Alhena
Após ter pensando durante a noite inteira eu sabia o que deveria fazer, ficar presa em um quarto não me ajudaria em nada.
— Nina?
— Sim?
— Poderia chamar o senhor Malfoy?
— Ele está na escola menina.
— Não o Draco, o Lucius. — A elfa me olhou e desapareceu me deixando sozinha novamente. Organizei os livros que estavam na mesa e ouvi a porta ser aberta, eu sabia muito bem quem era, então o cumprimentei antes mesmo de me virar para a porta.
— Obrigado por ter vindo, senhor Malfoy.
— O que você quer?
— Eu quero falar com Voldemort. — Lucius sorriu me olhando.
— Acha que ele vai vir até aqui apenas para falar com uma garota?
— Eu acho que ele vai gostar do que tenho a dizer e até você pode ser recompensado por isso, faz quanto tempo que estou presa? Três meses? Quanto tempo mais você me aguentaria aqui? — O encarei e ele parecia pensativo, apenas saiu do quarto e foi embora. Naquela mesma noite Nina me avisou que o senhor Malfoy queria me ver e mandou eu me arrumar para a ocasião especial.
Essa noite eu iria mudar minha vida, sei muito bem que posso me arrepender das minhas escolhas, mas o que eu tenho a perder a não ser a minha vida?
Todos estavam lá, sentados em volta da mesa novamente e eu estava na porta da sala os encarando, havia uma cobra imensa sob a mesa, aquilo assustaria qualquer um, mas não me deixei abalar e fiquei firme.
(...)