Nina Ridley.
Entro no apartamento já cansada de ouvir meu pai reclamando por eu não estar estudando o suficiente.
"Sua inutilidade não me surpreende mais, faça algo certo para variar." Foi o que eu ouvi durante o caminho para casa.
Eu me esforço, mas matemática é como um bicho de vinte cabeças para mim e ouvir do meu pai o quanto ele me odeia e se sente decepcionado, não é novidade.
- Paizinhoooo. - Olho para frente sem acreditar.
Estella passa por mim e vai direto para os braços de papai.
- Ester? Filhota, o que faz aqui? Pensei que estava em Paris. - Papai diz todo alegre.
Observo a cena sentindo meu corpo formigar, um nó em minha garganta me faz desviar o olhar sabendo que logo teria uma crise de choro.
- Eu fiquei com saudades e resolvi voltar mais cedo. - Estella fala o abraçando firme.
Vou traduzir para que entendam melhor suas palavras.
"Eu fiquei sem dinheiro porque torrei tudo em bobagens e voltei para pegar mais um cartão, para eu estourar novamente e voltar aqui para puxar um pouco seu saco e pegar outro cartão, e assim por diante."
- Que bom filha eu já estava com saudades. - Eles se abraçam fazendo meu queixo tremer.
Que bom que a filha preferida dele chegou, assim ele me deixa em paz pelo menos.
Fecho a porta do meu quarto e ando até minha cama me jogando nela, abraço meu travesseiro sentindo meu peito doer, meu rosto arde e minha cabeça dói por causa do choro, mas eu não consigo parar.
Quero me formar e conseguir um trabalho, mas não sei o que poderia fazer sendo desse jeito, eu sou tão inútil em tudo e quando tento faço tudo errado como conseguiria um emprego?
Abraço o Prublow me sentindo sozinha.
Eu só queria ser normal, conseguir fazer as coisas direito e ser inteligente, então meu pai finalmente me reconheceria e sentiria orgulho de mim.
Nesse momento eu queria mais um abraço do professor Hugo, o abraço dele é aconchegante e me faz sentir muito bem.
Abro os olhos e dou um pulo.
Por que pensei nele derrepente? O que deu em mim?
Aquele abraço realmente foi muito bom, mas ele é meu professor, tenho que tirar essa ideia de sermos amigos, ele só falou aquilo para eu não me sentir culpada por cair em cima dele.
Tapo meu rosto.
Que vergonha, como pude cair em cima dele daquele jeito? Eu sou um maldito desastre.
E depois meu coração quase saiu pela boca quando ele sorriu daquele jeito me olhando com aqueles olhos azuis escuros.
Ele não achou estranho por uma menina de quase dezoito anos, andar com um coelho de pelúcia?
Nina, o que ta fazendo? Você precisa estudar, para de pensar no professor, ele é só mais um dos professores, só isso. Se eu começar a pensa muito nisso posso confundir a generosidade dele e acabar me machucando depois, é melhor eu nem começar a tentar ser sua amiga, eu não serviria para algo assim.
Digo para mim mesma.
Ele é só um professor gentil, eu não posso criar coisas na minhas mente, coisas que não existem.
Até porque... ele deve me ver como uma garota i****a e desastrada que fica andando por ai com um coelho de pelúcia.
Ah, eu me odeio tanto.
Me levanto da cama após um certo momento e vou trocar de roupa, coloco uma roupa confortável e me sento na minha mesa de estudos para começar a estudar.
Vamos lá Nina você consegue.
(...)
Olho para o computador vendo que se passam das duas da tarde.
Sinto minha barriguinha roncar e faço um beicinho.
Eu não quero descer e ouvir o quão perfeitinha é minha irmã.
- Aqui minha querida. - Nala coloca uma mamadeira em cima da mesinha e sorrir para mim. - Quer que eu tranque por fora?
Assinto e ela sai trancando a porta.
Nala é uma das poucas pessoas com quem me sinto um pouco confortável, ela me faz sentir que não tem problema ser eu mesma, mas não me sinto tão bem quanto...
Nem pense nisso Nina.
Foco aqui.
Estudos.
Olho para meu livro inquieta, estudar, estudar e estudar.
Eu sou inteligente, posso aprender matemática direito, só preciso me concentrar.
Se concentra Nina.
Ah, lasquela.