-- Andrea, meu dia está louco e você começou isso, por favor sai deste quarto e vem almoçar. - Eu falando com autoridade, a mesma que uso no escritório. Me virei para a Amanda e fiz o mesmo convite.
-- Vamos almoçar, depois conversamos. - Ela me encarava sem expressão.
Sentamos a mesa, pensei na Maura, pediu a refeição e saiu sem comer, preciso ligar para ela.
-- Então, vamos começar de novo, como se fosse a primeira vez que nos vemos ok. Eu comecei o dia duelando com dinossauros, você chegou como uma tempestade e agora estamos aqui e o dia longe de acabar. Vamos começar com um pedido de desculpas.
-- Desculp…
-- Não pra mim, para a sua mãe. Eu falei colocando as mãos de Amanda sob as de Andrea.
-- Desculpa mãe, eu fui imprudente. Achei o nome da Bárbara nos papéis da adoção, fiz uma busca na internet e acabei te achando. Eu não pensei, eu agi comprei passagens e vim direto do aeroporto para o seu escritório. Falei na recepção que tinha uma entrevista com você, mas aí a sua secretária que é um leão da segurança quase me expulsa, para não sair eu disse que era assunto de família.
Eu ri me lembrando da Alice, -- É, ela é mesmo meu melhor soldado, ninguém passa por ela. Ela deve ter simpatizado com você, porque nem mesmo assuntos de família passam por ela se não tiver agendado.
A garota riu, enquanto Amanda só nos observava.
-- Por que a urgência? Fugir da sua família de forma tão irresponsável?
Ela abaixou a cabeça.
-- Desespero. Eu estou procurando a minha mãe biológica a seis meses. - Olhou acusadora para Amanda, que por sua vez abaixou a cabeça.
-- A uns oito meses atrás a Andrea teve um m*l súbito e depois febres que não cessavam, fizemos vários exames e então descobrimos a leucemia. Tinha dor e medo nessas palavras. -- O médico disse que era raro e perigoso, mas se ela fizesse um transplante de medula compatível as chances de recuperação eram grandes. No mesmo dia, fiz o texte, e claro não sou compatível, ela foi inscrita numa fila de espera, e então estavamos aguardando achar correspondentes em todo o mundo.
-- Dois meses depois eu tive uma nova crise e mais febre, o médico disse que eu precisava achar um correspondente na família e então comecei a investigar o meu passado. Não que ele fosse segredo, minha mãe nunca escondeu que eu era adotada. Ela sempre dizia que a minha mãe biológica era maravilhosa, mas não tinha contato com ela.
Eu olhei para Amanda. Estava indagando ela enquanto mergulhava nos seus olhos negros.
-- Você sabia como contatar?
-- Sempre soube, mas eu tinha feito uma promessa e não podia quebrar. Eu estava buscando uma forma de pedir a sua ajuda, sem que nos encontrassemos. Eu amo a minha filha, ela é tudo o que eu tenho de mais importante na vida. Mas tinha que achar um meio de não atrapalhar a sua vida para ajudá-la.
-- A vida dela está em risco Amanda, eu entenderia… Na verdade eu entendo, não estou brava eu estou surpresa. Como assim você é a mãe dela?
-- É a sua filha Bárbara, eu não poderia deixar outra família ficar com ela. Não depois de tudo.
-- Mas você disse que tinha achado uma família maravilhosa para ela. Uma mãe que iria amá-la como se fosse eu.
-- Eu a amo como se fosse você. Eu na semana que desapareci organizei tudo, falei com advogados pedi transferência de sede e voltei para vocês. Eu queria que você mudasse de idéia, como isso não aconteceu. Eu levei o plano em frente, e o resto você já sabe.
-- Oi, senhoras eu ainda estou aqui, me notem. Rimos eu e Amanda.
-- Muito bem senhorita Andrea, você é uma detetive excelente, como tinha certeza que era eu?
-- Eu achei uma foto sua junto com os papéis de adoção e tinha algumas coisas escritas nas costas da foto. Falou olhando para a mãe, esta por sua vez corou e arregalou os olhos. Então com a certeza de que era você, já que a nossa semelhança é absurda. Eu fiz uma mochila e fugi. Não sem antes avisar. Você achou meu bilhete na geladeira mãe?
-- Eu nem sei aonde é a cozinha. As duas riram cúmplices. Eu gostei de ver a amizade delas.
-- Bem eu não entendo nada de medicina, acho que a Maura conversou com você não? Eu preciso conversar com ela, saber o que ela me orienta para eu poder te ajudar.
-- Vocês se conhecem a muito tempo? Uma pergunta com um peso diferente.
-- Sim, já tem alguns anos, ela é uma ótima médica. Eu acho na verdade nunca me consultei com ela. Sorri inocente, e me deparei com um olhar acusatório.
Sem saber o que mais falar, me levantei, recolhi os meus papéis.
-- Vocês podem ficar aqui se quiserem, eu preciso voltar pra casa. Prefiro que fiquem assim podemos conversar assim que eu souber mais sobre o seu caso Andrea, Amanda… Foi bom te ver, mesmo.
Nos despedimos com um abraço contido. Um abraço mais caloroso de Andrea seguido de um obrigado. Eu ainda não sei por que, mas me sentia completa naquele abraço, mas precisava ir.
Na verdade saí praticamente correndo.