Abrindo o coração

1948 Words
-- Amanda o que está acontecendo com você? Perguntei assim que entramos no meu quarto. -- Você me beija no meio da tarde e depois não fala comigo e agora está aqui assim.  -- O que está acontecendo? Bárbara eu pedi pra você não sair com ela, eu me declarei. Ela podia gritar, mas tinha angústia em suas palavras.  -- Você não se declarou Amanda, nós nunca falamos desse sentimento, você namora o Marcos lembra, você nunca demonstrou outro sentimento que não amizade.  -- Eu não podia, você é uma garota está descobrindo a vida e eu nem sabia que você é lésbica, eu sabia que eu não era até ver você e eu espero todas as noites para estar com você, mesmo que seja só para estudar. - Eu sorri.  -- Eu espero por todas as noites para estar contigo, mesmo que seja só para estudar.  Vi um sorriso nascer nos lábios dela.  -- Então por que saiu com outra? -- Por que eu preciso te esquecer Amanda, olha pra mim, sou uma menina não posso te oferecer nada e você tem um namorado.  -- Namoros acabam. Ela saltou sobre mim, e me tomou em seus braços. Eu não recusei a aproximação.  Nossas bocas se encontraram, nossas mãos se procuravam o desejo entre nós era nítido, ela enfiou as mãos por baixo da minha camisa, enquanto beijava minha boca e deslizava os lábios para o meu pescoço, com a outra mão buscava o meu seio. Ela mordiscava meu pescoço descia a mão pelo meu corpo que já não oferecia resistência nenhuma aos toques que estavam me enlouquecendo eu chamava o nome dela, colava o meu corpo ao dela, suas mãos buscavam o meio das minhas pernas tocava o meu triângulo do prazer eu já não tinha controle sobre mim, eu suspirava desesperada o seu nome, quando ela me penetrou o orgasmo já estava próximo, foi mágico e foi a minha primeira vez.  -- Amanda, você me fez mulher, sua mulher. Eu disse com os olhos rasos d’água, ela me beijou ternamente e chorou comigo. Era alegria, amor.  Consciente de nossa paixão, aproveitavamos cada minuto roubado para estarmos juntas, mesmo pagando a pensão eu passava muito tempo na casa dela, mesmo nas noites em que ela tinha que sair com o Marcos, o que me matava de ciúmes ela voltava para mim, sempre dizendo que iria terminar, que era complicado por causa dos pais. Mas ela iria acabar.  Eu a amava, eu acreditava. E fomos seguindo em nossa bolha de amor nos meses seguinte. Mas toda bolha estoura um dia, e o que estourou a nossa foi o próprio pai da Amanda o doutor Brandão, chegou na casa dela tarde da noite um dia, e como dono da casa entrou com suas chaves, ele com certeza nos ouviu, pois nossas noites eram intensas. Ele pegou o telefone e ligou para ela, disse para parar com a baixaria que estava acontecendo no quarto que ele esperava por ela na sala.  Em minutos nos recompomos e sai daquele quarto uma Amanda desesperada sem nem olhar para mim.  Eu fui atrás e pude ouvir parte de uma conversa que eu não podia acreditar.   -- Paiii não fica assim, calma a Bárbara é uma amiga com quem me divirto. Não é sério pai fica tranquilo, o Marcos não sabe e nunca vai saber.  -- Amanda, você está brincando com os dois.  -- Não pai, não estou brincando eu amo… - Mas ai eu não estava mais ouvindo. Não precisava ouvir mais nada, eu era uma diversão.  A dor era tanta que eu nem conseguia chorar. Enquanto os dois conversavam na sala eu me refiz, engoli a minha dor precisava sair daquela casa, mas não queria enfrentar os dois, na verdade não queria ver nenhum dos dois.  Chamei um táxi pelo telefone, e quando já se aproximava a hora dele chegar, pulei as janelas e sai da casa e da vida da Amanda como um ladrão sabendo que a única coisa roubada ali era o meu coração.  Eu ainda não conseguia entender por que ela foi brincar comigo assim, cheguei em casa já era alta madrugada, ignorei as ligações em meu telefone, sabia que era ela. Quando entrei no meu quarto e tranquei a porta me permiti chorar, chorei aquela noite e o dia inteiro que se seguiu, dó de mim e raiva.  No segundo dia da minha dor, me levantei um pouco mais digna, não fui na faculdade, tinha aula com o Marcos logo no primeiro horário e eu não podia encarar o homem mais feliz do mundo, aquele que tinha o coração da minha amada, aquela que usou o meu.  Fui ao banco, esperei do outro lado da rua, a hora do almoço de Amanda, assim que ela saiu junto com o pai o meu coração bateu forte e doeu um pouco mais, achava que nunca mais pararia de doer, então atravessei as portas giratórias, me dirigi ao RH e entreguei a minha carta de demissão, nada de muitos papéis para assinar eu era uma estagiária, tirei meus objetos pessoais da minha mesa, me despedi de Agnaldo e parti sem olhar para trás.  No fim da tarde, o meu telefone não parava de tocar, eu sabia que era Amanda, não atendi. Não queria nunca mais falar com ela. Não queria nunca mais ver o Marcos. Então troquei de curso, e horário. Comecei a fazer administração a noite. No final foi uma coisa boa, eu me adaptei bem ao curso, fiz novos amigos.  A vida seguia a sua normalidade, pessoas enamoradas a minha volta mas eu me mantia fechada, focada. Tinha decidido já que não podia ter comigo o amor da minha vida teria carreira, seria uma profissional de sucesso na minha área, conheceria o mundo e teria ele aos meus pés, e pessoas como Amanda Brandão, a minha ferida aberta, seriam para sempre ignoradas.  Com o tempo Agnaldo, voltou a se aproximar de mim, nos tornamos amigos, saímos para barzinhos juntos, estavamos sempre um com o outro era uma amizade que valia a pena cultivar o problema é que por meio dele eu ficava sabendo da vida de Amanda, ela estava indo bem no banco, já estava assumindo funções em outros setores e mesmo muito calada notava-se que ela não era uma pessoa feliz. Algumas pessoas maldosas a apelidaram de panda, por que estava sempre com bolsas enormes embaixo dos olhos. Ela já as tinha quando estava comigo, resultado de noites m*l dormidas. Isso doía porque eu sabia que ela não estava dormindo comigo mas dormia com alguém certamente o Marcos, eu sabia que eles não tinham terminado.   Eu fingia ficar bem com esta notícia, afinal ninguém sabia sobre nós.  Passado alguns meses, era meu aniversário. Eu saí para comemorar com meus amigos entre eles o Agnaldo que chegou um pouco atrasado. E a justificativa dele pelo atraso era que após o expediente o banco reuniu o pessoal que estava trabalhando para um brinde, a Amanda estava noiva de Marcos, os pais do Marcos eram de família rica e o pai da Amanda estava muito contente com a união dos dois. Aquilo me parou o coração.  Eu comecei a beber o quanto pude, todos os copos e garrafas que passavam por mim, eram esvaziados, eu enlouqueci naquela noite. E o Agnaldo estava ali, eu nunca me vi beijando outra boca muito menos a de um homem, ok ele tinha apenas vinte anos, e eu ali fazendo dezoito. Eu o beijei, e o convidei para passar a noite comigo.  No meio da noite, nos envolvemos, deixamos os beijos bobos roubados ficarem mais intensos e então transamos, eu não sei dizer se estava bom era a minha primeira vez com um homem, e no meio do orgasmo eu disse o único nome que eu sempre disse nestas ocasiões.  -- O que? Você está louca me chamou de Amanda? Você ama a Amanda? Ele levantou indignado se vestiu. - Eu, eu sim amava você Bárbara, ela vai se casar com outro. Adeus!  -- Desculpa. Foi só o que eu consegui dizer. Mais um que passou pela minha vida, mas este foi eu quem magoei, então quando eu me descobri grávida assumi a responsabilidade para mim. Eu sabia que meus pais iriam querer que eu interrompesse os estudos para me dedicar ao bebê, eu já estava no meu segundo ano, e não iria parar minha vida por causa de uma gravidez, então me afastei da família, mudei de pensão para dificultar que me encontrassem.  Arranjei um emprego de meio período, assim poderia estudar e fazer economias para quando o bebê nascesse. A minha maneira eu acreditava estar fazendo tudo bem e certo, mas descuidei da minha saúde e fui parar no hospital, como eu não tinha ninguém em São Paulo e entre os meus contatos diretos estava Amanda, foi para ela que eles ligaram.  E quando eu acordei no hospital, eu achei que estava sonhando.  -- Amanda? Eu pensei que tinha te perdido, me perdoa eu te amo.  -- Sou eu quem deve pedir perdão Bárbara, porque você não falou comigo todo este tempo?  -- Eu ouvi você falando para o seu pai que eu era só uma diversão, e depois você está noiva então eu era mesmo uma diversão. E chorei, e ela chorou junto.  Foi nessa hora que o médico entrou na sala.  -- Ah vejo que estão melhor. Ele sorriu. Muito bem mamãe, você vai precisar de ferro e se hidratar. Quer saber o sexo? Eu já sei, precisei saber quando estava te examinando. Eu sorri, ele era simpático.  Só então olhei para uma Amanda pálida me encarando e percebi que perdia ela mais uma vez.  -- Quero doutor, me diz. - Eu já não a encarava, não podia.  -- É uma linda menina, já tem um nome?  -- Será Andrea, adoro este nome.  -- E você moça bonita? Feliz com a notícia? Era ele perguntando para uma Amanda pálida com os olhos cheios de lágrimas.  Ao que ela disse sim, e sorriu pra mim, o médico disse que se ela cuidasse de mim me liberaria, eu tentei impedir, mas foi feito dessa forma. Me vi saindo do hospital ao lado de Amanda. Ela não falava nada, entrou no carro e dirigiu para a pensão, quando percebi o caminho que ela estava fazendo dei o novo endereço.  -- Eu precisei mudar quando descobri a gravidez, aluguei uma casa no centro.  -- Pra ficar mais perto do pai dela?  -- Ele não sabe, foi uma vez numa noite.  -- Por que? Ela parecia estar sentindo dor.  -- Porque eu precisava naquele momento, naquele dia e não poderia ser você.  Ela chorou.  -- Foi no dia do seu aniversário? Eu te liguei, um homem atendeu eu conheço a voz, só não sei de onde.  -- É, foi no dia do seu noivado. Ela arregalou os olhos e chorou, me abraçou. Eu não recusei o abraço, estava com saudade eu precisava deste contato.  Ela não pediu perdão, não tocou no assunto. Veio me ver nos dias que se seguiram me obrigava a tomar as vitaminas e ia comigo as sessões de pré-natal. Nunca falamos do relacionamento dela com o Marcos, eu não tinha coragem de perguntar, e estavamos juntas, mesmo que de uma forma estranha. As vezes ela roubava beijos de mim e eu deixava era o máximo que eu conseguia dela.  -- Eu vou dar ela. Estavamos tomando um café numa lanchonete no centro. Falei alto o que vinha no meu pensamento.  -- Você não pode fazer isso Bárbara. Ela é sua filha.  -- E vai estar melhor sendo cuidada por uma família que pode amá-la. Eu a amo é claro, mas olha pra mim, sou uma criança m*l cuido de mim, não posso cuidar de outra criança.  -- Eu posso, nós podemos fazer isso juntas.  -- Não existe nós Amanda. Eu já tomei minha decisão.  Amanda ficou brava, brigamos, mais uma longa semana sem nos vermos e então ela voltou.  -- Se você quer dar ela, eu vou te ajudar.  Eu chorei, e a abracei.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD